Cardeal Tempesta: São João Maria Vianney
Cardeal Orani João Tempesta, O. Cist. - Arcebispo Metropolitano de São Sebastião do Rio de Janeiro, RJ
Celebramos, no dia 4 de agosto, a memória litúrgica de São João Maria Vianney, patrono de todos os padres. Este ano, o Dia do Padre é celebrado numa terça-feira, mas a Igreja celebra, no domingo anterior, dia 2, o Dia de Oração pelas Vocações ao Ministério Ordenado – diáconos, padres e bispos –, abrindo o Mês Vocacional.
Neste dia de São João Maria Vianney, patrono de todos os padres, mais do que presentear o padre de sua paróquia, reze uma Ave-Maria por ele e por seu ministério, para que seja perseverante no chamado que Deus lhe fez. A comunidade paroquial, como um todo, pode preparar uma homenagem para o padre, do mesmo modo que homenageamos os pais, as mães e os avós.
O sacerdote é o pai espiritual da comunidade e, ao longo de todo o ano, nos dá o maior presente, que é Jesus vivo na Eucaristia. Sejamos gratos ao nosso pároco, mesmo que ele tenha defeitos, como todo ser humano tem. Rezemos por ele, peçamos a bênção e agradeçamos por estar em nossa comunidade. Toda vocação é um chamado de Deus, seja a vocação ao matrimônio, à vida religiosa ou consagrada, ou ao serviço de catequista, mas todas elas só serão sustentadas pela oração.
São João Maria Vianney é um exemplo de sacerdote. Viveu num tempo diferente do nosso, mas também existiam muitas dificuldades. Num primeiro momento, desconfiavam de sua capacidade, e a própria comunidade não queria escutá-lo. Mas, com o passar do tempo, ele conquistou a comunidade por meio de seu trabalho e, pela graça de Deus, converteu muitos corações. Infelizmente, algumas vezes fazemos isso quando um padre novo chega à nossa comunidade: não o acolhemos da melhor forma, ameaçamos trocar de comunidade, dizemos que preferíamos o antecessor. Enfim, os padres passam, mas a comunidade fica. Temos que ir à igreja por Jesus, e não por conta do padre. Peçamos a intercessão de São João Maria Vianney por nosso pároco e por sua missão.
São João Maria Vianney foi considerado o Santo Cura d’Ars porque foi enviado a esse vilarejo, para onde ninguém queria ir, marcado pelo pecado, com bares, casas noturnas, prostituição, dentre outras coisas. Como nenhum padre que passou por lá deu certo e, de início, não acreditavam muito no ministério do Padre João Maria Vianney, enviaram-no para lá, achando que logo pediria para deixar o vilarejo. Padre João Maria Vianney iniciou, com coragem, a sua missão: ia atrás das pessoas nos bordéis, em casa e nas ruas, e converteu o vilarejo inteiro.
Padre João Maria Vianney ficava quase doze horas no confessionário e passava o dia à base de batata e água. Foi um pároco zeloso e admirável. Em poucos meses, mudou o rosto da cidade, e muitos se converteram. Com isso, aqueles que duvidavam dele no início mudaram a visão que tinham dele.
Peçamos a intercessão de São João Maria Vianney por todos os padres e que todos os sacerdotes possam se espelhar no exemplo desse grande santo, sejam párocos zelosos, atendam o povo de Deus e busquem a santidade. Rezemos ainda para que nunca faltem padres, pois sem padres não há Eucaristia, e sem Eucaristia não há Igreja.
É de suma importância rezarmos por todos os padres, para que Deus os abençoe no ministério e os ajude a seguir em frente, mesmo diante das tribulações. Muitas vezes, não sabemos o que se passa com o padre, nem as dificuldades e limitações que enfrenta no dia a dia. Acabamos por julgar certa atitude ou outra do padre, mas não procuramos saber o que se passa com ele a fundo. Portanto, meus irmãos, não somente nesta semana dedicada ao sacerdócio, mas ao longo de todo o ano, rezemos pelos padres e, antes de julgá-los por alguma coisa, procuremos saber como eles estão.
Rezemos ainda pelos padres idosos, doentes e aqueles que estão impedidos de exercer o ministério publicamente, para que Deus lhes dê forças para seguir em frente e para que, mesmo afastados ou sem poder exercer o ministério, conformem a sua vida com a de Jesus e sejam felizes.
