Visita do Papa Leão XIV: Dom Camuto apela a proveito espiritual e não político
Anastácio Sasembele – Luanda, Angola
Segundo o prelado, a visita do Papa representa uma oportunidade única de renovação espiritual, moral e social para o país, razão pela qual deve ser aproveitada por todos os angolanos, especialmente pelos responsáveis políticos e líderes da sociedade.
Dom Maurício Camuto recorda que esta será a terceira visita de um Papa a Angola, sublinhando a importância de os fiéis e dirigentes aproveitarem este momento para fortalecer a fé e reflectirem sobre os caminhos do país.
“Vem aí o Papa Leão XIV visitar a nossa terra. É o terceiro Papa a pisar o solo angolano. Procuremos saciar a nossa sede de Deus, a sede da Palavra de Deus. Não pensemos somente em proveito político com a sua presença, mas procuremos sobretudo o proveito espiritual, moral e social dos seus ensinamentos”, afirmou.
O Bispo de Caxito incentivou ainda os fiéis a escutarem com atenção as palavras do Santo Padre e a deixarem-se transformar pela mensagem que será transmitida durante a visita.
“Procuremos instruir-nos com as suas palavras, com os seus ensinamentos e até com a sua simples presença”, acrescentou.
Durante a sua reflexão, o prelado lamentou que muitos dos conflitos e desavenças políticas registados ao longo da história recente de Angola resultem do facto de não terem sido seguidos os conselhos deixados por anteriores pontífices que visitaram o país, nomeadamente Papa João Paulo II e Papa Bento XVI.
“Não seguimos os belos conselhos e ensinamentos que os papas João Paulo II e Bento XVI nos deixaram. Depois de falarem connosco sobre reconciliação entre as famílias, reconciliação entre os povos e a necessidade de construirmos um futuro em paz, acabámos por cair novamente na guerra”, recordou.
Dom Maurício Camuto destacou ainda o gesto simbólico de João Paulo II quando visitou Angola, recordando que o pontífice chegou mesmo a ajoelhar-se no aeroporto para beijar o solo angolano, como sinal de respeito e esperança de paz para o país.
“Falou-nos de paz, de reconciliação, mas infelizmente falhámos”, lamentou.
O Bispo referiu também que muitos conflitos que persistem em África resultam da falta de acolhimento das exortações e apelos à paz feitos pelos líderes religiosos e pela Igreja.
“A África continua mergulhada em guerras e outros males por causa da postura de muitos governantes que persistem em não acolher as exortações que procuram promover a paz verdadeira entre os homens”, disse.
Como exemplo, Dom Maurício Camuto citou a situação do Sudão, lembrando um encontro em que líderes daquele país estiveram no Vaticano com o Papa Francisco, que chegou a ajoelhar-se e beijar-lhes os pés como gesto de humildade e de apelo à reconciliação.
“Falou-lhes da necessidade de criar uma cultura de paz, de reconciliação e de convivência entre irmãos. No entanto, regressaram às suas terras e até hoje não há paz no Sudão”, lamentou.
O prelado reconheceu que situação semelhante ocorreu em Angola após a visita de João Paulo II, quando os apelos à paz não foram devidamente acolhidos.
“Entrou por um ouvido e saiu pelo outro, infelizmente”, afirmou.
Por fim, Dom Maurício Camuto apelou aos fiéis e às autoridades para que a visita do Papa Leão XIV seja um verdadeiro momento de mudança para o país.
“Procuremos instruir-nos e aproveitar a presença do Papa para mudarmos. Escutemos os seus ensinamentos e transformemos as nossas atitudes. Mudemos, caríssimos irmãos”, concluiu.
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