Dom Ildo Fortes, Bispo de Mindelo Dom Ildo Fortes, Bispo de Mindelo 

Celebrar e Anunciar: Carta Pastoral 2026-27 - Diocese de Mindelo

“Fazei isto em memória de mim” é o lema do Ano Pastoral 2026-27 na Diocese de Mindelo, em Cabo Verde. O bispo, Dom Ildo Fortes, publicou já a Carta Pastoral para este período, pondo a tónica no significado e na importância de “Celebrar e Anunciar”. O objetivo é renovar a vida litúrgica da Diocese e fazer dela um impulso para a missão. O bispo indica os passos essenciais a dar nesta caminhada, já com os olhos postos no triénio que culminará no Jubileu dos 25 anos da Diocese, em finais de 2028/29.

Dulce Araújo - Vatican News

Enquadrada no Plano Quinquenal de que este é o terceiro ano, a Carta do Bispo de Mindelo, fruto de reflexões em espírito sinodal com todos os Conselhos da Diocese, adota como tema para o Ano Pastoral 2026-2027 “Celebrar e Anunciar”. O foco é a renovação litúrgica na Diocese, a fim de reforçar a vivência da fé não apenas como celebração no altar, mas a levá-la também para a vida quotidiana e para o encontro com os irmãos, através de atitudes e gestos de proximidade e esperança.

As prioridades indicadas na Carta, dirigida aos eclesiásticos e a todos os fiéis leigos da Diocese, são passos de um processo que culminará com o jubileu dos 25 anos da Diocese em finais de 2028-29, passando pela realização de um Congresso Eucarístico Diocesano, de um Fórum Diocesano da Liturgia, por uma Jornada Diocesana da Catequese, entre outras iniciativas. E para que o lema “Fazei isto em memória de Mim”, não seja apenas um lema do ano pastoral, mas um verdadeiro programa de vida cristã, o prelado de Mindelo acompanha a Carta com pormenorizadas “Linhas de Orientação Pastoral” que poderão ajudar nessa caminhada.  

Redescoberta da Eucaristia

Nos dois primeiros anos do quinquénio pastoral - esclarece Dom Ildo Fortes na Carta - procurou-se crescer na capacidade de escuta da voz de Deus, uns aos outros e acolher a todos. Um caminho que foi vivido sob a luz do Jubileu da Esperança. Agora, nestes três anos, entrou-se - diz - numa nova fase, e as palavras de ordem são “Celebrar e Anunciar”, pois que liturgia e missão estão interligadas. Ambas estão relacionadas com o Mistério Pascal que deve transformar a vida das pessoas.

O Concílio Vaticano II ensina que a liturgia é o coração da vida da Igreja, a meta e a fonte donde promana toda a sua força - salienta o prelado de Mindelo - acrescentando que a liturgia não é um simples conjunto de ritos ou cerimónias. Nela o povo de Deus se alimenta e é enviado a viver aquilo que celebrou. Daí o ter colocado no centro deste Ano Pastoral a redescoberta da Eucaristia, onde Cristo continua a entregar-Se por nós. E quando nela participamos ativamente, fortalece a nossa fé, entramos mais profundamente no Mistério de Cristo e fazemos memória viva da sua entrega incondicional por nós - escreve Dom Ildo, exprimindo o desejo de que “cada celebração nos ajude a reconhecer Cristo vivo no meio de nós”, a fortalecer a comunhão e a renovar a disponibilidade para a missão.

Queremos crescer na qualidade, verdade, simplicidade e dignidade das nossas celebrações, na formação litúrgica dos diversos ministérios, na catequese eucarística das crianças, dos jovens e dos adultos e na participação consciente e frutuosa de todos os fiéis” - especifica o Bispo na sua Carta Pastoral, “Celebrar e Anunciar” - afirmando que “esta renovação deverá envolver toda a Diocese: paróquias, vigararias, comunidades, movimentos, escolas católicas e famílias”.

Congresso Eucarístico Diocesano

É já um preparar-se para o Congresso Eucarístico Diocesano que se deseja realizar em 2028 - anuncia Dom Ildo, recordando que tem havido na Diocese um certo esforço de capacitação dos agentes da pastoral litúrgica, esforço que, a seu ver, deve ser continuado. E recorda que celebrar bem, significa “deixar que a celebração, preparada e vivida com verdade, fé e profundidade, manifeste a beleza do encontro salvífico com Deus.”

Nesta senda, dá algumas diretrizes para que essa beleza se possa manifestar, ou seja, valorizar devidamente cada um dos momentos da celebração, o que supõe o aprofundamento do conhecimento da Liturgia mediante a formação dos agentes pastorais; a promoção de uma participação mais consciente dos fiéis; a valorização do silêncio, o canto, a proclamação da Palavra e os diversos ministérios litúrgicos; favorecer celebrações dignas, simples, belas e profundamente orantes;     educar para a sensibilidade e para a beleza próprias da Liturgia.

Dom Ido Fortes sugere ainda alguns documentos de apoio para essa formação como, por exemplo, a Constituição sobre a Sagrada Liturgia, Sacrosanctum Concilium, e o Sacramentum Caritas, de Bento XVI.

Missão

O anúncio, ou seja, a missão, é a outra vertente da Carta “Celebrar e Anunciar” do prelado de Mindelo. Ele recorda que a palavra Missa está ligada ao envio. Do altar da Eucaristia, somos enviados a levá-la para a vida, para o encontro dos irmãos, de todos àqueles que esperam de nós um gesto de proximidade e de esperança. Da Eucaristia ao mundo; do altar às periferias - remata Dom Ildo Fortes antes de passar a indicar algumas prioridades pastorais.

Prioridades pastorais  

Adoração eucarística, com iniciativas diocesanas como 24 horas de adoração; formação litúrgica; reforço da catequese sobre a Eucaristia, com momentos de catequese mistagógica; formação específica para o canto litúrgico; ministério dos Acólitos; realização de um Fórum Diocesano da Liturgia em 2027; a pastoral do Dízimo, como expressão de gratuidade, gratidão, corresponsabilidade e comunhão; o ministério do Catequista, valorizando o serviço do catequista como ministério de anúncio e educação à fé. Aliás, anuncia para agosto de 2027 a realização da Jornada Diocesana da Catequese; a juventude e a esperança, passando da feliz iniciativa da SDPJ em 2026 à Assembleia Diocesana da Juventude em 2027 com olhos postos também na JMJ de Seoul (agosto 2027), tudo porque a Diocese dá muita atenção aos jovens que quer ver “apaixonados por Cristo, capazes de celebrar com alegria, servir com generosidade e anunciar o Evangelho com coragem”. E são convidados a redescobrir a espiritualidade eucarística.

Preparar espiritualmente o Jubileu de 2025

Finalmente a última parte da Carta fixa o olhar no Jubileu dos 25 anos da Diocese, recordando que cada iniciativa deste triénio pastoral deve contribuir para preparar espiritualmente esse Jubileu que não será apenas recordar o passado, mas agradecer, renovar, sonhar uma Diocese cada vez mais sinodal e missionária, acolhedora e próxima.

Uma grande Exposição Diocesana para preservar a memória da evangelização nas ilhas será parte desse Jubileu.

Para tudo isso, Dom Ildo invoca a proteção de Maria, Mulher da Eucaristia, e conclui agradecendo a colaboração de todos os diocesanos para que o lema deste triénio pastoral “Fazei isto em memória de Mim” não seja apenas um slogan, mas um verdadeiro programa de vida a ser conduzido em plena comunhão entre todos. 

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07 setembro 2026, 13:56