Junto às Quedas de Kalandula (Angola) - foto Lusofonias Junto às Quedas de Kalandula (Angola) - foto Lusofonias  (Tony Neves, Espiritanos em Roma)

Lusofonias – África na rota de Leão XIV

Na sua primeira viagem a África, o Papa Leão XIV estará na Argélia de 13 a 15 de abril, nos Camarões de 15 a 18, em Angola de 18 a 21 e concluirá a visita apostólica na Guiné Equatorial onde permanecerá de 21 a 23 de abril. ‘Reconheço a importância das viagens papais e convenço-me, como boa parte dos católicos dos países citados, que será um momento de graça que pode – e deve – ajudar os governos e instituições destes países a trabalhar por mais justiça, paz, liberdade e fraternidade’.

Tony Neves, em Roma

Em tempo forte de Quaresma, começo com uma confissão. Quando o Vaticano publicou as datas e locais das visitas pastorais do Papa em Itália, nem pestanejei. Depois, houve a notícia das viagens apostólicas à escala do mundo e aí o meu coração mudou de ritmo. É verdade que também as visitas ao Mónaco ou a Espanha não me abanaram muito. O mesmo não posso dizer – e aí me confesso – das viagens a África, com celebrações e encontros marcados para a Argélia, Camarões, Angola e Guiné Equatorial.

Em diversas intervenções, já pude partilhar convicções e opiniões que vou aprofundando à medida que o tempo passa e as informações vão dando pormenores do que está previsto acontecer.

Os Bispos das três Dioceses que o Papa Leão vai visitar nos Camarões (Yaoundé, Douala e Bamenda) já publicaram vídeos a mostrar a sua alegria por acolherem o Papa e apelam a uma mobilização total das populações para viverem momentos históricos e desafiantes, num tempo em que o país tenta responder a desafios de segurança muito complexos. Se na parte anglófona há lutas fortes pela independência, no extremo norte há ataques frequentes e bárbaros por parte do Boko Haram, esse grupo fundamentalista islâmico que semeia o pânico por onde passa.

Marcou-me, particularmente, a Nota Pastoral que os Bispos de Angola publicaram, a 2 de março, no fim da Assembleia plenária da Conferência Episcopal.  Ali se fala do ‘jubiloso anúncio da visita do Papa a Angola’. Já foi publicado o lema, ‘Peregrino da Esperança, Reconciliação e Paz’ e divulgado o logotipo. Confessam os Bispos: ‘Sentimo-nos mergulhados numa alegria indizível por esta terceira visita a Angola do Vigário de Cristo na Terra’.

A CEAST aproveita a oportunidade para proporcionar um breve encontro com a História: ‘Convém ressaltar que, na África Subsariana, Angola foi o primeiro país a acolher o Evangelho e onde aconteceram os primeiros Batismos cristãos. Angola teve o primeiro Bispo negro da história, logo no princípio do séc. XVI. De Angola chegou a Roma, em 1608, o primeiro embaixador da África Subsariana junto da Santa Sé. Esta visita do Papa Leão XIV vem na sequência da celebração dos 50 anos da independência de Angola e dos 450 anos da fundação da cidade de São Paulo da Assunção de Luanda, esta que é cidade batizada e crismada’.

Os Bispos da CEAST falam do ‘crescimento do Cristianismo em Angola’ e, adiante, afirmam: ‘Estamos certos de que a presença do Santo Padre encorajar-nos-á a nos unirmos cada vez mais na promoção da esperança, da reconciliação e da paz para todos’, pois ‘a construção de um futuro melhor apela ao espírito de sinodalidade como expressão da necessidade de caminharmos juntos, na mesma direção e com os mesmos objetivos’. Depois de pedirem um estudo cuidadoso dos documentos do Papa Leão XIV, ‘para que as suas palavras não sejam apenas sons passageiros, mas orientações de vida que tudo devem transformar e renovar’, os Bispos lançam um apelo à generosidade de todos para reunirem meios e pessoas que permitam organizar com dignidade e profissionalismo uma visita tão importante.

A Nota Pastoral conclui com uma longa Oração onde se invoca – como não podia deixar de ser – ‘a intercessão da Padroeira de Angola, a Bem Aventurada Virgem Maria da Muxima’.

Nesta primeira viagem a África, o Papa estará na Argélia de 13 a 15 de abril, nos Camarões de 15 a 18, em Angola de 18 a 21 e concluirá a visita apostólica na Guiné Equatorial onde permanecerá de 21 a 23 de abril.

D. José Manuel Imbamba, Presidente da CEAST, dizia na Abertura que ‘quando um pai visita os seus filhos, a casa inteira se limpa e o coração se alegra. O Papa Leão XIV vem para nos abraçar, animar e fortalecer.

Preparemo-nos em todos os sentidos para que ele encontre uma Angola unida, feliz e, acima de tudo, densa de esperança, paz e fraternidade entre os irmãos’.

Mantenho hoje a minha convicção publicada quando se anunciou a viagem papal a África: ‘Reconheço a importância das viagens papais e convenço-me, como boa parte dos católicos dos países citados, que será um momento de graça que pode – e deve – ajudar os governos e instituições destes países a trabalhar por mais justiça, paz, liberdade e fraternidade’.

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06 março 2026, 10:50