Bispo de Kiev: o pior inverno desde o início da guerra

"O mundo, a Itália e seus fiéis, que nos ajudaram nestes anos, não devem se esquecer de nós, porque a situação é crítica. Os russos estão fazendo o que fizeram no genocídio da década de 1930: chumbo e gelo", recorda dom Vitalii Kryvytskyi em seu apelo por solidariedade.

Vatican News

"Este é o pior inverno desde o início do conflito. A gasolina para geradores está acabando e as pessoas estão morrendo de frio, não apenas por causa da guerra. O mundo, a Itália e seus fiéis, que nos ajudaram nestes anos, não devem se esquecer de nós, porque a situação é crítica. Os russos estão fazendo o que fizeram no genocídio da década de 1930: chumbo e gelo."

O apelo à solidariedade é do bispo de Kiev, dom Vitalii Kryvytskyi, em entrevista ao Resto del Carlino, jornal diário com sede na cidade de Bolonha e um dos jornais mais antigos da Itália. Agora, após a trégua, "esperamos um ataque significativo à cidade. Isso já aconteceu no passado, depois de dias sem ataques", afirmou.

Para o prelado, "a paz não pode ser separada da justiça. Se se chegar a um Donbass russo, a Ucrânia simplesmente cederia às exigências de um terrorista. Teríamos apenas um conflito congelado." Embora tenha fé na segunda reunião trilateral de quarta-feira entre ucranianos, russos e estadunidenses, "não conhecemos os detalhes desses encontros", observou. "Portanto, não sabemos se darão frutos."

Fim da "trégua"

 

A "trégua energética" chegou ao fim e a Rússia está novamente atacando a infraestrutura energética da Ucrânia. Os bombardeios causaram apagões em diversas regiões, afirmou o vice-ministro da Energia ucraniano, Artem Nekrasov, durante uma coletiva de imprensa, conforme relatado pela RBC-Ucrânia. "Como resultado dos ataques inimigos à infraestrutura energética, consumidores nas regiões de Kharkiv, Sumy, Dnipropetrovsk e Cherkasy ficaram sem energia elétrica", afirmou ele. "Trabalhos de restauração estão em andamento nas usinas danificadas pelos ataques inimigos." "Devido às condições climáticas adversas, mais de 160 localidades nas regiões de Odessa, Mykolaiv e Kirovohrad permanecem sem energia elétrica", acrescentou Nekrasov.

Já na região de Dnipropetrovsk, uma empresa de carvão foi atacada pela segunda vez e seus prédios administrativos foram danificados. "Pela segunda vez em um dia, a Rússia atacou a empresa de carvão Dtek, na região de Dnipropetrovsk. O ataque danificou os prédios administrativos da empresa", diz o relatório. Especialistas em energia lembraram que, na tarde de domingo, a Rússia atacou um ônibus de mineração, matando 15 pessoas. Outras 16 pessoas ficaram feridas, nove delas fatalmente.

Mas o terrorismo russo não é apenas contra a infraestrutura energética para tentar dobrar a resistência dos ucranianos. Os ataques são também contra a logística, especialmente a infraestrutura ferroviária, como registrado na região de Dnipro e em Zaporizhia.

Somente em janeiro, 12.000 bombas, drones e mísseis russos contra a Ucrânia

 

"Trabalhos de reparo estão em andamento em muitas regiões da Ucrânia para restaurar a infraestrutura crítica. Somente em janeiro, a Rússia lançou mais de 6.000 drones de ataque, aproximadamente 5.500 bombas aéreas guiadas e 158 mísseis de vários tipos contra nós", escreveu o presidente ucraniano Volodymyr Zelensky no X. "Praticamente todos os ataques tiveram como alvo o setor de energia, ferrovias e nossa infraestrutura: tudo o que sustenta a vida normal." 

"Os ataques continuam. Na última semana, a Rússia usou mais de 980 drones de ataque, quase 1.100 bombas aéreas guiadas e dois mísseis contra a Ucrânia. Estamos testemunhando tentativas russas de interromper a logística e a conectividade entre cidades e comunidades. É precisamente por isso que a necessidade de proteger o espaço aéreo persiste. Mísseis para Patriots, Nasams, F-16s e outras plataformas são necessários todos os dias", enfatizou.

 

 

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02 fevereiro 2026, 11:30