Rio de Janeiro: Festa da Unidade encerra o Jubileu da Esperança Rio de Janeiro: Festa da Unidade encerra o Jubileu da Esperança  

Rio de Janeiro: Festa da Unidade encerra o Jubileu da Esperança

A 13ª Festa da Unidade, realizada na manhã de 28 de dezembro, na Catedral Metropolitana de São Sebastião, no Centro, marcou o encerramento do Jubileu da Esperança na Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, vivido como Ano Santo Ordinário pela Igreja.

Carlos Moioli – Arquidiocese do Rio de Janeiro

A data da 13ª Festa da Unidade coincidiu com a Festa da Sagrada Família – Jesus, Maria e José – e atendeu à orientação do saudoso Papa Francisco, que determinou o encerramento do Ano Jubilar nas catedrais das dioceses do mundo inteiro em 28 de dezembro de 2025. Na bula Spes non confundit, o Pontífice convidou a Igreja a viver este tempo como “um ano da graça do Senhor”, para reavivar “a esperança que não decepciona”.

Comunhão eclesial e participação do povo de Deus

A celebração reuniu bispos auxiliares, sacerdotes, diáconos, religiosos, consagrados, seminaristas, vocacionados, lideranças de pastorais e movimentos eclesiais e fiéis de toda a arquidiocese, expressando, de forma visível, a importância da unidade e da corresponsabilidade eclesial na diversidade de vocações, ministérios e carismas, bem como o caráter missionário da Igreja no Rio de Janeiro.

A programação da Festa da Unidade teve início às 7h30, com a recitação do Terço da Esperança, conduzido por Raquel Viegas, da Paróquia Nossa Senhora do Divino Amor, em Irajá, e pelo seminarista Guilherme Brandi.

Às 8h, o diácono Melquisedec Ferreira da Rocha conduziu a pregação, refletindo sobre a esperança cristã como virtude que sustenta a fé diante dos desafios do mundo contemporâneo.

Em seguida, às 9h, a Companhia de Artes Luz do Mundo apresentou a encenação musical “Natal em todo o canto”, com a participação das cantoras Maíra e Raní Jaber, que interpretou músicas natalinas, ajudando os fiéis a aprofundarem o mistério da Encarnação de Jesus.

Festa da Unidade encerra o Jubileu da Esperança
Festa da Unidade encerra o Jubileu da Esperança

Sentido da Festa da Unidade

A Missa Solene, celebrada às 10h, foi presidida pelo arcebispo metropolitano do Rio de Janeiro, Cardeal Orani João Tempesta. Em sua homilia, o arcebispo destacou a Festa da Unidade como um momento privilegiado de encontro, gratidão e discernimento pastoral. “É muito bom estarmos unidos em nossa Igreja Mãe, a Catedral, celebrando a 13ª Festa da Unidade, uma oportunidade de partilharmos a vida, agradecer a Deus pela nossa caminhada anual e pedir as luzes para o futuro”, afirmou.

Dom Orani recordou que, tradicionalmente, a Festa da Unidade reúne todo o povo de Deus ao final do ano litúrgico, mas que, neste ano, foi transferida para o dia 28 de dezembro para coincidir com o encerramento do Jubileu da Esperança, celebrado dentro da oitava do Natal e na Festa da Sagrada Família.

Unidade como testemunho missionário na grande cidade

Ao refletir sobre a realidade urbana e pastoral da arquidiocese, Dom Orani ressaltou que a unidade é um testemunho essencial diante dos inúmeros desafios sociais, culturais e ideológicos presentes na cidade do Rio de Janeiro. “Cada paróquia, pastoral ou movimento eclesial tem sua importância dentro da nossa caminhada arquidiocesana. Estamos unidos na diversidade de carismas, e justamente isso faz toda a diferença”, destacou.

