D. Constantino destaca comunicação inclusiva como caminho para uma Igreja sinodal
Por Sheila Pires, em Joanesburgo
Entre os participantes esteve o responsável pela Comunicação da IMBISA, Dom António Manuel Bogaio Constantino MCC, bispo de Caia, em Moçambique, que destacou o objetivo central do encontro: promover o diálogo sobre formas concretas de inclusão, tanto no âmbito da comunicação como na vida pastoral das comunidades.
Segundo o prelado, comunicar significa “abrir espaços”. Nesse sentido, o seminário procurou incentivar uma mudança de abordagem, passando de práticas centradas sobretudo na assistência para uma perspetiva que reconhece as pessoas com deficiência como protagonistas na evangelização. “A Igreja quer dar um passo em frente rumo a uma Igreja inclusiva e sinodal, onde todos se sintam parte da família de Deus”, afirmou.
Dom Constantino indicou que um dos desafios consiste em integrar plenamente as pessoas com deficiência na vida pastoral, reconhecendo-as como membros ativos da comunidade. Referiu ainda a necessidade de superar formas de estigmatização presentes em alguns contextos sociais e eclesiais, sublinhando que a inclusão exige uma abertura progressiva da Igreja.
No campo da comunicação, destacou a importância da formação, especialmente no conhecimento de linguagens acessíveis como a língua de sinais e o Braille. Segundo explicou, é necessário aumentar o número de agentes pastorais e comunicadores capacitados nessas áreas. Entre as propostas apresentadas está a inclusão de intérpretes de língua de sinais nas celebrações litúrgicas, sobretudo em grandes eventos.
O responsável pela comunicação da IMBISA acrescentou que uma das recomendações do encontro é a realização de formações práticas dirigidas aos comunicadores das Conferências Episcopais e dioceses, com o objetivo de promover competências em comunicação inclusiva.
No final do seminário, os participantes divulgaram uma declaração conjunta com conclusões e recomendações. O documento destaca que o caminho sinodal constitui uma oportunidade para responder ao apelo das pessoas com deficiência à plena participação na vida da Igreja.
Entre os pontos sublinhados está a necessidade de conhecer e respeitar as características e capacidades das pessoas com deficiência, como base para a construção de ambientes inclusivos. O texto afirma ainda que a inclusão deve passar do simples acolhimento à participação ativa, garantindo o acesso aos sacramentos, à catequese e à vida pastoral.
Os delegados comprometeram-se a trabalhar para superar preconceitos e promover uma mudança de mentalidade, reconhecendo a deficiência como parte da diversidade da comunidade. O documento reforça que a inclusão é um direito e uma expressão do amor de Deus, fundamentada na dignidade de cada pessoa criada à sua imagem.
Entre as recomendações práticas estão a eliminação de barreiras arquitetónicas, a tradução das celebrações para língua de sinais, a disponibilização de materiais em Braille e a formação de agentes pastorais para acompanhar pessoas com deficiência nos percursos sacramentais.
A declaração sublinha também a importância de integrar o tema da deficiência nos programas de formação dos seminaristas e catequistas, bem como de valorizar o contributo das pessoas com deficiência como catequistas, leitores e agentes pastorais.
Obrigado por ter lido este artigo. Se quiser se manter atualizado, assine a nossa newsletter clicando aqui e se inscreva no nosso canal do WhatsApp acessando aqui