2026.05.05 Scuola di Pace Scampia

Nápoles: da Escola da Paz em Scampia, uma mensagem de fraternidade ao Papa

Emoção e entusiasmo entre as crianças que frequentam a Comunidade de Sant’Egidio, na expectativa da chegada do Pontífice, na sexta-feira, 8 de maio. Paola Cortellessa, coordenadora do instituto: “há um clima de festa que rompe com o clima de violência que muitas vezes caracteriza esta realidade. Aqui mostramos que é possível ter esperança, é possível viver em paz”.

Marco Guerra e Benedetta Capelli – Vatican News

“Só as crianças veem os anjos, porque elas próprias são anjos. Mas o mundo é uma alegria triste, porque te faz sentir e ver a escuridão que um anjo não conhece. Que cansa a vida: colhe-se o que se semeia. Mas, na verdade, só gostaríamos de voar.”

São os versos que Simone escreveu em uma oficina de escrita em Scampia, um bairro com 80 mil habitantes na periferia de Nápoles. Há sonho e amargura em suas palavras, mas acima de tudo a verdade que nasce de viver em uma zona conhecida pela degradação e pela violência. Os sonhos são também daquelas pessoas que não desistem e pensam, inventam, compreendem que é preciso habitar também esses lugares. A experiência das Escolas da Paz da Comunidade de Sant’Egidio em Nápoles surgiu há cerca de 30 anos como resposta às dificuldades do território; elas oferecem atividades extracurriculares gratuitas para combater o abandono escolar e apoio educacional, promovendo uma cultura de convivência e paz.

“O Papa que deseja a paz”

Paola Cortellessa, diretora de um complexo escolar em Roma e coordenadora das Escolas da Paz, publicou vários livros, entre os quais “Crianças em Nápoles entre a violência e o futuro. A história de Gigi e vozes das escolas da paz”. À mídia do Vaticano, ela conta o empenho das crianças na preparação do acolhimento ao Papa, que estará na capital napolitana na sexta-feira, 8 de maio. “As crianças já estão, nestes dias, preparando faixas e frases criadas por elas mesmas; as mais pequenas pintam cartazes com suas mãozinhas como sinal de saudação”. Elas aguardarão Leão ao longo do trajeto que vai da Catedral até a Praça do Plebiscito: “falamos a eles sobre o Papa; um Papa que deseja que haja paz no mundo, e essa é uma mensagem que as crianças compreendem muito bem”.

Sinal de paz

“É uma visita esperada porque – explica Paola Cortellessa – todos nós ansiamos pela paz, tanto nesta cidade quanto, sobretudo, em suas periferias, onde não faltam problemas e há muita violência. Estamos à espera de uma paz no mundo que, infelizmente, já não existe neste período”. A experiência das escolas da paz de Scampia, felizmente, diz o contrário: são espaços de acolhimento, de paz, onde chegam as crianças das periferias difíceis de Nápoles, mas também de outras partes do mundo. “Para elas – explica a coordenadora – é um sinal de alegria, de esperança e, de qualquer forma, algo a ser recebido com grande festa”.

Um dos momentos de encontro junto às escolas da paz
Um dos momentos de encontro junto às escolas da paz

O sonho de uma convivência pacífica

A escola de Scampia trabalha com as crianças do vizinho Campo Rom, mas também de todo o bairro, para “unir tantas realidades e criar um clima de convivência pacífica, de amizade entre as crianças, guiadas por jovens que são um pouco como seus irmãos mais velhos”. Para a diretora da escola, “o pontificado do Papa Leão insere-se nesse sonho de convivência pacífica, de fraternidade, de ajuda e, sobretudo, dessa amizade entre os mais velhos e os mais novos, justamente porque o Papa Leão, desde o primeiro dia de seu pontificado, nos falou de como é importante viver em paz e de como, ao contrário, a verdadeira distorção é viver em guerra”. “Estar em Scampia com os jovens – continua Cortellessa – significa também lançar um sinal contra a violência que caracteriza algumas zonas desta cidade; uma cidade que também sabe acolher, sabe dar muito, mas que também tem muitas fragilidades, muitos pontos críticos”.

Devolver a humanidade

Preparativos frenéticos e emoção entre as crianças: é isso que se respira na cidade, e há também a intenção de retribuir ao Papa o bem que receberam graças à experiência das Escolas da Paz. “Há um grande clima de festa para esta visita e isso, por si só, já contrasta com o que às vezes se respira nas periferias: um clima difícil, um clima de violência”.  Sant’Egidio, conta a coordenadora Paola, procura intervir nesses locais marginalizados, “tanto com as crianças quanto com os idosos e com os sem-teto, para trazer de volta a humanidade e, acima de tudo, um clima de amizade e paz; não há motivo para que não seja possível uma convivência pacífica entre adultos e crianças, entre adolescentes e estrangeiros, e a mensagem é justamente essa: que é possível, é possível ter esperança, é possível viver em paz”.

Obrigado por ter lido este artigo. Se quiser se manter atualizado, assine a nossa newsletter clicando aqui e se inscreva no nosso canal do WhatsApp acessando aqui

06 maio 2026, 09:18