Recordando seu lema episcopal, “Que todos sejam um, para que o mundo creia” (cf. Jo 17,21), sublinhou que a comunhão é sinal concreto do testemunho cristão. Segundo o arcebispo, a Igreja é chamada a caminhar unida, mesmo em meio às dificuldades: “Nós somos chamados a testemunhar que estamos juntos, que caminhamos unidos no meio das dificuldades e dos problemas, na certeza de que o Senhor conduz a nossa vida”.

Festa da Unidade encerra o Jubileu da Esperança
Festa da Unidade encerra o Jubileu da Esperança

Discernimento pastoral e ação do Espírito Santo

Dom Orani destacou ainda que a ação pastoral da Igreja, “em nossa cidade”, de missão, evangelização, catequese e formação de comunidade, não se baseia na imposição de modelos, mas no discernimento da vontade de Deus. “Não impomos um modelo, mas, pela ação do Espírito Santo, descobrimos o que Ele deseja de cada um de nós”, afirmou.

Para o arcebispo, é nesta comunhão que se manifesta o dinamismo de uma Igreja viva, na qual leigos e leigas assumem responsabilidades e missões tanto dentro da Igreja quanto na sociedade.

“O Senhor nos mostra, pela ação do Espírito Santo, como Ele fecunda todo o trabalho e a missão daqueles que se abrem à sua ação, fazendo surgir, mesmo em meio às dificuldades, sinais da misericórdia e do amor de Deus na cidade”, afirmou.

Entrega do símbolo às igrejas jubilares

Durante a celebração, um gesto simbólico expressou de forma concreta essa comunhão: as 21 igrejas jubilares da arquidiocese, representadas por párocos, leigos e uma religiosa, receberam de Dom Orani, após a bênção, o símbolo do Ano Santo do Jubileu da Esperança.

Confeccionado em mármore, o símbolo traz, na borda, a inscrição “Ano Santo – ArqRio – Igreja Jubilar” e, no centro, com a arte oficial do jubileu, as palavras “Jubileu 2025 – Peregrinos da Esperança”, que deverá ser afixado em cada templo como memória permanente do Ano Jubilar. No final da celebração, acompanhado do pároco, cônego Cláudio dos Santos, o arcebispo inaugurou o símbolo do jubileu na Catedral, na entrada da Capela do Santíssimo.

Assinatura da Carta Pastoral por Dom Orani João Tempesta
Assinatura da Carta Pastoral por Dom Orani João Tempesta

Carta Pastoral e conclusões do II Sínodo Arquidiocesano

Um dos momentos mais significativos da 13ª Festa da Unidade foi a assinatura da Carta Pastoral por Dom Orani João Tempesta, com o lema “O Senhor nos envia em missão”, marcando oficialmente a promulgação das conclusões do II Sínodo Arquidiocesano de São Sebastião do Rio de Janeiro, dedicado ao tema das Missões.

O arcebispo assinou exemplares da Carta Pastoral que serão arquivados na Cúria Metropolitana, no Vicariato de Pastoral, na Catedral de São Sebastião e no Arquivo Arquidiocesano, além de entregar a versão impressa aos bispos auxiliares e aos vigários episcopais dos vicariatos territoriais e não territoriais. A pedido de Dom Orani, o documento deverá ser lido por todos os diocesanos e servirá como diretriz para a vida pastoral da arquidiocese enquanto não for aprovado um novo Plano de Pastoral de Conjunto.

Perspectivas pastorais e missão para os próximos anos

Em sua homilia, Dom Orani explicou que as conclusões do Sínodo Arquidiocesano não encerram um processo, mas abrem novos caminhos para o futuro. “Essas conclusões não terminam aqui, mas nos impulsionam e nos abrem para o futuro”, afirmou.

Segundo ele, a Carta Pastoral, em sintonia com as futuras Diretrizes Gerais da CNBB, com as orientações do Regional Leste 1 e com a Assembleia Diocesana, ajudará a traçar os próximos anos da ação pastoral arquidiocesana.

