Migrantes, dom Perego: mais mortes no mar em meio ao desinteresse da Europa
Beatrice Guarrera – Vatican News
"Mais mortes em meio ao desinteresse da Europa." O arcebispo Gian Carlo Perego, presidente da Comissão para a Migração da Conferência Episcopal Italiana (CEI) e da Fundação Migrantes, comentou a notícia de mais um naufrágio no Mediterrâneo, envolvendo uma embarcação que partiu da Líbia na última quinta-feira. O trágico saldo é de um sobrevivente e 50 desaparecidos. "Mulheres, homens e crianças", enfatizou o prelado, "que jamais terão um nome ou um rosto."
18 pessoas resgatadas
Segundo o sobrevivente, que está hospitalizado em Malta, o barco virou no segundo dia no mar, e o homem se salvou agarrando-se a um pedaço dos destroços. Na noite de sexta-feira, iniciou-se uma busca pelos desaparecidos, inclusive a partir de Lampedusa, mas até agora sem resultados. No sábado à noite, a equipe Sea-Watch 5 resgatou 18 pessoas — incluindo duas crianças pequenas — que estavam num pequeno barco em dificuldades no Estreito da Sicília. A embarcação deve chegar ao porto de Catânia.
"Onde está seu irmão?"
Enquanto isso, o Alarm Phone vem relatando há dias o desaparecimento de três barcos que partiram da Tunísia, transportando aproximadamente 150 pessoas, com as quais o contato foi perdido. Por esse motivo, "o número de mortes no mar pode chegar a 400", denuncia Perego, exortando as instituições a agirem: "Quando a Europa responderá ao apelo do Papa Francisco durante sua visita a Lampedusa, 'Onde está seu irmão?', e renovará uma operação conjunta envolvendo todos os 27 estados no resgate marítimo?"
Apelo da Mediterranea Saving Humans
Num comunicado publicado nas redes sociais, a ONG Mediterranea Saving Humans também expressou preocupação com o destino de tantas pessoas desaparecidas. "Uma mensagem da Inmarsat divulgada pelo IT MRCC em Roma", escreveu a ONG, "informa que pelo menos oito embarcações partiram do porto tunisiano de Sfax durante a semana de 14 a 21 de janeiro". Essas embarcações estariam a caminho da costa tunisiana para Lampedusa no auge da tempestade Harry, com ventos superiores a 100 km/h e ondas acima de sete metros. "Tememos", denunciam, "que estejamos diante de uma tragédia de grandes proporções. Pedimos às autoridades europeias na Itália e em Malta que façam todos os esforços para buscar possíveis sobreviventes. Não deixem ninguém morrer no mar!"
Mais de 1.300 pessoas desembarcaram na Itália desde o início do ano
Até o momento, 1.338 migrantes desembarcaram nas costas italianas desde o início do ano. Este número foi divulgado pelo Ministério do Interior, com base nas chegadas registradas até às 8h da manhã de 26 de janeiro. Durante o mesmo período, no ano passado foram 3.012, enquanto em 2024 foram 1.305. Dos mais de 1.300 migrantes que desembarcaram na Itália em 2026, com base em suas declarações no momento do desembarque, 437 são cidadãos de Bangladesh (32,7%). Os outros são provenientes da Argélia (174, 13%), do Sudão (134, 10%), do Egito (131, 9,8%), da Guiné (106, 7,9%), da Somália (80, 6%), do Paquistão (69, 5,2%), de Marrocos (32, 2,4%), da Serra Leoa (24, 1,8%), da Eritreia (17, 1,3%), dos Camarões (11, 0,8%), da Costa do Marfim (8, 0,6%), do Mali (8, 0,6%), do Sudão do Sul (3, 0,2%), da Tunísia (2, 0,1%), aos quais se somam 102 pessoas (7,6%) provenientes de outros Estados ou para as quais o procedimento de identificação ainda está em curso.
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