A exemplo de São José, Deus pega o nosso sonho na mão e o faz ainda maior
Pe. Maicon A. Malacarne*
O sonho de José de casar-se com Maria, de constituir uma família, de pensar todos os passos de um futuro linear e calculado encontrou um paradoxo, uma fronteira inimaginável: Maria estava grávida antes do casamento. As peças do tabuleiro foram todas derrubadas. Acontece que, na vida de José, como na nossa, Deus pega o nosso sonho na mão e faz o sonho ser ainda maior.
José não só permaneceu ao lado de Maria, viveu a vida com ela, mas também se tornou o pai adotivo do Filho de Deus, o pai adotivo do Salvador da humanidade. Nossos sonhos são pequenos demais. A “bagunça” de Deus, que nem sempre entendemos, quer nos ajudar a alargar as nossas experiências, a dilatar o nosso coração em vista de coisas mais largas, de uma vida do tamanho do sonho de Deus. Entender isso é difícil.
O esposo de Maria é chamado a amar em uma intensidade maior. Essa é a vocação mais bonita da humanidade: quando aquilo que sou, com todas as contradições, com todos os sofrimentos, é uma descoberta e uma oportunidade para viver o sonho de Deus na minha vida. Tudo o que acontece é uma oportunidade para amar e para que o amor oriente a nossa vida.
O doutor da Igreja São John Henry Newman, com a sua mística e poesia, dá voz a nossa oração nesse dia solene de São José:
Luz terna, suave, no meio da noite,
Leva-me mais longe...
Não tenho aqui morada permanente:
Leva-me mais longe...
Que importa se é tão longe para mim
A praia onde tenho de chegar
Se sobre mim levar constantemente
Poisada a clara luz do teu olhar? (…)
Se Tu me dás a mão, não terei medo,
Meus passos serão firmes no andar.
Luz terna, suave, leva-me mais longe:
Basta-me um passo para a ti chegar!
* professor de Teologia Moral e pároco da Paróquia São Cristóvão - diocese de Erexim/RS
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