Migrantes, assistidos pela brigada espanhola de salvamento marítimo, chegam ao porto de La Restinga, em El Hierro, Ilhas Canárias, Espanha, em 26 de dezembro de 2024. EPA/GELMERT FINOL Migrantes, assistidos pela brigada espanhola de salvamento marítimo, chegam ao porto de La Restinga, em El Hierro, Ilhas Canárias, Espanha, em 26 de dezembro de 2024. EPA/GELMERT FINOL 

Em El Hierro, a oração pelos migrantes mortos no Atlântico

De acordo com dados do governo das Ilhas Canárias, a ilha de El Hierro, com apenas 11.700 habitantes, recebeu quase metade dos barcos irregulares que chegaram ao arquipélago no último ano. Só em 2024, 23.994 migrantes desembarcaram em suas costas, mais da metade dos 46.843 que chegaram às Ilhas Canárias naquele mesmo ano.

A ilha de El Hierro, um dos principais pontos de chegada na rota migratória atlântica para as Ilhas Canárias, acolheu recentemente um momento de oração e memória em memória dos migrantes que morreram no mar e daqueles que conseguiram chegar à costa após a travessia.

A celebração foi no último sábado no porto de La Restinga, na ponta sul da ilha, pertencente à Diocese de Nivariense (que inclui as ilhas de Tenerife, La Palma, La Gomera e El Hierro).

A chamada rota canária, que parte principalmente da costa oeste de África, deixa inúmeras embarcações precárias à deriva no Oceano Atlântico, o que explica as frequentes chegadas ao arquipélago, particularmente à ilha de El Hierro.

De acordo com dados do governo das Ilhas Canárias, a ilha, com apenas 11.700 habitantes, recebeu quase metade dos barcos irregulares que chegaram ao arquipélago no último ano. Só em 2024, 23.994 migrantes desembarcaram em suas costas, mais da metade dos 46.843 que chegaram às Ilhas Canárias naquele mesmo ano.

Sob o lema "El Hierro eleva o olhar", a comunidade católica local viveu esta iniciativa como preparação para a visita do Papa, que chegou no final da manhã desta quinta-feira em Las Palmas da Gran Canaria, vindo de Barcelona.

A Eucaristia foi celebrada na Paróquia de Nossa Senhora dos Reis, presidida por dom Eloy Alberto Santiago, Bispo de San Cristóbal de La Laguna (Tenerife), e concelebrada pelo cardeal Baltazar Porras, arcebispo emérito de Caracas, e pelos sacerdotes da pastoral da ilha. Também esteve presente o Pe. Darwin Rivas, pároco de La Restinga e delegado da Cáritas em El Hierro. Ele, que é um dos promotores da acolhida de migrantes na região, compartilhará seu testemunho sobre a realidade pastoral da migração no arquipélago no encontro com o Santo Padre, agendado para 12 de junho na Plaza del Cristo de La Laguna.

A celebração foi marcada pela preocupação pastoral com a situação migratória no arquipélago. Dom Eloy Alberto Santiago reiterou em diversas ocasiões a necessidade de não esconder o sofrimento daqueles que empreendem a travessia para as Ilhas Canárias, apelando para uma maior conscientização institucional sobre o que chamou de "tragédia humanitária na qual muitas pessoas perdem a vida".

Após a Eucaristia, os participantes caminharam em procissão até o cais de La Restinga em um ambiente de silêncio e reflexão, carregando tochas. Ali, o bispo ofereceu uma oração pela ilha e pelos migrantes que chegaram à costa, concluindo o gesto com um ato simbólico de lembrança, lançando flores ao mar em memória daqueles que perderam a vida durante a travessia.

*Agência Fides 

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11 junho 2026, 09:28