2026.02.10 Mons Saba Ordinario militare per l'Italia - Volo umanitario

Dom Saba: os capelães militares, guardiões da esperança

O arcebispo dos militares encontra a mídia vaticana por ocasião dos 100 anos do Ordinariado Militar para a Itália: queremos oferecer um testemunho de proximidade evangélica tanto nas dinâmicas comuns do serviço quanto, em particular, nos momentos mais dramáticos da história "ao lado dos mortos, dos feridos, dos prisioneiros e dos que sofrem"

Luca Collodi - Vatican News

A Igreja dedicada à assistência espiritual aos militares celebra o seu centenário. O Ordinariado Militar para a Itália foi instituído pelo Decreto da Congregação para os Bispos em 6 de março de 1925 e, posteriormente, reconhecido pelo Estado italiano pela Lei nº 417, de 11 de março de 1926. Ao longo dos anos, a sua identidade eclesial amadureceu progressivamente até encontrar expressão na Constituição Apostólica Spirituali militum curae, de 21 de abril de 1986, de São João Paulo II. Com este ato, o Ordinariado Militar é reconhecido como Igreja particular, chamada a oferecer o cuidado pastoral a mulheres e homens empenhados no serviço ao bem comum, com uma identidade pastoral e institucional e uma referência estável para a assistência espiritual daqueles que estão comprometidos no serviço das Forças Armadas e na tutela da paz. "A Constituição Apostólica Spirituali Militum Curae, explica dom Gian Franco Saba, arcebispo Ordinário Militar para a Itália, expressa a atitude da Igreja para promover o cuidado espiritual dos militares. Nela encontra-se a síntese do desenvolvimento da teologia do Concílio Vaticano II e do novo Código de Direito Canônico". "O texto da Constituição Apostólica de São João Paulo II inicia retomando o número 18 do Decreto conciliar Christus Dominus, onde se solicitava uma exigência peculiar para com os fiéis que, pelas condições de vida, não podem usufruir do cuidado pastoral ordinário dos párocos. E, entre estas categorias, eram recordados os militares".

A diocese do Ordinariato Militar

 

"A exigência pastoral, é a de promover a 'salus animarum' (salvação das almas), de evangelizar a todos e de nunca deixar faltar a proximidade da Igreja". "São João Paulo II”, prossegue o arcebispo Saba, “quis colocar em relevo, através da Spirituali militum curae, precisamente o cuidado e a solicitude apostólica de modo que a diocese — o Ordinariato Militar é equiparado a qualquer outra diocese — pudesse se organizar de modo peculiar, considerando as circunstâncias especiais; circunstâncias nas quais se encontram os militares e as suas famílias”. "Não se trata do cuidado de um único fiel, mas de uma comunidade humana. E este é um aspecto muito importante, pois faz parte de uma visão eclesiológica do Povo de Deus". "O Povo de Deus, para usar uma expressão do Papa Francisco, é um povo de muitos rostos. E na Evangelii gaudium, o Papa pede que, em nível pastoral, se encontrem todas as formas para que a Igreja cuide deste povo de muitos rostos, o que não é uma expressão poética, mas indica as situações reais e concretas dos fiéis". "O magistério da Igreja, além disso, viu nos militares, segundo a expressão da Gaudium et spes (número 79), os ministros da segurança e da liberdade dos povos, e é por isso que a Constituição Apostólica fala de 'ministerium pacis inter arma' (ministério da paz entre as armas)".

A arte de formar para a justiça e a liberdade

 

"Recentemente — observa o prelado — dirigindo-se ao Ordinariado Militar da Polônia, o Papa Leão indicou na missão dos Ordinariados Militares a tarefa de anunciar o Evangelho e formar as consciências. Substancialmente, formar as consciências é uma tarefa árdua, uma arte. Os Padres da Igreja falariam de modo especial daqueles homens e daquelas mulheres encarregados de promover o bem comum. O militar, por definição, não pode, de fato, ser associado à guerra. Esta devemos vê-la sempre como a última razão, como a última possibilidade". "Trata-se de homens e mulheres preparados para favorecer a estabilidade, a justiça, a segurança, a liberdade — os valores inalienáveis da pessoa humana, como teria dito São João Paulo II. Estes valores inalienáveis, em abstrato, podemos considerá-los como valores já adquiridos. Mas, na prática, eles fazem parte do desenvolvimento de uma cultura. E também aqui, em linha com o que São Paulo VI já nos dizia na Evangelii Nuntiandi, o drama do nosso tempo é a fratura entre o Evangelho e a cultura". "O Papa Francisco na Evangelii gaudium nos recorda que o Evangelho supõe a cultura não apenas como um fato comunitário de um povo, mas também como a vida de um indivíduo, seu sistema de pensamento, seu sistema ético, como o sistema que impele à ação segundo uma visão da existência. Portanto, a assistência espiritual implica a visão integral do homem que, em certos momentos, é material e, em outros momentos, é espiritual — uma conotação, esta, própria do ser humano".

