Festa da República: pacto entre gerações para preservar democracia, diz cardeal Zuppi
Cecilia Seppia – Vatican News
Neste dia 2 de junho, enquanto a Itália teve as tradicionais paradas militares, além de ter o céu colorido de verde, branco e vermelho com as acrobacias aéreas das Frecce Tricolori, o presidente da Conferência Episcopal Italiana dirige uma carta comovente ao chefe de Estado, Sergio Mattarella, expressando profunda gratidão, afeto e responsabilidade compartilhada por este dia histórico que, escreve o cardeal Matteo Maria Zuppi, “não pode ser apenas memória: deve se tornar promessa. Não basta celebrar o que recebemos; é preciso revigorá-lo, preservá-lo e mantê-lo vivo, com o mesmo espírito que se abre para o futuro”.
As raízes históricas da democracia
E justamente para olhar para o futuro, o cardeal Zuppi percorre as raízes históricas da democracia italiana: “a República nasceu atravessando o sofrimento, reconquistando a liberdade e rejeitando toda forma de fascismo, com uma esperança mais forte que o medo. Nasceu do desejo de não sermos mais uns contra os outros, mas cidadãos juntos”. Um caminho árduo trilhado por mulheres e homens que, após a guerra, escolheram recomeçar juntos, reconstruir quando tudo parecia destruído, e que culminou na elaboração da Constituição. O cardeal cita explicitamente o artigo 54 da Carta, evocando o dever de fidelidade à República e a obrigação, para quem exerce funções públicas, de cumpri-las “com disciplina e honra” para o bem de todos.
A relação entre o Estado e a Igreja
Uma parte central da mensagem é dedicada à relação entre a Igreja e o Estado italiano, regulada pelo artigo 1º do Concordato. O presidente da Conferência Episcopal reitera a vontade da Igreja de continuar a cooperar no pleno respeito à liberdade religiosa e aos valores democráticos e agradece a Mattarella por ter reconhecido, durante a 50ª Semana Social dos Católicos em Trieste, a contribuição histórica e, precisamente, social de toda a comunidade católica para a coesão nacional.
As feridas do presente
Ao lado da gratidão, a carta expressa uma preocupação forte e lúcida com as feridas que assolam a Itália de hoje: “as Igrejas na Itália olham para este aniversário com gratidão pelo caminho percorrido e com preocupação pelas feridas atuais: a pobreza crescente, a queda da natalidade, a desconfiança, as desigualdades, a violência verbal, a indiferença e a tentação de se fechar em um destino individual”. Nossas comunidades, ressalta ele, “rejeitam a guerra como meio de resolução de conflitos e, inspiradas pelo ensinamento do Papa Leão, sentem como urgente a tarefa de educar para a paz, zelar pela democracia e construir comunidades”, antídotos fundamentais contra toda forma de individualismo.
Preservar e renovar
O compromisso da Igreja em conter as forças desintegradoras é reafirmado com palavras inequívocas: “eecordamos todos aqueles que contribuíram para a construção da comunidade civil e reafirmamos nosso compromisso de promover o bem comum e a solidariedade, de combater a alienação e a insatisfação perigosa e de apoiar a doutrina social da Igreja, cujas raízes estão em sintonia com o texto constitucional”. O desejo final é que a Festa de 2 de junho, celebrada de norte a sul, exorte a todos a preservar e renovar o pacto de coesão “para entregar às futuras gerações uma República mais justa, coesa e fraterna, sempre na perspectiva europeia”.
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