2026.03.13 Concerto del “Requiem”

Requiem de Mozart na Basílica de Santa Maria Maior em Roma graças à Ópera de Varsóvia

O coro e a orquestra da Ópera de Câmara de Varsóvia despojaram a obra das suas sobreposições, devolvendo a naturalidade de uma obra-prima que reflete sobre o mistério da vida e da esperança.

Marco Di Battista - Vatican News

O Tempo da Quaresma convida ao recolhimento e à reflexão profunda sobre a fragilidade humana, temas que encontram máxima expressão musical no Requiem em Ré menor de Wolfgang Amadeus Mozart. Na noite de quinta-feira (12/03), o cenário sugestivo da Basílica Papal de Santa Maria Maior, em Roma, acolheu uma apresentação de grande intensidade dessa obra-prima.

Requiem em Ré menor de Mozart com Coro e Orquestra da Ópera de Câmara de Varsóvia

A escolha de apresentar a última obra de Mozart em um local tão central para o cristianismo durante o caminho quaresmal assume um significado particular, realçado pela presença do Musicae Antiquae Collegium Varsoviense, Coro e Orquestra da Ópera de Câmara de Varsóvia. A participação deles atesta não apenas a universalidade da partitura, mas também ressalta a profunda devoção e o vínculo espiritual que desde sempre unem o povo polonês às celebrações deste importante tempo litúrgico romano.

Coro e Orquestra da Ópera de Câmara de Varsóvia na Basílica de Santa Maria Maior
Coro e Orquestra da Ópera de Câmara de Varsóvia na Basílica de Santa Maria Maior

Dentro a um monumento, ao quebrar o mármore que o compõe, é possível encontrar um coração pulsante; uma humanidade viva e não apenas imóvel. Ao explorar esse “mausoléu” da história da música, sob a regência de Adam Banaszak, foi uma interpretação cuidadosa que colocou de volta ao centro a essência da obra. O uso de instrumentos da época do compositor de Salzburgo ajudou a lembrar como a obra de Mozart é, antes de tudo, uma reflexão sobre o mistério da vida, da morte e da esperança. A execução removeu grande parte daquelas sobreposições e daquela “monumentalização” encontradas em certas interpretações do passado, lembrando-nos da naturalidade — e é aqui que reside a grandeza do gênio — da composição musical. O Requiem, liberto de excessos retóricos, confirma-se não como um monólito a ser admirado de longe, mas como algo que pertence ao cotidiano de todos nós.

Os participantes do concerto do Requiem de Mozart
Os participantes do concerto do Requiem de Mozart

É certamente difícil, diante dessas notas, deixar de lado a vasta literatura, os filmes e as lendas que envolvem essa composição. A gênese conturbada do Requiem em ré menor K 626 — conforme relatam as fontes históricas mais confiáveis — tem início no verão de 1791, quando Mozart recebeu a encomenda do conde Franz von Walsegg, que desejava honrar a memória de sua falecida esposa (e, segundo a prática da nobreza, fazer passar a obra como sua). Já exausto fisicamente pela composição de A Flauta Mágica e A Clemência de Tito, Mozart dedicou-se à Missa com uma urgência febril. O compositor faleceu em 5 de dezembro de 1791, com apenas 35 anos, deixando a obra tragicamente inacabada. Para honrar o contrato, sua esposa Constanze confiou a conclusão da partitura aos alunos do marido: foi, em particular, Franz Xaver Süssmayr quem concluiu a obra, baseando-se nas anotações, nos fragmentos vocais e nas indicações deixadas pelo maestro.

O embaixador da Embaixada da Polônia junto à Santa Sé, Adam Kwiatkowski, ao cumprimentar os presentes
O embaixador da Embaixada da Polônia junto à Santa Sé, Adam Kwiatkowski, ao cumprimentar os presentes

A dar voz a esse testamento espiritual, que marca o fim de uma vida dedicada à música, mas repleta de obstáculos, esteve um elenco vocal sólido e equilibrado. As partes solistas foram interpretadas pela soprano Aleksandra Olczyk, pela mezzo-soprano Joanna Motulewicz, pelo tenor Adrian Domarecki e pelo baixo Artur Janda, que se uniram à orquestra e ao coro em uma oração musical capaz de transcender o tempo, falando sem filtros à sensibilidade de hoje.

Os participantes do concerto
Os participantes do concerto

Uma noite que se tornou possível graças à Embaixada da Polônia junto à Santa Sé, representada pelo embaixador Adam Kwiatkowski, e também graças a Adam Struzik, presidente da Região de Mazóvia, e Alicja Węgorzewska-Whiskerd, diretora da Ópera de Câmara de Varsóvia. O concerto foi realizado em colaboração com o cardeal Rolandas Makrickas, arcipreste da Basílica Papal de Santa Maria Maior de Roma.

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13 março 2026, 15:31