O papel dos capelães militares

 

Dom Saba detém-se, em seguida, sobre o papel do capelão militar que é o de, reitera, "ser sinal e instrumento da íntima união entre Deus e o gênero humano. E dentro desta ação de testemunho evangélico — prossegue — desempenham a sua ação missionária, que não é proselitismo ou doutrinação das consciências, mas que se desenvolve através da proximidade, da escuta, da reflexão e da promoção da cultura. Não é outra coisa senão uma ação de anúncio do Evangelho a todos, em todos os lugares e em todas as ocasiões. Sem demora, sem repulsas e sem medo". "São as expressões da Evangelii gaudium que o Papa Leão, em 5 de outubro de 2025, retomou no Jubileu para o mundo missionário e dos migrantes. Exortando a fazer com que a obra de Cristo continue a ser anunciada nas periferias do mundo, sublinhava o Papa, marcadas pela guerra, pela injustiça e pelo sofrimento. O capelão, no mundo militar e com outros fiéis, é frequentemente chamado a acolher essa escuta sobre situações concretas, sobre o sentido da história e da existência. No comentário à Dei Verbum — abordado em uma das recentes catequeses das quartas-feiras — Leão XIV destacou que a missão é um diálogo de amor, é um diálogo de amizade entre Deus e o homem. É aqui que o capelão se torna um sinal sacramental desta presença, da amizade de Deus, do amor de Deus, da proximidade de Deus. Há também — sublinha o Ordinário Militar — uma dimensão cultural que é relevante, porque o anúncio do Evangelho desenvolve a cultura, purifica-a de tudo o que não é plenamente humano e conforme ao projeto de Deus. O capelão tem a possibilidade de intervir em um processo de liderança e é dentro de uma liderança que pode favorecer uma reflexão por parte de jovens em formação ou de futuros oficiais e comandantes, levando em conta todas as dimensões da pessoa humana".

A promoção da paz

 

Além disso, o Concílio "recorda que a promoção da paz não pode ser deixada ao acaso. Não é fruto — sublinha dom Saba — da espontaneidade das situações, mas exige uma formação". "Acredito que a Igreja do Ordinariado Militar possa ser um laboratório de paz, como destaca o Papa Leão, convidando as nossas igrejas a tornarem-se, todas, um laboratório de paz para levar Cristo às veias da humanidade". Trata-se, continua o prelado, de uma "realidade concreta dentro da qual a formação das consciências educa para os processos de construção da paz: o Evangelho, quando fala dos construtores da paz, não se refere simplesmente aos promotores da paz, mas aos construtores da paz". "Podemos dizer que a paz é como uma estrutura arquitetônica que precisa de pinturas, pilares e arquiteturas que resistam aos impactos do coração do homem". E a construção da paz, afirma o Ordinário Militar, "nasce daquela capacidade de desarmar as palavras e as ações; mas, como nos recorda ainda o Santo Padre, isto é fruto do coração desarmado". Por isso, destaca dom Saba, "acredito que a formação da interioridade, a via da interioridade, seja um posto avançado importante. O outro aspecto é que, precisamente sobre estas dimensões do bem comum, o Ordinariado é uma realidade que pode dialogar com a sociedade civil no pleno respeito à laicidade do Estado, mas também na promoção daquela que é a esfera de um dos direitos fundamentais da pessoa humana: a esfera da sua liberdade religiosa”. E isto, conclui o prelado, favorece também a possibilidade de “cultivar o próprio credo dentro das profissões, dos ambientes de vida. Isto não é um privilégio, mas um fato de civilidade. Quando um Estado, quando uma estrutura política deixa a pessoa humana livre, fiel ao próprio credo, isto é um ato de civilidade".

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28 fevereiro 2026, 09:28