Shevchuk da Igreja Greco-Católica Ucraniana: uma comunhão perfeita no Brasil
Andressa Collet - Vatican News
O líder da Igreja Greco-Católica Ucraniana, o arcebispo-maior de Kiev-Halyč Sviatoslav Shevchuk, esteve em Roma nesta semana. Na manhã de quinta-feira (26/02), por exemplo, conversou com os jornalistas da Rádio Vaticano - Vatican News sobre o contexto da invasão russa em grande escala na Ucrânia - que já dura 4 anos - e à tarde participou da apresentação das novas emissões dos Correios do Vaticano dedicadas à Igreja Greco-Católica Ucraniana na Sala de Conferências dos Museus do Vaticano. Antes de vir à Itália, porém, Shevchuk, esteve no Brasil para participar do Sínodo Permanente realizado de 15 a 22 de fevereiro, no Paraná: começou em Curitiba com a celebração da Divina Liturgia na Arquicatedral São João Batista e cinco sessões, com seguimento de outras cinco sessões em Prudentópolis, cidade brasileira com 75% da população descendente de ucranianos. De fato, o evento eclesial e espiritual também foi realizado em pleno ano comemorativo aos 135 anos da chegada dos primeiros ucranianos ao Brasil - um dos quatro países no mundo com maior população de imigrantes da Ucrânia.
O Sínodo Permanente é um órgão consultivo composto por bispos que atuam em nome do Sínodo dos Bispos da Igreja Greco-Católica Ucraniana, auxiliando Shevchuk, na condução pastoral e administrativa da Igreja "para fortalecer a comunhão, sobretudo no contexto de guerra que vivemos, e escutar a todos para construir a Igreja, Povo de Deus", comentou o próprio arcebispo-maior em entrevista à imprensa local. O organismo é regido pelo Código de Cânones das Igrejas Orientais e por estatutos próprios, reunindo-se, normalmente, duas vezes por ano em diferentes sedes episcopais.
Nesta edição, além do arcebispo-maior, participam bispos provenientes de diversas regiões do mundo, representando a dimensão internacional da Igreja Greco-Católica Ucraniana. O objetivo do encontro é tratar de temas pastorais, administrativos e eclesiais, bem como conhecer a realidade local das comunidades onde o Sínodo acontece, com o objetivo de preparação ao Sínodo Geral que será realizado em julho, na Ucrânia.
O Sínodo Permanente entre Curitiba e Prudentópolis
A celebração de abertura em Curitiba, que durou três horas, reuniu um grande número de fiéis, clero e autoridades eclesiásticas do Brasil e do exterior acolhidos tanto dentro da arquicatedral como num espaço externo com telão montado para a ocasião. Além de Shevchuk, estavam presentes o metropolita, dom Volodemer Koubetch, e o bispo eparca, dom Meron Mazur. Também participaram o arcebispo metropolitano de Curitiba, dom José Antônio Peruzzo, bispos de diversos países, o clero da Metropolia São João Batista de Curitiba e da Eparquia Imaculada Conceição de Prudentópolis, religiosos, religiosas e uma expressiva participação de leigos da comunidade.
O Sínodo Permanente seguiu em Curitiba até o dia 18 de fevereiro, com encontros e celebrações envolvendo o clero, religiosos, religiosas e leigos da metropolia. A partir do dia seguinte, 19 de fevereiro, até o final do evento eclesial as atividades foram realizadas em Prudentópolis. Ao longo dos dias, os membros do Sínodo procuraram fortalecer a comunhão e a unidade da Igreja Greco-Católica Ucraniana no Brasil com a Igreja na Ucrânia, especialmente neste tempo marcado pelos desafios da guerra e pela vivência concreta da sinodalidade.
O arcebispo-mor de Kiev, Ucrânia, Sviatoslav Shevchuk, líder da Igreja Greco-Católica Ucraniana, agradeceu a “solidariedade do povo brasileiro e da Igreja Católica no Brasil com a Ucrânia, pelas ajudas humanitárias que recebemos por meio da Cáritas Brasileira”:
“Vivemos um momento de graça porque aqui no Brasil a Igreja Católica Ucraniana e a Igreja Católica de rito latino vivem em uma comunhão perfeita, em comunhão com o Papa, o Santo Padre, mas também em comunhão com a Igreja-mãe na Ucrânia. Isso é uma imagem da Igreja católica nos dias de hoje: que é uma unidade na diversidade. Somos católicos com tradições diferentes, bizantina, latina, no entanto, o Santo Padre nos faz filhos e filhas da mesma Igreja católica de Cristo.”
Colaboração: Karina de Carvalho Nadal – CNBB Sul 2
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