Busca

Palestrantes do painel "Sinodalidade: um modelo para a convivência pacífica e o desenvolvimento social": irmã Marie Kolbe Zamora, pe. Victor Vijay Lobo Palestrantes do painel "Sinodalidade: um modelo para a convivência pacífica e o desenvolvimento social": irmã Marie Kolbe Zamora, pe. Victor Vijay Lobo  #SistersProject

SIGNIS 2026, mídia como instrumento de comunicação e evangelização

Ser discípulos antes de ser influenciadores, dar voz aos que não têm voz, abordar os desafios antropológicos impostos pela inteligência artificial, proteger os menores no ambiente digital e promover a paz e o cuidado da criação. Esses foram alguns dos temas centrais que emergiram nas primeiras sessões plenárias e painéis do Congresso Mundial da SIGNIS, que está sendo realizado em Kigali, Ruanda.

Suor Angella Rwezaula, suor Ernestina Patrick Lasway, suor Michelle Njeri, suor Francine-Marie Cooper – Kigali

Sinodalidade, inteligência artificial, cuidado com a criação, proteção de menores e jornalismo de paz. Esses foram os principais temas do primeiro dia do Congresso Mundial da SIGNIS, que começou na última terça-feira, 04 de agosto, em Kigali, Ruanda. Por meio de uma série de painéis, os palestrantes refletiram sobre os principais desafios que a comunicação católica contemporânea enfrenta, enfatizando a responsabilidade dos comunicadores em promover a dignidade humana e o bem comum.

Discípulos antes de influenciadores e o desafio da Inteligência Artificial

A primeira sessão plenária abriu os trabalhos, durante a qual o arcebispo Fortunatus Nwachukwu enfatizou o significado histórico do Congresso Mundial da SIGNIS ser realizado na África pela primeira vez. Este evento, observou ele, testemunha a maturidade da Igreja africana e a necessidade de sua voz ser ouvida globalmente: "A Igreja na África não deve mais ser tratada como um bebê no berço", disse ele. O arcebispo então exortou os comunicadores católicos a priorizarem sua identidade como discípulos, em vez de buscarem visibilidade, consenso ou popularidade nas mídias sociais. "Os comunicadores católicos devem priorizar sua identidade como discípulos em vez de buscar métricas online, atenção ou influência nas redes sociais." Ele também lembrou que a harmonia cultural não significa nivelar as diferenças em uma monocultura algorítmica, mas sim valorizar a riqueza da diversidade desejada por Deus. Recordando Provérbios 31, 8, ele reafirmou o mandato profético dos jornalistas católicos de dar voz aos marginalizados, aos desamparados e às vítimas de abuso, muitas vezes ignorados pelos algoritmos comerciais.

Em seguida, o foco se voltou para a inteligência artificial com o pronunciamento da diretora teológico-pastoral do Dicastério para a Comunicação, Nataša Govekar, que lembrou a Mensagem do Santo Padre para o 60º Dia Mundial das Comunicações Sociais e a encíclica Magnifica Humanitas. Ao abordar o impacto da inteligência artificial, ela afirmou que "o desafio fundamental da IA ​​não é tecnológico, mas antropológico". Ela também observou que grandes modelos linguísticos estão influenciando cada vez mais a linguagem humana e a expressão espontânea, com o risco de fomentar a passividade cognitiva. Portanto, ela exortou a redescobrir momentos de "jejum de telas", lembrando que a formação verdadeira da pessoa requer tempo, compromisso e relações autênticas. Govekar também expressou a esperança de que as plataformas digitais sejam concebidas como espaços públicos capazes de fomentar a confiança e as relações, em vez do isolamento e da dependência de conteúdo gerado por algoritmos. "Quando a eficiência se torna o critério supremo de valor", observou ela, "os seres humanos correm o risco de se considerarem um projeto a ser otimizado em vez de pessoas chamadas à relação e à comunhão". A seguir, concluiu: "Nenhum sistema computacional, por mais sofisticado que seja, pode criar um coração capaz de se doar ou uma consciência capaz de discernir o bem do mal."