“Ainda temos um longo caminho a percorrer, com o ano civil e o ano litúrgico à nossa frente, para discernirmos os melhores caminhos e levarmos adiante a missão”, observou.

Continuidade do Jubileu Arquidiocesano

Dom Orani reforçou ainda que, embora a Festa da Unidade marque o encerramento do Jubileu da Esperança, continua em curso o Jubileu Arquidiocesano, que celebra os 450 anos da Prelazia, os 350 anos da Diocese do Rio de Janeiro e os 50 anos da transferência da Catedral para o atual endereço, na Avenida República do Chile, no Centro.

Durante este Jubileu Arquidiocesano, os fiéis poderão receber a Indulgência Plenária, desta vez, apenas em cinco igrejas: na Catedral de São Sebastião e nas paróquias Nossa Senhora do Carmo da Antiga Sé, Nossa Senhora da Candelária e Sant’Ana, no Centro, e Nossa Senhora da Apresentação, em Irajá.

A Festa da Sagrada Família e a centralidade da família cristã

Na homilia, Dom Orani refletiu amplamente sobre a festa litúrgica do dia, observando que a Sagrada Família embora unida em Cristo, não esteve isenta de dificuldades e perseguições.

“A Sagrada Família, marcada pelo ‘sim’ de Maria e pela decisão de José em acolher e cuidar do Filho de Deus com um coração de pai, viveu a beleza do Natal, mas também enfrentou dificuldades e perseguições desde o início. Ao escolher a família para encarnar-se, Cristo mostrou que a vida familiar não está isenta de desafios, mas é lugar de perseverança, comunhão e unidade”, disse.

“A Palavra de Deus — acrescentou — nos recorda que Maria e José fizeram a vontade do Pai, mantendo Jesus no centro, e nos ensina que, mesmo em meio às provações, a família é chamada a ser sinal da presença salvadora de Deus na história”, afirmou.

O arcebispo ressaltou ainda que “o futuro da Igreja e o futuro da humanidade passam pela família”, destacando a importância de fortalecer a pastoral familiar, a preparação para o matrimônio e o acompanhamento das famílias, chamadas a serem sinais de esperança e berço de novas vocações.

Sinais do Jubileu e compromisso com a esperança

Dom Orani fez memória dos sinais que acompanharam o Jubileu da Esperança, como as peregrinações às igrejas jubilares, o intenso movimento de confissões e celebrações e a presença das cruzes jubilares, entre elas a cruz da Jornada Mundial da Juventude e a do Regional Leste 1, que percorreu todas as dioceses fluminenses.

Para ele, esses sinais recordam que, mesmo diante das “desesperanças” marcadas pela violência, pobreza e divisões, os cristãos são chamados a ser instrumentos de transformação. “Não nos faltam problemas, mas fomos chamados a caminhar como peregrinos, anunciando Cristo, a esperança que não decepciona”, afirmou.

Apresentação dos novos seminaristas

Na celebração, foram apresentados os seminaristas acolhidos em 2026 no Seminário Propedêutico Rainha dos Apóstolos e aqueles que ingressaram no primeiro ano de Filosofia no Seminário Arquidiocesano de São José, sinalizando a continuidade do cuidado com as vocações e a formação presbiteral na arquidiocese.

Uma Igreja chamada a seguir adiante com esperança

A 13ª Festa da Unidade reafirmou a vocação missionária da Igreja no Rio de Janeiro. Como sintetizou Dom Orani, trata-se de um momento de conclusão que não encerra um caminho, mas fortalece o compromisso evangelizador: “Se encerra o tempo, mas não se encerra a experiência. Somos chamados a continuar anunciando o Reino de Deus, com coragem, ânimo e esperança, tendo Jesus Cristo sempre como o centro da nossa vida, enquanto Igreja, enquanto família e enquanto povo de Deus.”

 

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29 dezembro 2025, 15:16