Maio, furta-cor - Campanha sobre a Saúde Mental Materna
Dulce Araújo - Vatican News
A campanha internacional “Maio Furta-cor”, foi lançada, no Brasil, em 2020, por duas psicólogas, para sensibilizar em relação aos desafios que a maternidade pode comportar para a saúde mental materna. Elas viram no mês de maio um mês propício para isso, por ser o mês em que, um pouco por todo o mundo, se celebra, num dos domingos, o Dia das Mães.
Alegria e desafios
O título da campanha tem a ver com as diversas cores, as diferenças que podem caracterizar a maternidade, conforme a luz, ou seja o apoio que a mãe receber durante o período da gravidez e do pós-parto, sem que uma tonalidade exclua outra. Com efeito, se por um lado, a maternidade é uma fonte de grande alegria e satisfação, por outro pode ser também tão desafiante ao ponto de trazer à mulher-mãe perturbações de carater mental. A campanha inscreve-se no âmbito da Saúde Mental, em geral, assumindo, neste caso, uma especificidade feminina-materna, pois que, como diz o subtítulo, a “saúde mental materna importa".
Saúde mental e violência doméstica
Essa saúde pode ser comprometida por diversos fatores, entre os quais a violência doméstica. Daí que Marla Lopes, membro da campanha, tenha escolhido como tema para um dos seus encontros com a comunidade cabo-verdiana “O lado oculto da Maternidade: saúde mental materna em contexto de violência doméstica”. O encontro teve lugar na tarde do dia 16 de maio e reuniu sobretudo mulheres conterrâneas da Marla que, desde há alguns anos, reside em Roma e tem vindo a organizar regularmente encontros sobre questões relacionadas com a saúde mental, algo muito apreciado pelos membros da comunidade - afirma esta perita na matéria.
Redes de apoio
Em entrevista à Rádio Vaticano, para além de ilustrar esses fatores todos e de explicar quão necessário é encorajar as mulheres a reconhecê-los, a denunciá-los, a criar redes de apoio e a considerar que tal como a saúde física, a saúde mental também é muito importante e não deve ser relegada para segundo plano, Marla Lopes falou doutros temas que tem tratado com a comunidade, seguindo um programa de cadência mais ou menos mensal, todos relacionados com a saúde mental: desde a menopausa (abril) ao suicídio (setembro), e assim por diante.
Envolver mais os homens e os jovens
Dada a escassa participação de jovens e homens adultos nesses encontros, a entrevista abordou também esta questão, tendo a Marla mostrado otimismo quanto ao progressivo envolvimento dessa categoria de pessoas, parceiras importantes para que a proteção da saúde mental tenha sucesso.
Ano da Saúde Mental em Cabo Verde
Em Cabo Verde, o ano de 2024 foi proclamado pelo Governo, “Ano da Saúde Mental”. Uma iniciativa que Marla Lopes considera louvável, pois é sinal de que há cada vez mais sensibilidade por esta questão, mas considera que devia ser acompanhado de aprovação de leis e de mais figuras profissionais da saúde mental, como psicólogos em vários domínios da sociedade: hospitais, escolas, etc.
A entrevista conclui-se com um forte convite desta Psicóloga Clínica a todos a considerarem a saúde mental uma prioridade para qualquer ser humano: saúde mental e saúde física caminham juntas.
O encontro sobre “O lado oculto da Maternidade: saúde mental materna em contexto de violência doméstica” foi promovido pela própria Drª Marla Lopes em colaboração com as associações comunitárias “Caboverdemania” e “Amigos de Soncente”.
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