Líderes religiosos em Nampula comprometidos com o desenvolvimento da 1ª infância
Cremildo Alexandre – Nampula, Moçambique
O encontro reúne representantes de Igrejas cristãs, Comunidades islâmicas, sector de Saúde e outras expressões de fé, com o objetivo de avaliar os avanços alcançados desde o lançamento da iniciativa, ocorrido em novembro do ano passado, e discutir estratégias para fortalecer acções junto das famílias.
Segundo António Muajerene da Caritas Arquidiocesana de Nampula, a iniciativa pretende promover uma abordagem integrada do desenvolvimento humano, começando desde a juventude, passando pela vida familiar, gravidez e cuidados à criança até aos seis anos de idade.
“O futuro da sociedade depende muito da assistência que se dá à criança nos primeiros anos de vida”, destacou.
Um dos aspetos inovadores do projeto é o envolvimento directo dos líderes religiosos como agentes de mudança social. A partir das suas escrituras, como a Bíblia e o Alcorão, estes líderes têm encontrado fundamentos para sensibilizar as comunidades sobre práticas essenciais para o desenvolvimento infantil.
“Há pessoas que não recebem facilmente mensagens vindas de outras estruturas, mas escutam e confiam nos seus líderes religiosos”, explicou Muajerene.
Passados cerca de cinco meses desde o primeiro encontro, espera-se agora partilhar experiências, identificar boas práticas, desafios e traçar recomendações que permitam melhorar a coordenação entre as confissões religiosas, autoridades governamentais e organizações da sociedade civil.
Os líderes religiosos destacaram a globalização e as mudanças sociais como alguns dos principais desafios que afetam o desenvolvimento da primeira infância nas comunidades.
A iniciativa, de acordo com António Muajerene, já apresenta resultados positivos e poderá ser expandida para outros distritos da província, numa segunda fase prevista para breve, aproveitando as lições aprendidas no chamado “laboratório” de intervenção em Rapale.
Numa mensagem enviada a partir de Maputo, onde participa em atividades da Conferência Episcopal de Moçambique, Dom Inácio Saúre destacou que o activismo não deve ser entendido como um exercício vazio, mas como uma ação concreta de engajamento com os governos distritais e provincial, bem como com os setores da saúde, educação e ação social.
Apesar dos desafios, o arcebispo encorajou os participantes a não desanimarem, recordando que os esforços iniciados no encontro de novembro já começam a produzir resultados visíveis.
Com esta abordagem, a Cáritas Arquidiocesana de Nampula pretende contribuir para a construção de bases sólidas para o desenvolvimento humano, colocando a criança no centro das prioridades comunitárias.
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