Catequistas de 17 países europeus estão na Itália para congresso internacional sobre a paz e o encontro
Vatican News
O Pe. Car-Mario Sultana, presidente da Equipe Europeia de Catequese (Équipe Européenne de Catéchèse), afirmou nesta quinta-feira (04/06) que a catequese é chamada a “desempenhar um papel decisivo na promoção da paz”, num contexto europeu marcado por conflitos, tensões identitárias e fragmentação social. Na conferência de abertura do congresso internacional que decorre na região de Bari, no sul de Itália, sob o tema «Catequese para o encontro e para a paz. A convivialidade das diferenças», o sacerdote maltês defendeu que a catequese deve ir além da simples transmissão doutrinal para se tornar “um laboratório de paz”, capaz de ajudar as pessoas a “construírem relações autênticas com Cristo e entre si”.
Perante os cerca de 60 participantes provenientes de 17 países europeus, entre os quais uma delegação portuguesa, o presidente da Equipe Europeia de Catequese alertou para o crescimento de uma “hermenêutica identitária” que leva a ver o próximo não como um dom, mas como uma ameaça. Segundo o Pe. Car-Mario Sultana, a problemática do encontro e da paz nasce da tensão entre a “indiferença globalizada” e o “particularismo fragmentado”, fenêmenos que marcam profundamente a cultura contemporânea europeia. Neste contexto, considerou que a catequese deve “favorecer a criação de espaços de encontro e de diálogo, onde as diferenças sejam acolhidas e não transformadas em motivo de divisão”.
Quatro desafios principais para a catequese contemporânea
Inspirando-se na visão profética de dom Tonino Bello, antigo bispo de Molfetta-Ruvo-Giovinazzo-Terlizzi, o responsável evocou a expressão “convivialidade das diferenças”, explicando que a paz não consiste na eliminação das diferenças nem na uniformização das identidades, mas na capacidade de viver a comunhão preservando a singularidade de cada pessoa e comunidade. Ao longo da sua intervenção, o presidente da Equipe Europeia de Catequese identificou quatro desafios principais para a catequese contemporânea: o desafio epistemológico de anunciar a verdade cristã respeitando a pluralidade; o desafio eclesiológico de viver a reconciliação na diversidade dentro da própria Igreja; o desafio antropológico de aprender a partir do encontro com o outro; e o desafio pedagógico de formar para a paz como modo de vida e não apenas como ausência de conflito.
O sacerdote destacou ainda a importância da sinodalidade, da escuta atenta e do acompanhamento como elementos fundamentais da ação catequética, sublinhando que “a verdade não é algo que o catequista possui”, mas uma Pessoa, Cristo, que vem ao encontro da humanidade.
Celebrar o aniversário de 75 anos da Equipe Europeia de Catequese
A intervenção assinalou igualmente o aniversário de 75 anos da fundação da Equipe Europeia de Catequese, criada em 1950 durante o Primeiro Congresso Catequístico Internacional realizado em Roma. O Pe. Car-Mario Sultana recordou que a missão da organização continua sendo promover o encontro entre responsáveis e especialistas em catequese e fomentar a reflexão sobre os desafios culturais que se colocam à fé cristã e à evangelização.
“Depois de 75 anos, as diferenças na Europa já não são apenas nacionais, mas também culturais, seculares e digitais”, afirmou. “A nossa história demonstra que a Equipe não tem medo destas diferenças. Pelo contrário, oferece um espaço onde aprendemos que a paz não é a ausência de debate, mas a presença do Espírito na nossa diversidade.”
Delegação portuguesa presente em Corato
O congresso decorre em Corato, na região italiana da Puglia, reunindo especialistas e responsáveis da catequese europeia para refletir sobre o contributo da catequese na construção de uma cultura do encontro e da paz. A delegação portuguesa é formada pelo Pe. Luís Miguel Figueiredo Rodrigues, diretor da Faculdade de Teologia da Universidade Católica Portuguesa; Irmã Arminda Faustino, coordenadora do Departamento de Catequese do SNEC; Pe. Tiago Neto, diretor do Setor da Catequese do Patriarcado de Lisboa; Isabel Oliveira, diretora do Secretariado Diocesano da Catequese do Porto; Pe. José Henriques Pedrosa, diretor do Serviço Diocesano da Catequese de Leiria-Fátima; e Fernando Moita, secretário da Comissão Episcopal da Educação Cristã e Doutrina da Fé e diretor do SNEC.
Ao longo de seis dias, o congresso deve aprofundar a forma como a catequese pode contribuir para formar comunidades capazes de promover o encontro, a comunhão e a paz, transformando as diferenças não em fatores de divisão, mas em oportunidades de enriquecimento mútuo.
Obrigado por ter lido este artigo. Se quiser se manter atualizado, assine a nossa newsletter clicando aqui e se inscreva no nosso canal do WhatsApp acessando aqui