Nova presidência da CEAMA: uma Igreja com rosto amazônico, sinodal e pluricultural
Vatican News
A CEAMA inicia uma nova etapa com a renovação de sua presidência para o período 2026–2030, consolidando um caminho eclesial profundamente sinodal, onde convergem diversas vocações, ministérios e culturas a serviço da vida na Amazônia.
Esta nova presidência expressa com clareza o rosto de uma Igreja que caminha com os povos: bispos, presbíteros, leigos, líderes indígenas e vida religiosa, unidos na missão de anunciar o Evangelho e defender a Casa Comum num dos territórios mais desafiadores e esperançoso do mundo.
A nova presidência da Ceama é composta pelo cardeal Leonardo Steiner, arcebispo de Manaus (Brasil), como presidente; e os vice-presidentes: o pe. Jesús Huamán, do Vicariato Apostólico de Puerto Maldonado (Peru); Juan Urañavi, do Vicariato Apostólico de Ñuflo de Chávez (Bolívia), Marva Joy Hawksworth da Diocese de Georgetown (Guiana); e irmã Sônia Maria Pinho de Matos, da Arquidiocese de Manaus (Brasil).
Cardeal Steiner presidente da Ceama
O cardeal Leonardo Ulrich Steiner, OFM, arcebispo de Manaus (Brasil), assume a presidência da CEAMA. Sua trajetória pastoral na Amazônia e seu compromisso com uma Igreja próxima, defensora da vida e promotora da justiça socioambiental fazem dele uma figura-chave para este novo tempo eclesial. Sua liderança se caracteriza por uma profunda sensibilidade para com os povos amazônicos e por seu impulso a uma Igreja sinodal e missionária.
"Estamos reunidos em Bogotá, na Colômbia, na assembleia da CEAMA, Igreja Eclesial da Amazônia. Refletimos sobre nossa missão, aprofundando a questão da nossa missão e buscamos horizontes comuns para a atuação de nossas igrejas particulares, nossas dioceses, nossas prelazias e nossos vicariatos. É um caminho que estamos percorrendo e que desejamos continuar", disse o cardeal Leonardo Steiner.
O cardeal relatou que durante esta Assembleia Geral "uma nova presidência foi eleita para dar continuidade ao sonho do Papa Francisco de alcançar as igrejas da Amazônia e se tornar uma Igreja eclesial. Queremos levar adiante esse sonho do Papa Francisco, especialmente realizando os quatro sonhos que ele compartilhou conosco na Querida Amazônia. Estamos considerando as questões sociais, culturais e ecológicas, e também, é claro, nossa situação eclesial."
Os vice-presidentes da Ceama
O padre Jesús Huamán Conisilla, do Vicariato Apostólico de Puerto Maldonado (Peru), representa os presbíteros. Com experiência em contextos amazônicos, seu ministério tem sido marcado pela proximidade às comunidades e pelo acompanhamento pastoral em territórios de grande diversidade cultural e social.
Juan Urañavi, do povo guaraya (Bolívia), vinculado ao Vicariato Apostólico de Ñuflo de Chávez, representa os povos indígenas. Com uma vida dedicada ao serviço eclesial e comunitário, sua liderança reúne a sabedoria ancestral e a experiência viva de seu povo. Sua presença na presidência reafirma o protagonismo dos povos originários na vida da Igreja amazônica.
Marva Joy Hawksworth, da Diocese de Georgetown (Guiana), assume a vice-presidência em representação do laicato. Pertencente ao povo Macushi, sua vocação educacional e seu compromisso com a interculturalidade fortalecem os processos formativos na Amazônia, integrando fé, cultura e identidade.
"Estes últimos dias foram muito informativos e interativos. Aprendi muito e participei de tudo o que aconteceu. Foi um período maravilhoso aqui, e hoje fui eleita vice-presidente. Foi uma surpresa para mim, uma surpresa total. Sei que é uma tarefa enorme, uma grande responsabilidade que estou assumindo, mas também sei que não estou sozinha", disse ela.
Seu percurso se concentrou em contextos rurais e indígenas, onde ela promoveu a educação intercultural que fortalece a identidade, a língua e as tradições dos povos indígenas. Seu trabalho pedagógico foi marcado pela integração do conhecimento ancestral com metodologias contemporâneas, gerando processos educativos significativos para as novas gerações.
A Ir. Sônia Maria Pinho de Matos, da Arquidiocese de Manaus (Brasil) e membro da Congregação das Irmãs Adoradoras do Sangue de Cristo, representa a vida religiosa. Com ampla experiência pastoral na Amazônia, seu serviço tem sido marcado pela proximidade às comunidades e por um profundo conhecimento do território, sendo sinal de uma presença profética e comprometida.
Nova presidência: sinal de sinodalidade
Esta nova presidência é um sinal concreto da sinodalidade que a CEAMA promove: uma Igreja que caminha em conjunto, que valoriza a diversidade de dons e que se deixa interpelar pela realidade do território. É também uma expressão viva do sonho de uma Igreja com rosto amazônico, onde a interculturalidade, a participação e a corresponsabilidade são pilares fundamentais.
Neste novo tempo, a CEAMA reafirma seu compromisso com a defesa da vida, a dignidade dos povos e o cuidado da Casa Comum, caminhando ao lado da Amazônia com esperança, fé e profunda convicção missionária.
A Amazônia e a comunicação
O prefeito do Dicastério para a Comunicação, Paolo Ruffini, discursou durante a assembleia, destacando o papel da Igreja na comunicação na Amazônia: "O desafio da comunicação é enorme num sistema midiático global dominado por lógicas comerciais ou geopolíticas que não têm interesse em relatar a crise ecológica e as histórias da Amazônia", afirmou.
"Não devemos confundir a comunicação com a mera difusão de notícias. As notícias são necessárias, mas têm um ciclo muito curto e operam dentro de uma hierarquia editorial que decide o que importa e o que não importa. A história da Amazônia aparece quando há uma catástrofe, quando há uma cúpula, quando um líder indígena é assassinado", afirmou Ruffini.
Ele também convidou a "agir nas plataformas dominantes sem deixar-se colonizar pela lógica do mesmo sistema midiático que marginaliza a Amazônia. A comunicação global eficaz sobre essas questões, ao contrário, exige uma gramática plural de linguagens, cada uma com uma função e um público diferente."
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