Padre Nazareno Lanciotti, beatificado neste dia 13 de junho
Victor Hugo Barros - Vatican News
Um novo mártir é elevado aos altares brasileiros. Padre Nazareno Lanciotti, missionário italiano que dedicou sua vida ao Brasil, será beatificado no dia 13 de junho, em uma cerimônia na cidade de Jauru (MT), onde atuou por 30 anos, até ser martirizado em 2001.
Nascido em Roma, na Itália, em 03 de março de 1940, Lanciotti foi ordenado sacerdote em 1966. Em 1971, chegou ao Brasil como missionário, fixando-se em Jauru, onde exerceu um fecundo apostolado e marcou a vida de quem o conheceu. Prova disso é Osvaldo Piva. Amigo do novo beato, ele recorda traços marcantes da biografia do religioso.
“Ele era muito travesso quando criança, mas entrou no seminário e aprendeu silêncio, oração e obediência. Ele tinha uma grande devoção à Nossa Senhora e a Jesus Eucarístico. E ele pediu duas coisas para Nossa Senhora, quando foi ordenado padre: viver a pureza e não estar apegado ao dinheiro”, testemunha Piva.
Uma das características mais fortes do sacerdote era a confiança na Providência de Deus. Vivendo em uma paróquia que sequer possuía luz elétrica ou meios para se comunicar, Padre Nazareno nunca se deixou abater.
“Ele construía muitas coisas, ele era um fazedor, assim, de coisas. E aí, não tinha dinheiro. Chegava no dia, tinha que pagar sete mil e quinhentos reais de tijolos, cimento e tal. Chegava um pagamento na conta dele, vindo de ele não sabe de onde. A Divina Providência nunca deixou ele sozinho”, recorda o amigo.
Um beato amigo e próximo
Otávio fala com a experiência de quem conviveu lado a lado com o novo beato. Todas as semanas, um telefonema ou uma visita fizeram crescer a amizade com um mártir do nosso tempo.
“A gente conversava muito no telefone, ele vinha na minha casa, eu ia lá para Jaurú, ficava na casa dele. Ele recebia meus filhos no mês de dezembro, (durante) todo mês. E ele me ajudou muito. Quando eu o conheci, ele era um italiano duro. Eu falei: nossa, eu vou me confessar com ele, ele vai me dar uma bronca. Mas, na confissão, ele se transformava em Jesus Eucarístico. Uma beleza, uma maravilha. ‘A confissão é você ser um filho pródigo que volta para o Pai’, ele dizia. Isso me marcou muito”, comenta emocionado.
O Movimento Sacerdotal Mariano
A convivência dos dois se estreitou graças ao Movimento Sacerdotal Mariano, do qual padre Nazareno foi diretor para o Brasil. Otávio, por sua vez, hoje é representante leigo nacional, e se recorda com carinho das marcas que o Movimento deixou na vida do mártir.
“Ele já tinha toda a espiritualidade do Movimento, na alma, no coração, na vida. Ele era mariano e eucarístico, gostava de confessar e fazia muita penitência. Então, toda a nossa espiritualidade da pequenez, da infância espiritual, de consagrar-se ao Coração de Maria, de viver no abandono, na confiança total, é uma nossa característica”, explica.
Fiel até o martírio
Foi este abandono total a Deus que o fez se dedicar aos mais pobres e abandonados. Na Paróquia Nossa Senhora do Pilar, onde trabalhou, criou uma instituição beneficente para oferecer atendimento médico às pessoas em situação de vulnerabilidade. Realizou ainda ações junto aos trabalhadores e suas famílias, lutando contra o tráfico de drogas e a prostituição.
Em retaliação ao seu trabalho pastoral, dois homens encapuzados invadiram sua casa, na noite do dia 11 de fevereiro de 2001. Um deles deu um tiro na nuca do sacerdote, atingindo sua quarta vértebra. Padre Nazareno Lanciotti morreu no dia 22 de fevereiro, aos 61 anos, não sem antes perdoar seus assassinos. Sinal de uma vida ofertada a Deus, a exemplo da Virgem Maria.
“O segredo da santidade do Padre Nazareno foi Nossa Senhora, que o levou a adorar Jesus e reviver Jesus no Calvário. Esse foi o segredo dele. Se consagrou a Nossa Senhora, Nossa Senhora tomou posse dele, fez dele um novo Jesus. Eucarístico, místico, adorador e, depois, ele foi mártir. Ou seja, deu a vida. Como Jesus deu a vida, ele também deu a vida”, afirma Piva.
Padre Nazareno teve sua morte por ódio à fé reconhecida pela Igreja no dia 14 de abril de 2025, no último martírio promulgado durante o pontificado do Papa Francisco. A cerimônia de beatificação acontece no sábado, 13 de junho, na Paróquia Nossa Senhora do Pilar, em Jauru (MT), a partir das 10h. A celebração será presidida pelo cardeal brasileiro dom João Braz de Aviz, em nome do Papa Leão XIV.
Obrigado por ter lido este artigo. Se quiser se manter atualizado, assine a nossa newsletter clicando aqui e se inscreva no nosso canal do WhatsApp acessando aqui