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Funeral do Cardeal Dom Júlio Duarte Langa no Santuário Nossa Senhora de Lourdes, em Chonguene, Moçambique Funeral do Cardeal Dom Júlio Duarte Langa no Santuário Nossa Senhora de Lourdes, em Chonguene, Moçambique  (Southern Africa Bishop's Conference)

Núncio - Igreja em Moçambique precisa de muitos novos Dom Júlio

“Precisamos de muitos novos Dom Júlio na Igreja em Moçambique.” O apelo do Arcebispo Luís Miguel Muñoz Cárdaba, Núncio Apostólico em Moçambique, marcou a Missa exequial do Cardeal Emérito Júlio Duarte Langa, celebrada no sábado, 8 de agosto, no Santuário de Nossa Senhora de Lourdes, em Chongoene, na Diocese de Xai-Xai.

Sheila Pires - Em Moçambique

Milhares de fiéis participaram na celebração, entre leigos, sacerdotes, religiosos e religiosas, para se despedirem do Cardeal Langa, falecido na segunda-feira, 3 de agosto, aos 98 anos. A Missa foi presidida pelo Núncio Apostólico. A homilia foi pronunciada por Dom Lúcio Andrice Muandula, antigo Bispo de Xai-Xai. Concelebraram oito bispos e numerosos sacerdotes.

Um homem de fé

Em conversa com a Vatican News, o Arcebispo Muñoz Cárdaba recordou o encontro que teve com o Cardeal no hospital, cerca de um mês antes da morte deste. O Arcebispo destacou a serenidade, o sorriso e a profunda confiança em Deus que encontrou no Bispo emérito de Xai-Xai.

“O legado de Dom Júlio é evidente: a sua pessoa. A sua pessoa é de uma grande humildade, de uma grande simplicidade, de uma grande bondade”, afirmou o Núncio na referida entrevista.

O Cardeal Langa - acrescentou o Núncio - “permaneceu fiel à vontade de Deus até ao fim”. Dom Cárdaba recordou ainda que, durante a visita ao hospital, chegou a brincar com o Cardeal sobre a possibilidade de viver até aos cem anos, mas a resposta de Dom Júlio foi simples: “Tem que ser feita a vontade de Deus”.

Para o representante do Papa em Moçambique, esta atitude revela a profundidade da fé de um homem que nunca procurou colocar-se no centro.

“É um homem de fé. Um homem que nunca, nunca usou a honra do Cardinalato para aparecer”, sublinhou.

Funela do Cardeal Dom Júlio Langa
Funela do Cardeal Dom Júlio Langa   (Southern Africa Bishop's Conference)

Um testemunho contra a «vã glória»

O Núncio vê no testemunho do Cardeal Langa uma mensagem particularmente atual para uma sociedade marcada pela procura de poder, riqueza e reconhecimento.

“Na sociedade moderna todos temos a tentação da vã glória, do poder, das riquezas, do aplauso do mundo. Ele não foi assim”, afirmou.

A humildade e a bondade do Cardeal, segundo o Arcebispo Muñoz Cárdaba, ajudam também a compreender o significado da decisão do Papa Francisco de o criar cardeal.

“Papa Francisco pensou nele, conhecia-o, mas sobretudo porque tocou a bondade e humildade deste homem”, explicou.

Favorecer a comunidade, o povo

O legado de Dom Júlio não se limita, porém, à sua vida pessoal. Para o Núncio, a sua trajetória como sacerdote e bispo constitui um apelo a uma Igreja formada por homens e mulheres dispostos a colocar o bem da comunidade acima dos interesses pessoais.

“Precisamos de muitos, novos Dom Júlio, aqui em Moçambique”, afirmou, referindo-se não apenas a sacerdotes, mas também a “leigos, leigas, irmãs, homens e mulheres de grande coração e santidade de vida”.

O apelo estende-se também às famílias cristãs e à vida pública. “A vida política é uma vocação”, recordou o Núncio, desejando que todos possam assumir as suas responsabilidades com a mesma simplicidade e humildade que caracterizaram o Cardeal Langa.

O Papa recorda a arte da proximidade

A despedida do Cardeal Langa foi também marcada pela comunhão com o Papa Leo XIV. Numa mensagem de condolências enviada ao Arcebispo Dom Francisco Chimoio, O.F.M. Cap., Administrador Apostólico de Xai-Xai, o Santo Padre recordou o falecido pastor como um homem fiel a Cristo, que aprendeu dele «a arte da proximidade no pastoreio das almas».

O Papa destacou a dedicação do Cardeal Langa “com simplicidade, zelo e perseverança” ao povo que lhe foi confiado, bem como o seu compromisso em anunciar “o Evangelho da paz e da reconciliação” para um futuro de fraternidade entre todos os moçambicanos.

Leão XIV expressou a sua solidariedade espiritual à Igreja de Moçambique, à família do Cardeal, à Diocese de Xai-Xai e a todo o país, confiando a vida de Dom Júlio à esperança da Ressurreição.

Funeral do Cardeal Dom Júlio Duarte Langa
Funeral do Cardeal Dom Júlio Duarte Langa   (Southern Africa Bishop's Conference)

Continue a abençoar a Igreja em Moçambique

Ao olhar para o futuro, o Núncio Apostólico manifestou a esperança de que o Cardeal Langa continue a acompanhar espiritualmente a Igreja que serviu durante tantos anos.

“Esperemos que, como intercessor, na vida eterna, no Paraíso, esteja sempre a abençoar, continue a abençoar o caminho da Igreja em Moçambique”, afirmou.

A última homenagem ao Cardeal Júlio Duarte Langa tornou-se, assim, não apenas um momento de luto, mas também de ação de graças pela sua longa vida, pelo seu sacerdócio e pelo testemunho de uma Igreja servidora, simples e próxima do povo.

Oiça aqui as palavras do Núncio Apostólico

 

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10 agosto 2026, 13:15