O discernimento cristão para bem articular a fé e a cidadania
Dom Roberto Francisco Ferreria Paz - Bispo de Campos (RJ)
O caminhar juntos para fazer história, reinventar caminhos e frequentar o futuro, passa como dizia bem o Papa Francisco no discurso de abertura do Sínodo da juventude no 03 de outubro de 2018, pelo compromisso e atuação com responsabilidade e discernimento.
O discernimento cristão é um exercício exigente da virtude da prudência, que sob a guia do Espírito Santo permite descortinar nas crises as oportunidades e abrirmo-nos para buscar saídas, soluções para os desafios e gargalos da nossa realidade atual.
Como superar a crise de representação ( a sub representação dos trabalhadores, das mulheres, dos negros, dos indígenas, das pessoas com deficiências e outras populações ), a confiança na classe dirigente, nos partidos existentes que funcionam mais como consórcios eleitorais, no desencanto na política? É hora como afirmavam Dom Carlo Maria Card. Martini e o teólogo Enzo Bianchi no seu livro Parola e Politica, na companhia de todos os homens e mulheres de boa vontade de anunciar a Palavra da Cruz, a Palavra profética, que na parresia (audácia do Espírito) convida a demolir a lógica da inimizade com suas variantes: necropolítica, política do ódio, da guerra contra todos, para edificar a Paz desarmada e desarmante apregoada pelo Papa Leão XIV. Reconstruir a amizade social, o diálogo paciente e o consenso em torno a valores permanentes que façam acontecer e surgir uma nova geração de cidadãos e líderes, que vivam a nobreza política e como ensinava São Paulo na Epístola aos Romanos cidadãos que sejam irrepreensíveis e íntegros. Discernimento que nos permita libertar-nos da ameaça das Big Techs, plataformas geradoras de desinformação, falsidades, fake news e deep news,que confundem, intimidam e distorcem propostas, difamam candidatos e disseminam o medo. Desmascarar as idolatrias, do mercado autorregulável e intocável, do Estado patrimonialista e leiloado, do mito das armas, do licenciamento que destrói os biomas e a diversidade ambiental, do lucro descabido e dos juros perversos, das emendas descontroladas e particularistas.
Não perder o foco do essencial, construir e defender um projeto de Nação, desenvolvimento integral, solidário inclusivo e sustentável, democracia e Estado social de Direito, sem admissão de práticas golpistas, da corrupção escancarada e do câncer do crime organizado.
Não esquecer as três palavras ou lema do Papa Francisco em Cochabamba Bolívia, Terra teto e trabalho para todos/as, especialmente neste ano assumir como critério de escolha, o tema da moradia digna e decente para todas as famílias.
Pensando no bem comum e na cidadania plena para os pobres, vencendo o medo com a esperança cristã, abriremos caminho. Deus seja louvado!
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