Uma pessoa aponta para uma página no site Flightradar 24 que mostra voos civis evitando o espaço aéreo iraniano e iraquiano, em Paris, em 1º de março de 2026. Uma pessoa aponta para uma página no site Flightradar 24 que mostra voos civis evitando o espaço aéreo iraniano e iraquiano, em Paris, em 1º de março de 2026.  (AFP or licensors)

Dom Berardi: diplomacia e oração para esconjurar um "abismo" de violência

O vigário apostólico da Arábia do Norte comenta as "poderosas palavras do Papa" após o ataque israelense-americano ao Irã e o fechamento de igrejas em países da Península Arábica devido ao risco de mísseis. "Sem diálogo, haverá violência e morte."

Francesca Sabatinelli – Cidade do Vaticano

"Esperávamos uma palavra do Papa, uma palavra forte", a palavra de alguém "que conhece nossa situação e, portanto, entende que esses problemas não podem ser resolvidos com violência, mas com diálogo e diplomacia".

Dom Aldo Berardi, vigário apostólico da Arábia do Norte - com jurisdição sobre quatro países do Golfo Pérsico: Bahrein, Kuwait, Catar e Arábia Saudita - fez-se porta-voz dos sentimentos dos fiéis católicos do Vicariato, três milhões no total, que nas últimas horas foram aconselhados a permanecer em casa, como todos os outros cidadãos, e a passar seu domingo longe das paróquias que permaneceram fechadas por razões de segurança", explica Berardi de Awali, onde o vicariato está localizado. "Não podemos correr nenhum risco; destroços de mísseis podem cair sobre as igrejas. Decidimos fechar por alguns dias, esperando que a situação se acalme um pouco mais. É por isso que a palavra do Papa é forte, cheia de sabedoria e encorajamento."

O risco de um 'abismo irreparável'

 

No sábado, dia em que começou o ataque conjunto Israel-Estados Unidos contra o Irã, dom Berardi enviou uma carta aos fiéis, instando-os a seguir as instruções das autoridades, pedindo calma e extrema cautela, e convidando-os a rezar, para evitar o risco de cair naquele "abismo irreparável" temido pelo Papa, que "poderia engolir toda a região".

Se os países do Golfo respondessem aos mísseis iranianos lançados contra eles, incluindo os países que abrigam instalações militares dos Estados Unidos, explica Berardi, "seria catastrófico, uma guerra aberta e um momento terrível para todos. Aqui estamos presos, tudo está fechado, a começar pelos aeroportos; ninguém poderia escapar deste 'abismo' de violência". Somente o diálogo é a única maneira de evitar esse perigo: "Diálogo, diplomacia, respeito mútuo. Mas se entrarmos em uma espiral de violência retaliatória, então ela nunca terminará", dada a complexidade da região, devido às suas influências geopolíticas e econômicas.

Ouvir a voz do Papa

 

Poucos instantes antes de falar com a mídia do Vaticano, um míssil iraniano atravessou o céu acima do Vicariato Apostólico no Bahrein. Ele caiu perto da Catedral de Nossa Senhora da Arábia, sem causar danos, mas provocando um incêndio em uma casa. Por esse motivo, as igrejas permanecerão fechadas para evitar que as pessoas corram riscos. No entanto, elas poderão se unir aos seus sacerdotes, que se reunirão em oração, assim como as religiosas em seus conventos, todos na mesma hora, enquanto o bispo estará na catedral, "para rezar pela paz, com Nossa Senhora da Arábia e Rainha da Paz, pela comunidade católica e por todos os povos do Golfo e dos países que sofrem com essa violência":

Precisamos de oração e de solidariedade espiritual. As palavras do Papa nos fazem sentir unidos à Igreja universal, e todos nós esperamos que sejam ouvidas, que possamos realmente trilhar o caminho do diálogo, porque sem isso haverá violência e morte.

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01 março 2026, 16:07