Hilyerin Subero, de 28 anos, reage após encontrar as chaves de seu marido, Jeison Nieto, após os terremotos devastadores de 24 de junho, em La Guaira, Venezuela, em 6 de julho de 2026. REUTERS/Gaby Oraa Hilyerin Subero, de 28 anos, reage após encontrar as chaves de seu marido, Jeison Nieto, após os terremotos devastadores de 24 de junho, em La Guaira, Venezuela, em 6 de julho de 2026. REUTERS/Gaby Oraa 

Pe. Guillén, POM Venezuela: o Senhor sofre conosco nesta tragédia

O padre Ricardo Elías Guillén Dávila, diretor nacional das Pontifícias Obras Missionárias (PMS) na Venezuela e vigário pastoral da Arquidiocese de Caracas, reflete sobre o compromisso missionário em meio à tragédia dos terremotos: “consolação, proximidade, pequenos gestos, estar com as pessoas”.

Johan Pacheco – Cidade do Vaticano

A Venezuela comemora 127 anos de sua Consagração ao Santíssimo Sacramento do Altar, desta vez com um profundo desejo de encontrar refúgio no Senhor e experimentar consolo em meio à devastação causada pelo duplo terremoto de 24 de junho, que até a noite de terça-feira tinha 3.685 mortes confirmadas.

O padre Ricardo Elías Guillén Dávila, diretor nacional das Pontifícias Obras Missionárias (POM) na Venezuela e vigário pastoral da Arquidiocese de Caracas, compartilha em entrevista à Rádio Vaticano – Notícias do Vaticano a situação atual da sociedade venezuelana, na qual a Igreja missionária assume um papel fundamental.

“Há um grande número de vítimas e feridos, muitas necessidades urgentes de abrigo, cuidados médicos, higiene, etc. É uma situação que não só nos sobrecarrega, como é sem precedentes”, conta o sacerdote, que também expressa sua gratidão pela “manifestação de solidariedade de vários setores. Nosso povo demonstrou solidariedade desde o início e se mobilizou para resgatar as vítimas”.

Um sinal de esperança

 

Sobre o trabalho pastoral e missionário neste contexto, o Pe. Guillén afirma: “Não nos esqueçamos de que nossa tarefa primordial deve ser a de pastores. É verdade que devemos atender — a caridade de Cristo nos impele — às necessidades materiais, mas o que mais se pede de nós, e o que o povo anseia e necessita, é a nossa presença, a nossa proximidade espiritual, o nosso acompanhamento, a nossa escuta e, sobretudo, os sacramentos; os dons da graça que queremos levar a todos os lugares. Portanto, a instrução é que também vamos aos abrigos e refúgios, que estejamos com o povo, que choremos com ele, mas, acima de tudo, que a nossa presença como pastores seja também um sinal de esperança no meio do nosso povo.”

O diretor nacional das Pontifícias Obras Missionárias na Venezuela compartilhou que vivenciaram diretamente a dor dos cinco jovens ligados às PIM que perderam a vida em La Guaira: “Isso nos enche de dor e choque, porque são vidas jovens que serviram com grande entusiasmo, missionários que o Senhor chamou para casa. Também estamos muito próximos dessas famílias.”

A missão nas zonas atingidas pelo terremoto

 

As Pontifícias Obras Missionárias, juntamente com iniciativas diocesanas em resposta ao terremoto, “convidaram também todos os que estão ligados a nós”, diz o padre Ricardo Guillén, “especialmente os jovens e as famílias missionárias, a virem a esses lugares, a esses abrigos, para acompanhar as pessoas. Tentamos fazê-los entender que a missão está agora ali.”

“Devemos compreender que a evangelização neste momento envolve não muitas palavras ou muitos discursos — é uma situação muito difícil —, mas sim conforto, proximidade, pequenos gestos, estar com as pessoas. Creio que, como fez Nosso Senhor, devemos estar onde há sofrimento e oferecer uma palavra oportuna, mas também um gesto de solidariedade e amor.”

O Senhor sofre conosco

 

“Qual é o papel de Deus em tudo isso?”, pergunta o vigário pastoral da Arquidiocese de Caracas, buscando aprofundar o significado cristão das provações que a Venezuela atravessa. Ele responde: “Só temos a Cruz de Nosso Senhor, e sabemos que Deus está sempre ao lado da vítima. Nosso Senhor sofre conosco nesta tragédia, que é natural, parte das próprias leis da natureza.”

“A resposta, além de racional, é a resposta daqueles que permanecem próximos aos que sofrem e que demonstram, por meio de sua presença e dor compartilhada, que Deus continua a acompanhá-los. Creio que também devemos proclamar que Deus ainda está conosco e que a esperança é uma virtude que nos vem de Deus; devemos pedi-la porque precisamos reconstruir”, conclui o sacerdote venezuelano. As Pontifícias Obras Missionárias da Venezuela iniciam uma semana de oração pelo país, convidando a todos a se unirem ao sofrimento dos afetados, “não apenas com oração, mas com caridade concreta para ajudar nossos irmãos e irmãs.”

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08 julho 2026, 08:09