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Bispos reunidos no Santuário de Aparecida Bispos reunidos no Santuário de Aparecida 

Quarto dia de trabalhos da 62ª Assembleia Geral da CNBB

Neste sábado, 18 de abril, as sessões continuam no Centro de Eventos Padre Vítor Coelho de Almeida depois da Santa Missa no Santuário Nacional.

Silvonei José – Vatican News - Aparecida

Ontem, dia 17, os bispos reunidos em Aparecida participaram, na parte da manhã, das análises de conjuntura social e eclesial, dois momentos de reflexão voltados à compreensão dos desafios do tempo presente e de suas implicações para a missão evangelizadora da Igreja no Brasil.

análise de conjuntura social foi apresentada por dom Francisco Lima Soares, bispo de Carolina (MA) que destacou a necessidade de uma escuta atenta e responsável diante de um cenário marcado por incertezas e tensões. Segundo ele, a realidade de 2026 não pode ser compreendida de forma fragmentada, pois temas como guerras, disputas de poder, erosão democrática, crise ambiental e economia estão interligados.

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O bispo ressaltou que a proposta da análise é evitar dois extremos: o alarmismo que paralisa e a ingenuidade que desarma. O texto, apresentado pela primeira vez em formato de vídeo, buscou oferecer aos bispos elementos para compreender o tempo presente sem substituir o juízo pastoral de cada um.

Entre os pontos abordados estiveram o cenário internacional, com destaque para a guerra entre Estados Unidos e Irã, a ofensiva contra Nicolás Maduro, a disputa pela hegemonia global, as questões ligadas ao petróleo e ao dólar, além do papel da América Latina como espaço de disputa geopolítica.

Assembleia CNBB
Assembleia CNBB

No contexto brasileiro, foram destacados o desgaste da democracia, o ano eleitoral, a COP 30, os conflitos em torno da regulação ambiental e a economia nacional, descrita como resiliente, mas cercada de riscos. Também foram citados temas como religião e política, além da mensagem de paz e esperança do Papa Leão XIV, recordando seu primeiro discurso.

Na sequência, os bispos acompanharam a análise de conjuntura eclesial sobre o ethos religioso brasileiro atual, conduzida por dom Joel Portella, bispo de Petrópolis (RJ). A reflexão partiu do tema “Evangelizar em tempos de pós-cristandade” e buscou relacionar a conjuntura eclesial às opções evangelizadoras presentes nas Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil.

A apresentação destacou que a sociedade brasileira não está menos religiosa, mas mais plural, marcada por identidades fluidas, individualização e vínculos mais frágeis. Foi apontada a passagem de um contexto de cristandade, centrado em uma referência predominante e mais estável, para uma realidade de pós-cristandade, caracterizada pela pluralidade, pela momentaneidade e pela fragmentação.

Entre os desafios apontados estão as chamadas “policrises”, que atingem áreas como linguagem, vínculos, referências, transcendência, sentido e pertencimento. Segundo a reflexão, cresce o fenômeno de pessoas que creem sem necessariamente se converter, seguir ou assumir compromisso concreto com a vida comunitária.

Diante desse cenário, a análise propôs uma ação evangelizadora baseada no dom, na fraternidade, na solidariedade e na capacidade de incidir na realidade. Também foram destacados elementos como a sinodalidade, o olhar atento às separações e a necessidade de compreender quem incide sobre quem nas relações eclesiais e sociais.

As análises de conjuntura social e eclesial integram a programação da Assembleia e ajudam os bispos a discernirem os caminhos pastorais da Igreja no Brasil, especialmente no processo de elaboração e aprovação das novas Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora.

A Sinodalidade na Assembleia Geral da CNBB

Um dos temas debatidos na 62º Assembleia Geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) é a sinodalidade e sua aplicação prática.  Até 2028, toda a Igreja caminha para o processo de implementação do relatório final do Sínodo sobre a Sinodalidade. Mas, de forma concreta, como é edificado esse método e conceito na Assembleia Geral?

