Membros do grupo de narcotraficantes Cartel de Jalisco Nueva Generación Membros do grupo de narcotraficantes Cartel de Jalisco Nueva Generación 

México, sacerdote contra chefões: "Política e sociedade infectadas pelo narcotráfico"

Depois da violência que eclodiu após o assassinato do chefe do tráfico de drogas "El Mencho", o país tenta encontrar uma nova normalidade e intensificar a luta contra o crime organizado. Sergio Omar Sotelo Aguilar, diretor do Centro Católico Multimídia: "As gangues do narcotráfico se fortaleceram de forma inédita, seu poder é tal que existem Estados que são praticamente governados pelos cartéis". A Igreja na linha de frente para combater a ilegalidade.

Federico Piana – Vatican News

Embora o governador do Estado de Jalisco, Pablo Lemus, tenha suspendido o toque de recolher e a paralisação de todas as atividades no final da noite de terça-feira (24/02), após a violência que eclodiu no último domingo no Estado e em outras cidades do país, na sequência da morte de Nemesio Oseguera Cervantes, chefe incontestável do Cartel Jalisco Nueva Generación, uma das maiores organizações de narcotráfico do mundo, pelas forças de segurança, isso não significa que a normalidade tenha retornado ao México. Muito pelo contrário. Para entender isso, basta observar o porto de Puerto Vallarta, em Jalisco, onde na última terça-feira o navio Usumacinta da Marinha desembarcou 103 soldados de infantaria e diversos veículos blindados pesados: o objetivo declarado é reforçar a segurança na costa do Pacífico.

Outros estados atingidos

Além disso, ataques, bombardeios e tiroteios se multiplicaram nos últimos dias em outros Estados: Michoacán, Guanajuato, Zacatecas e algumas áreas densamente povoadas do Estado do México. Essa epidemia de violência, segundo os últimos relatórios, resultou na morte de 25 membros do Exército e da Guarda Nacional e de 70 membros do cartel criminoso.

O compromisso do Governo

"Como tudo isso pôde acontecer? Em primeiro lugar, porque o Cartel Jalisco Nueva Generación, liderado por Osegura Cervantes, apelidado de "El Mencho", estendeu seu poder a 21 Estados do país e 70 nações do mundo", explicou o padre Sergio Omar Sotelo Aguilar, sacerdote, jornalista e diretor do Centro Multimídia Católico, à mídia vaticana. Ele está engajado há anos na luta contra o crime organizado e a corrupção, o que resultou em ameaças e ataques dos chefes do narcotráfico. "Há muito tempo", acrescentou, "o Governo Federal tem lutado para conter o avanço e o fortalecimento das organizações criminosas, mas seu poder corrupto também conseguiu se infiltrar em algumas administrações políticas e outros órgãos públicos."

Pressão da sociedade civil

Nos últimos anos, garante o sacerdote, a pressão da opinião pública e do governo dos Estados Unidos revigorou o combate à ilegalidade, levando a operações de grande escala, como a que resultou na eliminação de "El Mencho". Mas ainda não é suficiente: "O crime organizado se reforçou incrivelmente; seu poder é tamanho que existem Estados praticamente governados por cartéis. O poder militar e econômico do narcotráfico gerou suas próprias normas de governança, suas próprias estruturas econômicas e impôs uma cultura que promove o narcotráfico como um estilo de vida."

Envolvimento da Igreja

A narcoeconomia, a narcopolítica e a narcocultura que permeiam amplos setores da vida social comunitária, não pouparam nem mesmo a Igreja local. "Isso se demonstra", recorda o padre Sotelo Aguilar, "pelo aumento dos ataques contra pessoas próximas à Igreja, suas paróquias e suas estruturas. Contudo, hoje mais do que nunca, a ação pastoral é mais forte e coerente com a proclamação do Evangelho. Certamente, existe o temor da violência, mas também existe uma fé inabalável que impulsiona e fortalece os processos pastorais."

Ações concretas

Um exemplo concreto desse amplo compromisso são os "Diálogos pela paz", um movimento que nasceu de instituições eclesiásticas e da sociedade civil, cujo objetivo é instar a opinião pública a encontrar caminhos para a coesão e a paz. "Da mesma forma, organizações como o Centro Multimídia Católico, do qual sou diretor, vêm destacando há anos o fenômeno da violência, particularmente contra membros da Igreja, com o objetivo de conscientizar sobre um fenômeno que tem prejudicado a sociedade como um todo e que precisa ser erradicado. Por sua vez, a Conferência Episcopal Mexicana, por meio de comunicados e mensagens, começou a denunciar, de forma muito direta, os terríveis danos causados ​​pelo narcotráfico e pelo crime organizado."

Perigos evidentes

Mas o padre Sotelo Aguillar também está ciente de outra verdade incontestável: "Meu país se tornou um lugar perigoso para jornalistas e sacerdotes, assim como para aqueles que lutam pelos direitos humanos. Como sacerdote e jornalista, tenho um grande desafio: falar e levar a todos a caridade da verdade, a verdade que liberta e dá dignidade. Lutar por um México livre, pacífico e justo será sempre um privilégio para mim, pelo qual vale a pena dar a vida."

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25 fevereiro 2026, 15:32