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Assim como acontecia o "martírio branco" dos Padres do Deserto, a prática da mortificação prepara o cristão para a alegria da Páscoa. Assim como acontecia o "martírio branco" dos Padres do Deserto, a prática da mortificação prepara o cristão para a alegria da Páscoa. 

Morrer para si mesmo: o sentido da mortificação na quaresma

Entenda como as renúncias quaresmais fortalecem o espírito e nos ajudam a vencer a escravidão dos sentidos.

Pe. Rodrigo Rios – Vatican News

A mortificação é um "pequeno martírio" e, por isso, altamente recomendada durante o tempo quaresmal. Ela funciona como uma renúncia, com o objetivo de treinar o espírito para o desapego e para a liberdade. Muitas vezes somos escravos de algo e, por mais que digamos ser possível viver sem aquilo, o hábito acaba provando o contrário. Ao retirar algo considerado lícito e prazeroso, o cristão compreende que é realmente livre, pois não se deixa dominar.

Isso ajuda significativamente na luta contra o pecado. Ao exercitar a resistência interior, fortalece-se o autodomínio e, consequentemente, torna-se mais capaz de dizer não às tentações. Sugiro algumas práticas, como: retirar o uso do WhatsApp, abster-se de séries e novelas, evitar redes sociais, dormir no chão ou sem travesseiro, levantar-se trinta minutos antes do horário habitual, realizar tarefas de limpeza e ordenar a casa sem postergar, tomar banho frio ou caminhar para o trabalho entregando o esforço físico como penitência.

Essa busca pela pequena morte ajuda a vivenciar o retiro quaresmal de forma intensa, permitindo sentir o valor do sacrifício. Ao escolher uma prática, procure ser fiel a ela até o fim. Recordo-me dos Padres do Deserto, um movimento de espiritualidade que surgiu nos primeiros séculos do cristianismo, logo após a liberdade de culto decretada pelo imperador Constantino. Como já não havia perseguição e, portanto, o martírio de sangue, esses monges iam para o deserto viver o "martírio branco", ou seja, buscavam morrer para si mesmos por meio de disciplinas diárias.

A mortificação quaresmal tem essa mesma proposta: o penitente busca algo que o ajude interiormente a morrer, para que Cristo ressurja. Imagine, por exemplo, um homem que sempre faz a barba; ao propor-se não barbear durante a Quaresma, certamente enfrentará um exercício de desapego da própria imagem.

E então, qual será a sua mortificação para este tempo? Ainda dá tempo de escolher. Afinal, a proposta é chegarmos à Páscoa verdadeiramente livres, e as renúncias nos ensinam a morrer pouco a pouco para o que nos escraviza.

 

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13 março 2026, 14:35