Busca

2020.06.10 - Corpus Domini - Eucaristia

Tornar-se o Corpo de Cristo!

Neste dia de Corpus Christi, o Pe. Maicon Malacarne recorda que "a solenidade de hoje é um grande convite a tornar-se alimento, a ser pão repartido, a ser vida doada para os outros. O esplendor das procissões, o brilho das vestes e a suntuosidade dos ostensórios não podem ofuscar nem apagar esse tremendo convite de Jesus: «Aquele que me recebe como alimento viverá por causa de mim». Trata-se de fazer da própria vida o mesmo alimento do qual nos do qual nos nutrimos".

Pe. Maicon A. Malacarne*

A Solenidade do Corpo e Sangue de Cristo recorda que toda Eucaristia é «minha carne dada para a vida do mundo» (Jo 6,51-58). A natureza da Eucaristia é dom, é saída, é descentralização. Jesus, rodeado por seus discípulos, formando uma pequena comunidade, entrega-se: «Tomai e comei; tomai e bebei… Isto é o meu Corpo, isto é o meu Sangue». Nada é retido; tudo é ofertado.

Não se pode perder de vista que uma das consequências da Eucaristia é assumir aquilo que sou, minha identidade mais profunda de filho, tornando-me «eucarístico», transformando cada gesto e cada palavra numa escola de fraternidade. A missa que celebramos não pode ser reduzida a um gesto ritual, a uma obrigação ou a uma simples exterioridade. Ela deve ser parte da peregrinação rumo a uma vida cada vez mais ancorada no amor: «Quem come a minha carne e bebe o meu sangue permanece em mim, e eu nele».

A Igreja, comunidade reunida em torno de Jesus, também é consequência da Eucaristia. Tonino Bello escreveu: «O primeiro broto a surgir na árvore da Trindade é a Eucaristia. Quando esse ramo brota, surge a Igreja. A Igreja, então, não é outra coisa senão o Sacramento Eucarístico plenamente desabrochado». E acrescenta: «Somente se a Eucaristia trabalhar “dentro” é que teremos o direito e a coragem de levá-la “para fora”».

A solenidade de hoje é um grande convite a tornar-se alimento, a ser pão repartido, a ser vida doada para os outros. O esplendor das procissões, o brilho das vestes e a suntuosidade dos ostensórios não podem ofuscar nem apagar esse tremendo convite de Jesus: «Aquele que me recebe como alimento viverá por causa de mim». Trata-se de tornar-se aquilo que se recebe; de fazer da própria vida o mesmo alimento do qual nos nutrimos.

* professor de Teologia Moral e pároco da Paróquia São Cristóvão - diocese de Erexim/RS

Obrigado por ter lido este artigo. Se quiser se manter atualizado, assine a nossa newsletter clicando aqui e se inscreva no nosso canal do WhatsApp acessando aqui

04 junho 2026, 11:54