Assembleia Estadual da Pastoral Carcerária do Regional Sul 1 em Santos
Entre os dias 15 a 17 de maio de 2026, a cidade de Santos acolheu a Assembleia Estadual da Pastoral Carcerária do Regional Sul 1 da CNBB, realizada na Casa de Retiro CEFAS. O encontro reuniu representantes de 29 dioceses do Estado de São Paulo, fortalecendo a missão evangelizadora junto às pessoas privadas de liberdade, seus familiares e egressos.
Os participantes foram acolhidos por Dom Joaquim Mol, cuja recepção marcou o espírito fraterno e sinodal do encontro. A assembleia contou ainda com a presença de Irmã Petra, coordenadora nacional da Pastoral Carcerária, e da coordenação do Regional Sul 1: Dom Luiz Antônio Cipolini, bispo referencial, Padre Marcos Alves, Geralda, Anderson e Cláudio, responsáveis pelos trabalhos pastorais no estado de São Paulo.
A programação abordou temas fundamentais para a atuação pastoral nas unidades prisionais. Entre os destaques estiveram a reflexão sobre as Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil (DGAE 2026-2032), conduzida pelo Padre Marcos Alves, e a implantação do Sínodo na Pastoral Carcerária, apresentada por Irmã Petra, coordenadora nacional da Pastoral Carcerária, reforçando os caminhos de conversão das relações, dos processos e dos vínculos.
Outro momento significativo foi a participação do Dr. Bruno Shimizu, Defensor Público do Estsdo de São Paulo, que promoveu uma partilha sobre os desafios do sistema prisional e o papel da defensoria pública na garantia dos direitos das pessoas encarceradas. Bruno também refletiu quanto à superlotação nas unidades prisionais e a saúde no cárcere, expondo o relatório recém publicado pela instituição, que expõe que um preso morre a cada 19 horas por falta de acesso à saúde no cárcere no estado.
À luz da Exortação Apostólica do Papa Leão XIV, “Dilexi te”, no qual o Papa expõe “preocupam-nos, de modo particular, as graves condições em que vivem muitíssimas pessoas”, os agentes expuseram questões estruturais como a criminalização da pobreza, má qualidade e baixa quantidade da alimentação, falta de acesso à justiça e dificuldades de reinserção na sociedade. E destacaram o trecho da carta no qual o Papa diz: “é tarefa de todos os membros do Povo de Deus fazer ouvir, ainda que de maneiras diferentes, uma voz que desperte, denuncie e se exponha. As estruturas de injustiça devem ser reconhecidas e destruídas com a força do bem, através da mudança de mentalidades e também, com a ajuda da ciência e da técnica, através do desenvolvimento de políticas eficazes na transformação da sociedade”.
As celebrações eucarísticas marcaram profundamente os dias da assembleia. Na homilia de abertura, Dom Luiz Antônio Cipolini destacou que a missão da Pastoral Carcerária nasce da fidelidade ao Evangelho e do compromisso de reconhecer a dignidade humana mesmo em meio às realidades mais difíceis. Dom Cipolini também reforçou que a ação pastoral junto às prisões não pode ser reduzida a uma simples assistência social, mas deve ser compreendida como expressão concreta do amor de Cristo, que visita, acolhe, escuta e promove a vida. Sua homilia convidou os agentes pastorais a permanecerem firmes na missão, cultivando a espiritualidade do encontro e da escuta.
O encerramento da Assembleia Estadual aconteceu no domingo, 17 de maio, com a Missa de Envio, seguida da bênção final aos agentes pastorais. Mais do que um encontro de formação e planejamento, a Assembleia Estadual da Pastoral Carcerária 2026 tornou-se um espaço de comunhão, escuta e fortalecimento da esperança, reafirmando o compromisso Sociotransformador da Igreja em caminhar ao lado daqueles que vivem as dores do cárcere e de suas famílias.
*Manoela Souza / GT Comunicação - Pastoral Carcerária | Regional Sul I
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