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Na Venezuela, o hospital de campanha das Hermanitas de los Pobres

Depois do terremoto na Venezuela, o Hospital San José em La Guaira, pertencente às Hermanitas de los Pobres de Maiquetía, sofreu graves danos estruturais. Diante desta emergência, a congregação respondeu com a instalação de um hospital de campanha para atender os feridos.

Johan Pacheco – Cidade do Vaticano

"O Hospital San José sofreu danos estruturais no terremoto e está inabitável. Por isso, montamos um hospital de campanha bem em frente", conta a Irmã María Yraida Mora Sánchez, vigária-geral das Irmãzinhas dos Pobres de Maiquetía, que atuam na área da saúde em La Guaira e Caracas, Venezuela.

A preocupação da religiosa, assim como a de toda a população, é continuar encontrando sobreviventes, como vem acontecendo nas últimas horas em meio aos escombros que cobrem La Guaira, onde as autoridades já registraram mais de 3.500 mortes.

"A gente sempre conversa com alguém e a pessoa diz que perdeu um amigo, um parente ou um filho; ou perdeu a casa ou o emprego, porque os locais de trabalho também foram destruídos", relata a freira, descrevendo o cotidiano da população após o terremoto.

Acolhimento e a crise humanitária

 

Além da assistência prestada no hospital, a Irmã María Yraida Mora explica: "Também estamos visitando três abrigos, caso a caso, e a situação é muito, muito difícil. É complicada porque a Venezuela já atravessava uma crise econômica e humanitária, como grande parte do mundo sabe."

"No domingo passado, celebramos a Missa aqui na Praça Padre Machado. Foi presidida pelo bispo Pablo Modesto de La Guaira. A manifestação de fé e confiança em Deus permanece viva no povo, mesmo em meio ao sofrimento", recorda a religiosa.

Missionárias da Caridade  se reúnem após acompanharem o sepultamento de vítimas do terremoto de 24 de junho no Cemitério La Esperanza em La Guaira, Venezuela, em 6 de julho de 2026. REUTERS/Adriano Machado
Missionárias da Caridade se reúnem após acompanharem o sepultamento de vítimas do terremoto de 24 de junho no Cemitério La Esperanza em La Guaira, Venezuela, em 6 de julho de 2026. REUTERS/Adriano Machado

"No domingo passado, celebramos a Missa aqui na Praça Padre Machado. Foi presidida pelo Bispo Pablo Modesto de La Guaira. A manifestação de fé e confiança em Deus permanece viva no povo, mesmo em meio ao sofrimento", recorda a freira.

hospital sob toldos e tendas

 

A Irmã María Mora detalha como o centro médico teve que ser transformado devido aos danos causados ​​pelo terremoto: "Aqui em La Guaira, temos o Hospital San José, que é um centro de saúde de nível 2, bastante completo. Também administramos a Escola Madre Emilia em Maiquetía, outros centros de saúde em Caracas e um lar para idosos. No entanto, o Hospital San José sofreu graves danos estruturais e está inabitável. Portanto, montamos um hospital de campanha na praça do outro lado da rua. Estamos recebendo apoio da Cruz Vermelha Italiana, da Avessoc (Associação Venezuelana de Serviços de Saúde de Orientação Cristã) e dos próprios médicos da congregação que trabalham na Clínica Padre Machado e no Hospital San José."

A religiosa acrescenta que estão trabalhando "com tendas e lonas, tentando tornar o espaço utilizável. É lá que estamos prestando assistência, já que muitos dos nossos funcionários e colaboradores também foram afetados. Também visitamos diariamente os acampamentos onde as famílias afetadas estão alojadas para levar água, comida, remédios e doações básicas. Em meio a essa tragédia, não podemos nos esquecer dos pacientes com doenças crônicas: aqueles com hipertensão, diabetes ou epilepsia. Devemos cuidar deles e fornecer-lhes os tratamentos necessários para que suas doenças não piorem."

Risco de uma emergência sanitária

 

Em meio aos temores de um surto epidêmico, a irmã observa: "Infelizmente, a situação da saúde em nosso país já era crítica antes do terremoto. No momento, há uma enorme necessidade de medicamentos para alergia, anti-hipertensivos e cremes antifúngicos, já que o estado de Vargas é uma região extremamente quente e atualmente não há abastecimento de água. Há inúmeras carências. Também vemos uma grande necessidade de hidratação para as pessoas que ainda estão entre os escombros, ajudando na busca por sobreviventes ou tentando recuperar os poucos pertences que lhes restaram."

Sobre o trabalho da equipe médica, ela explica que "os médicos estão agrupando seus pacientes para que recebam seus medicamentos, já que a maioria das farmácias no estado de Vargas foi destruída ou permanece fechada."

"Os feridos mais graves foram transferidos para hospitais em Caracas. Aqui, estamos cuidando da atenção primária à saúde: tratando feridas e atendendo os casos de diarreia e viroses que já começam a aparecer", diz Mora.

Um patrimônio com 138 anos de história

 

A vigário geral compartilhou a profunda tristeza da comunidade pela deterioração do Hospital San José: "É o berço da nossa congregação. Aqui está a capela onde repousam os restos mortais do Padre Machado e da Madre Emília, nossos fundadores. Este hospital é um emblema não só para nós, mas para todo o estado de Vargas (La Guaira). Tem 138 anos de história."

Apesar dos danos materiais, a Irmã María Yraida Mora concluiu com uma reflexão: "O hospital não é apenas a estrutura das paredes. O hospital somos cada um de nós: cada enfermeiro, cada médico e cada freira que se esforça, dia após dia, para dar o seu melhor."

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08 julho 2026, 10:31