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O ataque a Erbil, no Curdistão iraquiano O ataque a Erbil, no Curdistão iraquiano 

Ataques no Líbano e Iraque, as Igrejas: cesse a violência e se proteja a dignidade dos povos

Apelo da Assembleia dos Patriarcas e Bispos Católicos Libaneses e da Arquidiocese Caldeia de Erbil para que se deponham as armas e se socorra os deslocados e as minorias, como os cristãos. O arcebispo iraquiano Bashar Warda: “em tempos de guerra, são sempre os marginalizados que mais sofrem”.

Beatrice Guarrera – Vatican News

“A continuação desta espiral de violência ameaça a dignidade da pessoa humana, dom de Deus, e mina os fundamentos da justiça e da estabilidade”. É a preocupação expressa pela Assembleia dos Patriarcas e Bispos Católicos do Líbano em uma nota divulgada nesta quinta-feira (05/03), após a “escalada perigosa” no Oriente Médio, “acompanhada pela morte de vítimas inocentes, pelo deslocamento de famílias e pelo agravamento do sofrimento humanitário”. Ao se unirem a Leão XIV e à sua convicção de que “a violência nunca é a escolha certa”, os líderes das Igrejas no Líbano observam que “a paz não é uma opção secundária ou temporária, mas um dever humano e uma responsabilidade coletiva”. O pedido é, portanto, “a cessação imediata da espiral de violência e o retorno a um diálogo construtivo e a uma ação diplomática responsável, baseada na busca do bem comum dos povos que anseiam por uma vida pacífica fundada na justiça e na dignidade”.

O ataque a Erbil, no Curdistão iraquiano
O ataque a Erbil, no Curdistão iraquiano

Líbano, terra da convivência

Do Líbano, “terra do anúncio e da convivência”, é lançado um apelo “àqueles que detêm a autoridade para assumirem plenamente as suas responsabilidades nacionais, para se empenharem” em proteger o país “dos conflitos regionais, salvaguardar a sua unidade interna e reforçar a paz civil”. À comunidade internacional, os líderes das Igrejas no Líbano pedem, além disso, que façam “todos os esforços possíveis para impedir uma nova escalada de violência e estabelecer soluções justas que salvaguardem os direitos dos povos e protejam a dignidade humana, pois a justiça é o caminho seguro para uma paz sólida e duradoura”. Na nota - assinada pelo patriarca da Cilícia dos armênios católicos, Raphaël Bedros XXI Minassian, pelo patriarca de Antioquia dos greco-melquitas, Youssef Absi, e pelos patriarcas de Antioquia dos sírios, Ignace Youssif III Younan, e de Antioquia dos maronitas, cardeal Béchara Boutros Raï — apela-se também à solidariedade “para com os irmãos e irmãs que permanecem firmes em suas aldeias”. A exortação é para “perseverar na oração fervorosa pela paz no Líbano e no Oriente Médio e pela segurança dos civis inocentes”. Os bispos convidam ainda a acolher “os irmãos e irmãs civis deslocados” com o espírito do Evangelho, “para que o testemunho do amor permaneça mais forte do que a lógica da violência”. Por fim, os prelados elevam a Deus a súplica de “guiar os corações para a reconciliação”, a fim de fortalecer os passos do povo libanês nos caminhos da fraternidade e da harmonia.

Em defesa dos marginalizados de Erbil

Na quarta-feira, a arquidiocese caldeia de Erbil divulgou um comunicado informando sobre um ataque, possivelmente perpetrado por um drone, a edifícios pertencentes à arquidiocese, o complexo de apartamentos Beato Michael McGivney, em Ankawa, na região do Curdistão iraquiano.

 ataque teria ocorrido às 20h locais e não teria causado vítimas, uma vez que o edifício havia sido em grande parte evacuado, devido à sua proximidade com o aeroporto internacional da cidade. O mesmo teria ocorrido com o convento vizinho das Filhas Caldeias de Maria Imaculada, que sofreu danos devido ao ataque. “Em tempos de guerra”, lembrou o arcebispo Bashar Warda, “são sempre os marginalizados os que mais sofrem”. De fato, a “McGivney House”, como é conhecida localmente, foi financiada inteiramente por doações das organizações beneficentes dos Cavaleiros de Colombo, para servir de refúgio às famílias cristãs deslocadas durante a guerra do IS, de 2014 a 2018. O arcebispo exortou, portanto, “o mundo a lembrar e rezar pelas numerosas pessoas marginalizadas no Iraque, incluindo a pequena e ainda ameaçada minoria cristã, que luta para permanecer em sua terra natal”. A esperança, conclui, é que estes tempos de violência e guerra terminem, “para que o nosso povo sofredor possa ainda ter a possibilidade de regressar a uma vida de paz e dignidade. Estamos profundamente preocupados com o facto de o nosso tempo estar a esgotar-se”.

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06 março 2026, 10:22