A Igreja como mistério de comunhão e sinal de unidade
Robson Ribeiro - Teólogo, Filosofo e Historiador
Na audiência geral, do dia 18 de fevereiro de 2026, o Papa Leão XIV prosseguiu com o ciclo de catequeses sobre os documentos do Concílio Vaticano II, em especial a Constituição Dogmática Lumen Gentium, esse documento reflete sobre a identidade e a missão da Igreja no mundo contemporâneo.
O Papa retoma um dos eixos centrais da Lumen Gentium: a Igreja não pode ser compreendida apenas como uma organização humana ou uma estrutura institucional, mas como um mistério, isto é, uma realidade que nasce do desígnio de Deus e se manifesta na história por meio de Cristo.
Esse mistério não é algo obscuro ou distante, mas uma presença viva, acessível à fé, que se expressa na comunhão e na vida concreta do povo de Deus. A Igreja torna visível a ação salvadora de Deus no mundo, sendo chamada a refletir, de modo histórico e comunitário, a iniciativa divina que reúne a humanidade em Cristo.
Ao defini-la como sacramento, o Concílio afirma que a Igreja é sinal eficaz da graça: ela não apenas aponta para a salvação, mas participa ativamente de sua realização. Ao mesmo tempo, é instrumento da união com Deus e da unidade de todo o gênero humano, assumindo uma missão que ultrapassa fronteiras culturais, sociais e geográficas.
Uma resposta à fragmentação do mundo atual
A reflexão de Leão XIV dialoga diretamente com a condição da humanidade contemporânea, marcada por profundas divisões, polarizações e rupturas que atingem tanto o tecido social quanto o espiritual.
Diante desse cenário, o Papa recorda que o desejo de unidade, inscrito no coração humano, não encontra resposta plena em soluções meramente humanas. O verdadeiro princípio de comunhão nasce da Páscoa de Cristo — sua morte e ressurreição — que inaugura uma nova possibilidade de reconciliação entre Deus e a humanidade.
A Igreja, enquanto ekklesia, isto é, assembleia convocada por Deus, torna-se o espaço onde essa unidade pode ser experimentada e testemunhada. Sua vocação é ser sinal de esperança, mostrando que a comunhão é possível mesmo em meio às diferenças, e que a divisão não tem a última palavra.
A catequese do dia 18/02/26 conduz a implicações concretas para a vida e a missão da Igreja hoje:
Identidade missionária: compreender a Igreja como sacramento e instrumento significa reconhecer que ela existe para servir e ir ao encontro do outro. Sua identidade está intrinsecamente ligada à missão.
Unidade na diversidade: a unidade proposta pela fé cristã não é uniformidade, mas comunhão. A diversidade de dons, culturas e experiências é acolhida e integrada numa caminhada comum, orientada pelo Evangelho da paz.
Compromisso com a reconciliação: num mundo ferido por conflitos, desigualdades e exclusões, a Igreja é chamada a ser presença ativa de reconciliação, promovendo o diálogo, a justiça e a dignidade humana.
Ao retomar a Lumen Gentium, Leão XIV evidencia a permanente atualidade do Concílio Vaticano II. Longe de ser apenas um marco histórico, seus ensinamentos continuam a oferecer critérios sólidos para compreender a Igreja e orientar sua ação no contexto atual.
A releitura conciliar proposta pelo Papa não é nostálgica nem meramente doutrinal, mas profundamente pastoral: convida a Igreja a renovar continuamente sua consciência de ser sinal da presença de Deus no mundo e instrumento de comunhão entre os povos.
A temática central que emerge dessa audiência é clara: a Igreja, nascida do mistério de Deus, é chamada a tornar visível, no tempo presente, a possibilidade da unidade e da reconciliação. Em um mundo fragmentado, sua missão não é fechar-se em si mesma, mas ser fermento de comunhão, testemunhando que a fé cristã é, essencialmente, um caminho de encontro, esperança e vida partilhada.
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