Leigos, religiosas, diáconos e presbíteros reunidos com o professor, Pe. Joachim Andrade, no Centro Cultural Missionário em Brasília/DF Leigos, religiosas, diáconos e presbíteros reunidos com o professor, Pe. Joachim Andrade, no Centro Cultural Missionário em Brasília/DF  (@Pe. Rodrigo Rios)

Ad Gentes: brasileiros se preparam para atuar como missionários no exterior

Um grupo de 16 missionários entre leigos, religiosas, diáconos e padres, prepara-se em Brasília/DF para cruzar oceanos e continentes, levando esperança e solidariedade a Moçambique, Uruguai, Argentina, Peru, Angola, França e Inglaterra.

Pe. Rodrigo Rios – Vatican News

Entre os dias 10 e 22 de agosto de 2026, a capital federal do Brasil acolhe 16 pessoas oriundas de diversas dioceses do país que preparam as malas para atuar como missionárias internacionais. O grupo, formado por leigos, religiosos, diáconos e padres, está prestes a deixar suas terras natais para cruzar fronteiras geográficas e culturais. Todos participam do curso “Ad Gentes”, uma preparação intensiva que os capacitará para atuar em projetos eclesiais e humanitários ao redor do mundo. Os destinos traçados incluem Moçambique, Uruguai, Argentina, Peru, Angola, França e Inglaterra.

A "Formação Ad Gentes: iniciação à missão além-fronteiras" é promovida pelo Centro Cultural Missionário (CCM), com aulas distribuídas nos turnos da manhã e da tarde. O curso fornece referenciais teóricos e práticos, abordando dimensões fundamentais para a atuação em áreas de vulnerabilidade extrema. O conteúdo programático vai desde a compreensão antropológica e social da missão, passando pelos desafios da globalização e das migrações, até o desenvolvimento do aspecto humano-afetivo.

Os diáconos Victor Machado e Jarbas Antônio, a leiga Thaíssa Crispim e a religiosa Ir. Maria Teixeira Filho em uma das aulas na formação Ad Gentes
Os diáconos Victor Machado e Jarbas Antônio, a leiga Thaíssa Crispim e a religiosa Ir. Maria Teixeira Filho em uma das aulas na formação Ad Gentes   (@Pe. Rodrigo Rios)

Missionários de várias vocações e estados de vida

O que inspira uma pessoa a trocar a tranquilidade do dia a dia pelo serviço em regiões vulneráveis? Para a Irmã Maria Teixeira Filho, a mais idosa do grupo, a idade é apenas um detalhe acompanhado de muita vitalidade. Pertencente à congregação das Religiosas da Assunção e originária da Diocese de Caratinga (MG), a freira que está completando 61 anos de votos religiosos, já está de malas prontas para atuar em uma comunidade na Argentina no próximo mês. O local fronteiriço atende tanto a população local quanto paraguaios e brasileiros. "É um bairro muito pobre, predominantemente de imigrantes, com muitas necessidades básicas. Vamos dar continuidade a essa assistência. Tenho 84 anos e uma boa saúde; vou fazer essa experiência e dar o meu melhor", afirma.

A comunidade em questão esteve fechada por cerca de três anos, e a religiosa fará parte da equipe enviada para reabri-la. Ela destaca que o trabalho envolverá a manutenção de um espaço para oficinas artesanais e uma cozinha de suporte alimentar.

Para a jovem corretora de imóveis Thaíssa Crispim, de 25 anos, a missão é a concretização de um desejo enraizado desde a infância. “Eu sempre dizia para a minha mãe que queria ser missionária, mesmo sem saber o que isso significava, mas esse ardor sempre esteve presente em minha vida”, relata. Leiga e atuante na Diocese de Rio do Sul (SC) como coordenadora de Missões em Áreas Indígenas e da Pastoral Universitária, ela será enviada para Nampula, em Moçambique, pela Diocese de Chapecó (SC). Thaíssa explica que deixará de lado a flexibilidade e a estrutura de sua carreira profissional para abraçar as populações africanas de forma compassiva. "Sempre me compadeci muito dos povos de lá, da questão da pobreza, da humildade e da falta de capacidade do governo de olhar para essas pessoas com interesse em políticas públicas", pontua.