Comunicação sinodal e cuidado da criação

A reflexão prosseguiu com o painel dedicado à sinodalidade, intitulado "Um modelo para a convivência pacífica e o desenvolvimento social". Ao falar sobre comunicação sinodal, a irmã Marie-Kolbe Zamora, OSF, afirmou que a comunicação sinodal autêntica não consiste simplesmente em transmitir conteúdo perfeito, mas requer, antes de tudo, um comunicador sinodal. "Os comunicadores sinodais são pessoas que viveram pessoalmente a redenção em Cristo, que a vivem concretamente e constroem sua comunicação em diálogo direto com Deus, em vez de se confiarem exclusivamente em estratégias de comunicação", explicou ela.

Também foi dado amplo espaço ao cuidado da criação. A irmã Juunza C. Mwangani, responsável de projetos da Iniciativa de Agricultores Emergentes na Zâmbia, apresentou a agricultura como uma ferramenta para a conversão ecológica. "Transformamos resíduos em recursos úteis e promovemos uma agricultura integrada e resiliente às mudanças climáticas. Nossa rede também apoia jovens e mulheres. Acredito que as mulheres devem ter a oportunidade de contar suas histórias", afirmou. Tomás Insua, presidente do Centro Laudato si' em Assis, enfatizou que o Dia Mundial de Oração pelo Cuidado da Criação e o Tempo da Criação são uma importante oportunidade para os comunicadores católicos darem maior espaço às questões ambientais. Ele também observou que a mensagem anual do Papa para o Dia da Criação merece maior divulgação, citando a Igreja nas Filipinas como um exemplo de integração dessas iniciativas ao planejamento pastoral. Recordando o tema do Jubileu da Esperança, Leticia Florencio, diretora de comunicação para a América Latina do Movimento Laudato si', lembrou que "a esperança deve se traduzir em ação" por meio de uma comunicação corajosa, responsável e transparente. Ela acrescentou que "a comunicação criativa reconhece as pessoas como protagonistas da transformação social e considera o cuidado com a nossa casa comum como uma forma concreta de viver o Evangelho".

Proteger os menores e promover a paz

A proteção de menores no ambiente digital foi o foco de outro painel, que contou com a participação da irmã Patience Shinondo, RSC, da irmã Babitha Abraham Valiaparambil, FMM, do professor Jean-Paul Niyigena e do padre Lawrence Adu-Gyamfi. O painel destacou a necessidade urgente de proteger crianças e jovens no espaço digital, enfatizando como a exploração e o aliciamento online frequentemente representam uma porta de entrada para o tráfico de pessoas. Os palestrantes pediram uma maior alfabetização digital, tecnologias projetadas para serem seguras para menores e maior responsabilidade das empresas de tecnologia, reafirmando o papel compartilhado de famílias, educadores, governos e comunidades religiosas.

Ainda abordando os desafios digitais, John Makokha, da CORAT África, alertou para o rápido crescimento da extorsão sexual digital, definindo-a como uma das formas de violência sexual facilitada pela tecnologia que mais cresce entre crianças e jovens. Embora reconhecendo as oportunidades oferecidas pelas tecnologias digitais nos campos da educação, comunicação e participação social, ele enfatizou a necessidade de regulamentações e diretrizes mais eficazes para proteger menores no ciberespaço. A reflexão se concluiu com o tema do jornalismo de paz, sobre o qual Josephat Mohanzi relembrou a tradição da Tanzânia como uma "ilha de paz" e a visão de Julius Kambarage Nyerere, que imaginava acender uma tocha no topo do Monte Kilimanjaro para espalhar esperança por todo o continente. Segundo Mohanzi, a mídia católica é chamada não apenas a noticiar conflitos, mas também a construir e fortalecer a paz, dando voz às comunidades e destacando experiências positivas, ao mesmo tempo que reconhece as dificuldades econômicas que muitos veículos de comunicação católicos continuam enfrentando.

A dignidade humana no centro

As apresentações do dia reafirmaram a necessidade de salvaguardar a dignidade humana, também na era do progresso tecnológico. As crianças, por serem as mais vulneráveis, requerem proteção especial, enquanto os comunicadores católicos têm a missão de promover a esperança, a paz, o cuidado da criação e o desenvolvimento humano autêntico. Os trabalhos se encerraram com um diálogo entre palestrantes e participantes, prosseguindo o diálogo que marca o Congresso Mundial da SIGNIS, que se realiza em Kigali até 8 de agosto.

Obrigado por ter lido este artigo. Se quiser se manter atualizado, assine a nossa newsletter clicando aqui e se inscreva no nosso canal do WhatsApp acessando aqui.

05 agosto 2026, 16:40