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A África foi o continente mais afetado por mortes violentas de padres e agentes pastorais em 2025. A África foi o continente mais afetado por mortes violentas de padres e agentes pastorais em 2025. 

Fides: 17 padres, religiosos e leigos mortos em 2025

Segundo o relatório anual divulgado pela Agência Fides, a Nigéria registrou o quadro mais violento, com o assassinato de três sacerdotes e dois seminaristas. Desde 2000, o número de missionários e agentes pastorais que sofreram mortes violentas chegou a 626.

Federico Piana - Cidade do Vaticano

Em 2025, em todo o mundo, foram assassinados 17 sacerdotes, religiosas, seminaristas e leigos. Esses são os números do novo relatório sobre missionários e agentes pastorais que perderam a vida no contexto da propagação da fé, apresentado na manhã de terça-feira, 30, pela agência de notícias Fides, das Pontifícias Obras Missionárias.

Testemunhas do Evangelho

 

O relatório revela como, no ano que está prestes a terminar, a África registrou o maior número de mortes, um total de 10: 6 sacerdotes, 2 seminaristas e 2 catequistas. "No continente americano", continua o texto, "foram mortos 4 missionários (2 sacerdotes e 2 religiosas), na Ásia 2 (1 sacerdote e 1 leigo). Na Europa, foi morto 1 sacerdote."

Números e histórias

 

Em 25 anos, de 2000 a 2025, o número de missionários e agentes pastorais assassinados chegou a 626. Uma lista de homens, mulheres e jovens que, já há algum tempo, explica a Fides, "não se refere apenas a missionários ad gentes em sentido estrito, mas procura registrar todos os cristãos católicos envolvidos de alguma forma em atividade pastoral, mortos de forma violenta, mesmo que não expressamente 'por ódio à fé'".

Amor sem fim

 

Propagadores credíveis ​​do amor — como disse Leão XIV em sua homilia na Missa dos mártires e testemunhas da fé do Século XXI, em 14 de setembro, na Basílica de São Paulo — tornaram conhecida a Palavra de Deus "sem jamais usar as armas da força e da violência, mas abraçando a força frágil e gentil do Evangelho". O relatório, no entanto, revela mais do que apenas dados, números e estatísticas. Revela também nomes e histórias, que muitas vezes retratam histórias de nações atormentadas por guerras, revoluções e pobreza. É o caso da África, o continente mais afetado pelo sangue derramado por sacerdotes e agentes pastorais.

Sangue e Evangelho

 

Para dar apenas alguns exemplos, Mathias Zongo e Christian Tientga viajavam de motocicleta perto da cidade de Bondokuy, em Burkina Faso, quando um grupo de homens armados os atacou e matou. Era 25 de janeiro do ano passado, e os dois jovens eram catequistas na paróquia de Ouakara. Eram muito amados e respeitados. E depois há Luka Jomo, pároco de El Fasher, a capital do estado de Darfur do Norte, no Sudão, devastado por uma guerra civil impiedosa. O sacerdote encontrou a morte em uma noite durante confrontos entre o exército governamental e as Forças de Apoio Rápido: estilhaços de uma bala perdida o mataram enquanto ele estava com dois jovens.

Nigéria, a mais atingida

 

Entre as nações africanas, a Nigéria é a que registrou o maior número de assassinatos de sacerdotes e agentes pastorais este ano: três padres e dois seminaristas, vítimas da violência, sequestros e roubos que assolam o país há anos.

"Tudo isso é motivo de grande tristeza. E também de um pouco de vergonha", disse o arcebispo Fortunatus Nwachukwu, secretário do Dicastério para a Evangelização, em entrevista publicada pela Fides, que acompanha o relatório. "A Nigéria - argumentou ele - é um dos países com a população mais religiosa do mundo. Um povo de crentes, cristãos e muçulmanos. Todos nós dizemos que somos um povo de paz. Até mesmo nossos amigos muçulmanos repetem continuamente que o Islã é a religião da paz. E diante de certos fatos e certas situações, eu gostaria de ver os amigos muçulmanos denunciarem e rejeitarem o uso de sua religião para cometer atos de violência. Todos nós devemos rejeitar qualquer justificativa para o uso da religião para cometer atos violentos a ponto de matar pessoas."

Ajuda externa

 

"Nesta situação - acrescentou o prelado - uma intervenção externa indireta para apoiar o Estado e o governo contra grupos extremistas e ajudar o país a eliminar as causas da violência generalizada pode não ser totalmente injustificada ou inadequada." "Um país - explicou ele - pode ​​se ver incapaz de lidar com suas próprias crises e divisões sem ajuda externa. Vejo muitos amigos muçulmanos que não sabem como reagir ao que está acontecendo. E a inação do governo é evidente."

Haiti e Europa

 

A situação também é dolorosa no Haiti — onde, no contexto dramático do confronto entre gangues armadas em 21 de março, grupos armados assassinaram duas freiras da mesma congregação religiosa — e no México, onde um padre foi encontrado morto após ser sequestrado. Mas a Europa também não foi poupada. Na Polônia, em 13 de fevereiro, um sacerdote de 58 anos foi encontrado estrangulado na casa paroquial de sua igreja.

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31 dezembro 2025, 07:00