Sobre a formação no CCM, a jovem conta que o que mais a impactou foram os testemunhos envolvendo os desafios de saúde nas missões africanas, uma realidade radicalmente diferente do acesso aos postos de atendimento no Brasil.

As fronteiras também se abrirão para os recém-ordenados diáconos Victor Machado e Jarbas Antônio Pires Viana, ambos com 26 anos e oriundos da Diocese de Caratinga (MG). Ordenados no último mês de junho, eles estão se preparando para um projeto missionário no âmbito do Regional Leste 2 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB). O destino da dupla será a Diocese de Canelones, no Uruguai, e irão após se tornarem presbíteros.

"Durante o meu processo formativo no seminário, fiz parte do Conselho Missionário de Seminaristas (Comise) por muito tempo, o que me permitiu acompanhar de perto como a Igreja se organiza em sua dimensão missionária", recorda o diácono Victor Machado. Ele explica que, após a ordenação, manifestou ao seu bispo o desejo de viver uma experiência além-fronteiras mais intensa e a necessidade no Uruguai surgiu por ser uma realidade secularizada, com poucos ministros ordenados. “Portanto, a nossa presença e o nosso desejo visam ajudar essa Igreja e dinamizar a ação evangelizadora ali”, destaca.

O diácono Jarbas Antônio relata que, no início de sua caminhada vocacional, jamais se imaginou atuando como missionário em outro país. Contudo, o chamado acabou conquistando seu coração. “A princípio, eu imaginava que o padre diocesano ficasse restrito ao território de sua diocese. Durante a formação presbiteral, meus horizontes foram se ampliando e percebi que o presbítero é ordenado para a Igreja particular, mas em vista da missão de toda a Igreja universal", afirma. 

Ele demonstra estar feliz com o caminho discernido. “Estou muito contente por saber que poderei servir à Igreja nessa realidade desafiadora e, ao mesmo tempo, cheio de expectativas para a ordenação sacerdotal, que espero ocorra em breve, permitindo-me exercer o ministério em outro país e em outra Igreja particular”, conclui.

O trabalho do CCM

O Centro Cultural Missionário (CCM) é um órgão filial da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), criado oficialmente em dezembro de 1982, em Brasília. A instituição nasceu a partir da junção de três entidades: o Centro de Formação Intercultural (Cenfi), o Serviço de Colaboração Apostólica Internacional (Scai) e o então recém-criado Centro de Animação e Estudos Missionários (Caem). Para acolher seus participantes, o espaço conta com uma infraestrutura capaz de hospedar até 45 pessoas, oferecendo quartos, salas de aula e de conferências, biblioteca, refeitório e capela.

O trabalho central do CCM consiste em preparar, orientar e apoiar pessoas que se dedicam à vida missionária. Suas principais finalidades incluem oferecer um percurso de iniciação para missionários estrangeiros que chegam ao Brasil, promover cursos de formação para brasileiros enviados a outros países e realizar eventos de estudo sobre teologia, espiritualidade e prática de missão. Além disso, a instituição acompanha presbíteros, diáconos, religiosos e leigos em suas etapas iniciais de formação, fomenta a capacitação de animadores e produz pesquisas relevantes para a caminhada da Igreja no Brasil.

Para executar suas atividades de forma organizada, o CCM é constituído por três departamentos específicos:

  • O Cenfi atua na formação cultural e eclesial dos missionários estrangeiros, auxiliando na aprendizagem da língua portuguesa e na introdução às culturas brasileiras.
  • O Scai atua com assistência jurídica e administrativa, orientando sobre vistos e permanência legal tanto para os estrangeiros que chegam quanto para os brasileiros que partem para o exterior.
  • O Caem é responsável por proporcionar os cursos de formação missionária para os brasileiros enviados além-fronteiras ou para aqueles que atuam em projetos missionários dentro do próprio país.

Para informações acerca de cursos e chamados à missão, o CCM atende pelos contatos +55 (61) 3274-3009 e +55 (61) 99675-1855 ou pelo e-mail secretaria@ccm.org.br.

Colaboração: Centro Cultural Missionário

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22 agosto 2026, 09:24