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Cultura da Vida: a dignidade da pessoa humana, fundamento da fé, da ética e da sociedade

Cultura da Vida é um espaço de aprofundamento de temas relacionados à dignidade da vida humana e à missão da família como guardiã da vida com Marlon Derosa e sua esposa Ana Carolina Derosa, professores de pós-graduação em Bioética e fundadores do Instituto e Editora Pius com sede em Joinville, Santa Catarina. Marlon e Ana são casados há 8 anos, têm 3 filhos, são atuantes na Pastoral Familiar. Neste 24° encontro, a dignidade da pessoa humana: fundamento da fé, da ética e da sociedade.

Vatican News

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Hoje, vamos refletir sobre a dignidade da pessoa humana, que é o fundamento sobre o qual se constrói não apenas a vida cristã, mas toda a convivência social e a própria civilização. Sem o reconhecimento do valor inviolável de cada pessoa, nenhuma sociedade pode ser verdadeiramente justa, livre e humana.

Vivemos tempos em que muitas vidas estão sendo tratadas como descartáveis, seja pelo aborto, pela eutanásia, pela exclusão dos mais frágeis. Mas a Igreja tem uma resposta clara: toda pessoa tem dignidade infinita, e isso não depende de opinião, de lei, nem de ideologias.

A dignidade humana tem sua raiz no fato de que cada ser humano foi criado à imagem e semelhança de Deus, conceito reafirmado com força no documento Dignitas Infinita, publicado pelo Dicastério para a Doutrina da Fé em 2024, sob aprovação do Papa Francisco.

O Catecismo da Igreja Católica (356) explica que o ser humano possui um valor especial diante de Deus. Ele é o único ser da criação chamado à comunhão eterna com o seu Criador. Por isso, sua dignidade não depende de condições externas, como idade, saúde, capacidade, situação social ou cultural. Ela é uma verdade objetiva e universal, que vale para todos, e que precede qualquer reconhecimento jurídico ou cultural.

A Dignitas Infinita destaca que a dignidade não é uma conquista ou uma concessão de outros homens ou do Estado, mas um dado da própria realidade humana (Dignitas infinita, 1). Isso significa que não existe vida humana que possa ser considerada sem valor, e nenhuma pessoa pode ser tratada como objeto descartável, meio para outros fins ou mero número estatístico. Cada ser humano tem um valor absoluto e irrenunciável, e reconhecer isso é a base de uma verdadeira civilização.

A dignidade humana deve ser reconhecida desde a concepção até a morte natural (Dignitas infinita, 47). O documento condena com clareza as inúmeras formas de violação da dignidade que assolam o mundo atual: aborto, eutanásia, suicídio assistido, manipulação embrionária, tráfico de pessoas, violência sexual, escravidão, ideologia de gênero, abandono dos idosos, exclusão dos deficientes etc. Em todas essas situações, a raiz do problema é a negação do valor da vida humana como dom sagrado e inviolável, independente das circunstâncias.

Considerando os avanços científicos e tecnológicos, a dignidade humana também deve vir em primeiro lugar. O progresso da biomedicina, da inteligência artificial e das biotecnologias, por mais promissor que pareça, não pode ser guiado apenas pela lógica da utilidade, da eficiência ou do desejo individual. O que é tecnicamente possível nem sempre é moralmente aceitável. A ciência precisa da ética para não se voltar contra o próprio ser humano. Por isso, o Magistério afirma: A ciência e a técnica são expressões legítimas do domínio do ser humano sobre a criação, mas precisam ser guiadas por valores morais que respeitem a dignidade da pessoa. Elas não podem ser neutras nem orientadas apenas pela utilidade ou eficiência, mas devem servir sempre ao bem integral do ser humano, segundo o plano e a vontade de Deus (conforme Donum vitae, 2).

A partir dessa perspectiva, a Igreja reafirma com firmeza o seu compromisso com a defesa da vida e da dignidade humana, sobretudo quando elas são mais ameaçadas. Como recorda a Dignitas infinita, é preciso reconhecer a dignidade infinita do ser humano, “sejam quais forem as suas qualidades físicas, psíquicas, culturais, sociais e religiosas” (Dignitas infinita, 66).

Por isso, todos nós temos a missão de promover uma cultura que valorize a pessoa humana em todas as suas fases e circunstâncias de vida: acolhendo mulheres grávidas e oferecendo apoio material, psicológico e espiritual; promovendo encontros e formações sobre bioética e dignidade humana; apoiando casais em dificuldades; fortalecendo a catequese matrimonial; incentivando a adoção e o acolhimento familiar; cuidando dos idosos e doentes; ensinando às crianças e jovens sobre o valor do corpo, da sexualidade, do casamento e do dom da vida. Nesse sentido, o documento “A vida é sempre um bem”, subsídio do Dicastério para os Leigos, Família e Vida, traz importantes direcionamentos para esse trabalho.

Um grande abraço a todos e até breve!

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22 janeiro 2026, 08:00