Um dos indicativos para a implementação do Sínodo é tomar consciência da participação em diversos aspectos eclesiais da Igreja, mas, sobretudo, da vivência unificada no processo de salvação. “Ao viver o processo sinodal, tomamos nova consciência de que a salvação a receber e a anunciar passa através das relações. Ela vive-se e testemunha-se juntos” (Relatório Final, número 154).

O cardeal arcebispo de Porto Alegre e presidente da CNBB, Dom Jaime Spengler, relembra que a sinodalidade já é uma realidade na Igreja no Brasil. “Nós, no Brasil, temos uma tradição muito bonita: essa dinâmica da escuta que marcou todo o processo sinodal é algo que caracteriza a tradição da Conferência dos Bispos do Brasil, mas também de toda a América Latina. Nesse sentido, constato que, de alguma forma, nós estamos bastante sintonizados com aquilo que o Sínodo está pedindo para toda a Igreja”, reflete o presidente.

Para o bispo diocesano de Irecê (BA), Dom Antônio Ederaldo de Santana, a sinodalidade é sinal de comunhão e algo que não se termina, sendo uma proposta do saudoso Papa Francisco já encaminhada há alguns anos. “A sinodalidade é algo que se renova a cada ano, não se termina, porque não pode terminar um processo de diálogo e comunhão. Ao contrário, ela vai se completando. Este ano, em especial, teremos as Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora, que também são frutos da sinodalidade”, comenta o prelado.

O arcebispo de Santa Maria (RS), presidente da Comissão para a Animação Bíblico-Catequética da CNBB e membro da equipe de elaboração das Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil (DGAE), Dom Leomar Antônio Brustolin, reforça que o documento é fruto de um processo sinodal iniciado em 2022 e marcado por ampla escuta, participação e discernimento. “A sinodalidade é caminhar juntos, é fazer um itinerário comum. Nós já estamos fazendo isso há muito tempo, desde que começamos a elaborar as DGAE. Agora, enquanto conclusão do sínodo e processo de implementação, o resultado dos sínodos está sendo votado e a proposta das diretrizes está sendo implementada”, conta Dom Leomar.

Oração pela paz

Em um gesto de comunhão com a Igreja no mundo inteiro, os Bispos do Brasil reunidos na 62ª Assembleia Geral da CNBB participaram de uma Adoração Eucarística no Santuário Nacional de Aparecida, colocando diante de Jesus Sacramentado o clamor pela paz, pelas famílias e pelos povos marcados pela violência.

Reze você também:

Oração pela paz

Senhor da vida, que cuidastes de cada ser humano à vossa imagem e semelhança

Cremos que nos criastes para a comunhão, não para a guerra;

Para a fraternidade, não para a destruição.

Vós que saudastes os vossos discípulos dizendo “a paz esteja convosco”,

Concedei-nos o dom da vossa paz e a força para torná-la realidade na história

Hoje, elevamos a nossa suplica pela paz no mundo

Rogando que as nações renunciem as armas e escolham o caminho do diálogo e da diplomacia.

Derramai os vossos corações do ódio, do rancor e da indiferença,

Para que possamos ser instrumentos de reconciliação.

Ajudai-nos a compreender que a verdadeira segurança não nasce do controle que alimenta o medo,

Mas da confiança, da justiça, da solidariedade entre os povos.

Senhor, iluminai os lideres das nações para que tenham a coragem de abandonar projetos de morte;

Detenham a corrida armamentista e coloque no centro a vida dos mais vulneráveis,

Que nunca mais a ameaça nuclear condicione o futuro da humanidade.

Espírito Santo, fazei de nós construtores fiéis e criativos da paz cotidiana

Em nosso coração, em nossas famílias, em nossas comunidades, em nossas cidades;

Que cada palavra amável, cada gesto de reconciliação e cada decisão de diálogo sejam sementes de um mundo novo.

Amém.

Com informações CNBB e  A12

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17 abril 2026, 18:00