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José Muyanga, jurista do departamento jurídico da CEMIRDE José Muyanga, jurista do departamento jurídico da CEMIRDE 

Guerra no Médio Oriente leva novos refugiados a procurar proteção em Moçambique

Conflitos em países do Médio Oriente continuam a forçar famílias a deixar as suas terras. Nos últimos anos, Moçambique tem recebido pedidos de asilo de pessoas vindas da Síria, Palestina e Líbano, segundo explicou um responsável da Comissão Episcopal para Migrantes, Refugiados e Deslocados (CEMIRDE).

Cremildo Alexandre – Nampula, Moçambique

As guerras e instabilidades em várias regiões do mundo continuam a provocar deslocações forçadas de milhares de pessoas. Nos últimos anos, Moçambique tem registado a chegada de refugiados provenientes do Médio Oriente, sobretudo da Síria, da Palestina e do Líbano, que procuram proteção e segurança no país.

A informação foi avançada por José Muyanga, jurista do departamento jurídico da CEMIRDE, organização que trabalha na assistência jurídica a refugiados e requerentes de asilo em Moçambique. Segundo explicou, todos os anos chegam ao país pessoas oriundas dessas regiões marcadas por conflitos armados e tensões políticas, que solicitam proteção internacional.

“Moçambique tem recebido refugiados principalmente da Síria, da Palestina e do Líbano. São pessoas que fogem de zonas de pressão e procuram segurança e estabilidade”, afirmou. Para muitas dessas famílias, deixar o país de origem torna-se a única alternativa para escapar à violência e reconstruir a vida.

De acordo com dados partilhados pela organização, Moçambique acolhe atualmente cerca de 28 mil refugiados e requerentes de asilo. A maioria encontra-se entre a cidade de Maputo, a cidade de Nampula e o Centro de Refugiados de Maratane. Contudo, apenas uma pequena parte possui o estatuto formal de refugiado, enquanto a maioria permanece na condição de requerente de asilo.

Segundo Muyanga, um dos grandes desafios prende-se com a determinação do estatuto de refugiado. O processo, que garante uma proteção jurídica mais completa, não tem sido realizado com regularidade há vários anos, deixando muitas pessoas numa situação considerada frágil e incerta do ponto de vista legal.

Apesar disso, Moçambique continua a ser visto como um país de acolhimento e proteção para quem foge da guerra e da perseguição. A Constituição moçambicana prevê a proteção das pessoas que procuram asilo, uma tradição que recorda também a história do próprio país, quando milhões de moçambicanos encontraram refúgio em nações vizinhas durante o período de guerra civil.

Num contexto internacional marcado por conflitos e crises humanitárias, organizações que trabalham com refugiados sublinham a importância da solidariedade e da cooperação entre países para garantir proteção e dignidade a quem é obrigado a abandonar a sua terra em busca de paz.

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12 março 2026, 11:12