Rezemos pelos seminaristas que se preparam para o sacerdócio, para que perseverem na caminhada e tenham Jesus, Bom Pastor, como companheiro e, ainda, a Virgem Maria e São José. Que, desde agora, possam nutrir um amor pela Eucaristia e pelo povo de Deus. É importante rezarmos por todos os seminaristas, pois serão os sacerdotes de amanhã, e sem sacerdotes não há Eucaristia, e sem Eucaristia não há Igreja. Que muitos jovens sejam chamados a abraçar a vocação sacerdotal.
São João Maria Vianney nasceu no ano de 1786, em Dardilly, na França. Seus pais chamavam-se Mateus e Maria. João Maria Vianney teve seis irmãos; ele era o quarto. Desde a infância, nutria no coração o desejo de ser padre. Vianney nasceu num período difícil, em meio à Revolução Napoleônica. Conta a história que sua primeira comunhão foi recebida dentro de um celeiro, durante uma missa clandestina, já que não se podia celebrar publicamente.
Ele enfrentou a resistência do pai para seguir a vida religiosa, mas, com a ajuda do pároco, aos vinte anos ingressou no seminário, em Écully. Vianney tinha muitas dificuldades, pois começou a estudar muito tarde. Somente aos dezessete anos foi alfabetizado e aprendeu a ler e a falar francês. Os professores e os superiores o consideravam um rude camponês que não conseguia acompanhar os estudos, principalmente de Filosofia e Teologia.
Em 1815, João Maria Vianney foi ordenado sacerdote, porém com um impeditivo: não poderia atender confissões, pois não foi considerado capaz de guiar consciências. Três anos depois, conseguiu a liberação para exercer plenamente o ministério. Padre João Maria Vianney foi designado como pároco na pequena aldeia "pagã" de Ars, conhecida pela fama de seus habitantes frequentarem cabarés, bailes, cheios de vícios e bebedeiras. Na verdade, ele foi enviado para lá por ser considerado limitado e incapaz de estar à frente de uma grande paróquia, em um vilarejo melhor. Fizeram isso também com o intuito de ver se ele aguentaria seguir no ministério em uma cidade com essa fama.
No entanto, Padre João Maria Vianney conseguiu reverter aquela triste realidade. Com o passar do tempo, a igreja começou a ficar lotada e formavam-se filas no confessionário. Alguns relatos contam que o padre chegava a ficar 16 horas dentro do confessionário e passava longos dias alimentando-se apenas de batatas e ovo cozido. Essa era mesmo a sua grande missão: levar o perdão e a misericórdia divina para os fiéis. A fama de santidade de Padre João Maria Vianney percorreu toda a Europa. Muitas pessoas iam até a paróquia de Ars para ver o padre e para se confessar com ele.
Padre João Maria Vianney vivia aquilo que pregava, punha em prática os seus próprios ensinamentos. Por isso, a exemplo de Jesus, pregava como quem tem autoridade. Ele próprio jejuava e orava com o intuito de favorecer o perdão dos pecados de seus fiéis. "Vou dizer-lhe qual é a minha receita: dou aos pecadores uma pequena penitência e o resto faço eu no lugar deles" (São João Maria Vianney).
Padre João Maria Vianney ficou conhecido como o Santo Cura d’Ars e, com sua missão, pela graça de Deus, curou aquela cidade de seu pecado. A sua vida sacerdotal durou quarenta anos. Ele morreu em 1859, aos setenta e três anos. Padre João Maria Vianney foi canonizado pelo Papa Pio XI, em 1925, mas já era venerado como santo. Foi proclamado padroeiro dos sacerdotes. Além disso, no dia de sua festa passou a ser celebrado o Dia do Padre.
Celebremos com alegria a memória litúrgica de São João Maria Vianney e peçamos a sua intercessão por todos os sacerdotes, para que perseverem em sua vocação e sirvam com alegria e entusiasmo o povo de Deus. Que possamos respeitar todos os padres, pois eles nos conduzem para mais perto de Deus.
A todos os sacerdotes quero enviar meu abraço e minha proximidade espiritual! Deus abençoe a todos os nossos sacerdotes!
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