Moçambique. Dom António Juliasse: “Em Cabo Delgado, conheci uma Igreja de mártires”
Rogério Maduca – Radio Pax, Beira, Moçambique
Situação horrível, tal como descreve o Bispo, ao denunciar a existência de um califado em Cabo Delgado, algo que ninguém fala. Situação que aumenta ainda a sua preocupação.
Dom António Juliasse fala do ódio que está sendo espalhado entre os moçambicanos, o que lamentavelmente faz pensar que Cabo Delgado não faz parte de Moçambique. Pois no seu entender, sendo o país um todo e uma parte sofre, o todo deveria também sofrer.
Nesta quarta-feira, 13, a Conferência Episcopal de Moçambique (CEM) emitiu uma nota de repúdio aos ataques contra comunidades cristãs e de solidariedade com a província de Cabo Delgado. No documento, os prelados dizem que receberam com tristeza as notícias de profanações, destruições e atentados contra igrejas cristãs e símbolos religiosos. Para o episcopado, estes atos ferem não apenas os crentes, mas também a consciência moral de toda a nação e os valores ancestrais do povo moçambicano.
Ainda no documento assinado por Dom Inácio Saúre, presidente da Conferência Episcopal de Moçambique, os Bispos lembram citando a sabedora africana que “a aldeia permanece de pé quando os seus filhos caminham juntos”, por isso, rejeitam toda tentativa de semear divisão, ódio e desconfiança entre irmãos da mesma pátria.
Na mesma senda, a CEM diz que, é dever do governo garantir a dignidade humana, segurança e bem-estar de todos, protegendo a vida e o património nacional, aspectos que estão a ser gravemente postos em causa em Cabo Delgado, com sinais de alastramento pelo país. Por isso, propõem as autoridades competentes a tomada de uma decisão corajosa para pôr fim imediato à intolerância religiosa.
Permanecer unidos na promoção da paz, diálogo, justiça social e da reconciliação nacional, é a exortação dirigida às Comunidades religiosas, autoridades civis, e pessoas de boa vontade. Aos fiéis, os bispos pedem a intensificação de oração pela paz em Cabo Delgado e em todo país.
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