Prof. Thomas Bienvenu Tchoungui e prof. Mirosław Kalinowski. Prof. Thomas Bienvenu Tchoungui e prof. Mirosław Kalinowski.  

A Universidade Católica nos Camarões amplia a cooperação com a Europa

A educação católica como instrumento de mudança social e construção da comunidade é a experiência à qual a Universidade Católica da África Central nos Camarões (UCAC) pretende recorrer, assinando um acordo de cooperação com a Universidade Católica João Paulo II de Lublin (KUL), uma das maiores universidades católicas da Europa. O acordo, que envolve estudantes de vários países africanos, foi assinado em Yaoundé, capital dos Camarões.

Monika Stojowska, Wojciech Rogacin – Vatican News

A troca de experiências nas áreas científica, cultural e social entre dois importantes centros acadêmicos católicos é o resultado do acordo assinado em fevereiro entre a Universidade Católica da África Central, nos Camarões, e a Universidade Católica João Paulo II de Lublin, na Polônia.

Um acordo que envolve muitos países da África e da Europa

O acordo foi assinado pelos respectivos reitores: Thomas Bienvenu Tchoungui, da UCAC, e Mirosław Kalinowski, da KUL. Devido à extensão acadêmica da Universidade Católica da África Central, o acordo abrange, além dos Camarões, também o Chade, o Gabão, a Guiné, o Congo e a República Centro-Africana. A universidade católica na Polônia forma estudantes da Polônia e de outros 45 países, principalmente europeus: Ucrânia, Bielorrússia e Espanha, bem como um numeroso grupo de estudantes dos países da Ásia Central e dos Estados Unidos.

Portanto, destacou o professor Mirosław Kalinowski, a cooperação com a Universidade de Yaoundé vai muito além das fronteiras da Europa Central e Oriental e da África Central. “A prioridade não é apenas o conhecimento, mas também a formação espiritual, que responde aos desafios do mundo contemporâneo”, afirmou o reitor da KUL.

Uma abordagem existencial africana aos desafios sociais

O acordo é fruto de um encontro e de conversas entre os dois reitores, ocorridos no Vaticano há alguns meses. Ambas as universidades veem neste intercâmbio intercontinental uma oportunidade para aprofundar a sua experiência e procurar soluções comuns para os desafios contemporâneos. Isso poderá ser concretizado através do intercâmbio de estudantes e pessoal acadêmico.

A UCAC é uma universidade com mais de trinta anos de tradição, fundada pelas Conferências Episcopais da África Central. Há anos forma líderes e especialistas que, em seus países, se colocam a serviço da Igreja e da sociedade. Oferece programas em teologia, filosofia, ciências sociais, direito e ciências da saúde, respondendo assim às necessidades de desenvolvimento local. No centro de sua missão estão sempre a pessoa humana e sua dignidade.

A UCAC colabora há muitos anos com universidades da Europa Ocidental. Este novo acordo amplia essa cooperação para outra área do continente.

A Universidade Católica João Paulo II de Lublin tem uma tradição de mais de 100 anos; entre seus professores estava também Karol Wojtyła antes de se tornar Papa, e forma quase 10 mil estudantes, desenvolvendo dinamicamente seus programas de pesquisa e ensino a nível internacional. A parceria com a universidade africana representa agora uma oportunidade de crescimento adicional. “Acima de tudo”, acrescentou o professor Kalinowski, “ela permite a integração da experiência acadêmica europeia, particularmente nas ciências humanas e sociais, com a abordagem existencial africana para a compreensão da realidade e a resposta aos desafios sociais concretos”.

Instrumentos para construir comunidades e promover mudanças sociais

“A experiência da KUL no diálogo intercultural, na ecologia humanística, na ética pública e na teoria e prática da educação pode encontrar uma aplicação criativa no contexto africano da UCAC, onde a educação é também uma ferramenta de mudança social e de construção da comunidade”, explica o reitor da KUL.

A UCAC também traz para a parceria a experiência de seus alunos e professores, bem como sua visão sobre os processos globais que muitas vezes são negligenciados na Europa, especialmente onde a vida religiosa e social se entrelaça com os desafios existenciais do dia a dia.

Cooperação em migração, ética e inteligência artificial

Além disso, a cooperação entre as universidades insere-se na visão global da Igreja como uma comunidade de universidades que não competem entre si, mas se apoiam mutuamente na realização da função missionária da educação. “No âmbito do diálogo intercontinental, podemos desenvolver e criar programas de pesquisa e ensino relacionados com as migrações, as mudanças culturais ou dedicados às questões éticas na era da tecnologia e da inteligência artificial”, concluiu o Rev. Prof. Mirosław Kalinowski.

Obrigado por ter lido este artigo. Se quiser se manter atualizado, assine a nossa newsletter clicando aqui e se inscreva no nosso canal do WhatsApp acessando aqui

13 fevereiro 2026, 14:21