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Irmã Olga José Massango, FSP Irmã Olga José Massango, FSP 

Ir. Olga Massango: “Sempre connosco a Palavra de Deus, luz que nos sustenta na caminhada”

“Gostaria de encorajar os Grupos bíblicos para que a Palavra de Deus seja luz para o seu caminhar; façamos compromisso de ler juntos, e em família, a Bíblia, que podemos trazer no telefone ou edição de bolso, para que Jesus possa ser Aquele Companheiro de viagem que nos sustenta no caminhar”, é convicção da Ir. Olga J. Massango, Moçambicana, das Filhas de São Paulo em missão no Quénia e que, aos media do Vaticano, falou da importância da Palavra de Deus na liturgia da Igreja e na vida dos fiéis.

P. Bernardo Suate – Cidade do Vaticano

A Congregação das Filhas de São Paulo tem como missão evangelizar com os meios de comunicação social, e por mais de um século de apostolado difundem a Palavra de Deus. Ir. Olga José Massango, FSP, disse em entrevista aos media do Vaticano de estar inserida na equipe editorial da Congregação, isto é, Paulines Publications Africa (Nairobi) e, desde 2025, também colabora com o sector audiovisual na criação de conteúdos e entrevistas - uma estratégia particular que as Paulinas tiveram para viver o plano pastoral, sobretudo durante o ano jubilar 2025.

Família Paulina, mais de cem anos de apostolado bíblico

As Filhas de São Paulo, explica a Ir. Massango, nasceram em 1915, fundadas pelo Beato Tiago Alberione.  Apenas com 5 anos de idade, particularmente em 1920, Tiago Alberione fazia parte do movimento bíblico na Itália, que na altura foi incentivado pelo Papa Bento XV através da Encíclica “Spiritus Paraclitus”, que se propunha revitalizar o apostolado bíblico na Igreja. O Fundador sempre quis que a Família Paulina fosse missionária da Palavra, pois ele não só fez parte desse movimento bíblico, mas também quis passar essa experiência à Congregação. Para o Fundador, a Palavra de Deus devia penetrar no seio das pessoas e, por isso, as nossas primeiras Irmãs iam de casa em casa oferecendo a Palavra de Deus, difundindo o Evangelho, e esta vivência apostólica moldou a fisionomia das Irmãs Paulinas desde cedo, sublinha a Ir. Olga.

Bíblia Sagrada Africana, em inglês e português: laboratório da sinodalidade

A moçambicana Irmã Olga Massango fez particularmente parte da equipe que levou avante o projeto da Bíblia Sagrada Africana. “Tivemos de contactar os Bispos de Moçambique e os Bispos angolanos, em 2001, justamente porque sentimos que a parte Lusófona não tinha sido abordada” no projecto inglês, explica a religiosa. Os Bispos deveriam indicar Padres e Irmãs idóneas que pudessem colaborar no enriquecimento da tradução do aparato crítico da African Bible (introduções, notas, comentários e ilustrações) que tinha sido elaborado por um grupo de 40 peritos de África, entre os quais Cardeal Robert Sarah e Cardeal Peter Turkson, ressaltou ainda a religiosa.

Deste modo, as notas, as introduções, os comentários da Bíblia Sagrada Africana, e mesmo os desenhos, foram feitos por Africanos e missionários em África à luz do documento Ecclesia in Africa, e tudo se fez para que o povo de África pudesse melhor entender a Palavra de Deus, usando provérbios, histórias do contexto africano.

Foi um trabalho, reconhece a religiosa, que precisou não apenas de conhecimento, mas também do envolvimento da própria Igreja da África Lusófona, para que a Bíblia Sagrada Africana se tornasse realidade. Este projecto foi um verdadeiro laboratório de sinodalidade que requereu das Paulinas criar sinergias com todos, particularmente bispos, padres, irmãs, leigos e mesmo entre as próprias Filhas de São Paulo, explicou.

Ir. Olga J. Massango, nos estúdios da Rádio Vaticano
Ir. Olga J. Massango, nos estúdios da Rádio Vaticano

Domingo da Palavra na Igreja do Quénia

O Domingo da Palavra de Deus, sublinhou ainda a religiosa paulina moçambicana, nasceu do Motu Proprio do Papa Francisco “Aperuit illis” e, neste sentido, desde 2019, no Quénia, se celebra o Domingo da Palavra de Deus. “O Domingo da Palavra é celebrado solenemente no Quénia, usando o material do Dicastério para a Evangelização, pois cada ano publica um subsídio pastoral, e sentimos a necessidade de ajudar os cristãos, a Comunidade cristã e os Núcleos, a pautarem a sua vida na Palavra de Deus, ou seja, que a Palavra de Deus seja o centro do seu viver”, enfatizou a Ir. Olga José Massango.

O tema deste ano foi: “A Palavra de Deus habite em vós” (Col. 3, 16). Paulo não pede que a Palavra seja apenas escutada ou estudada: ele quer que ela ‘habite’, isto é, que faça morada estável, molde os pensamentos, oriente os desejos e torne credível o testemunho dos discípulos”. Portanto, é necessário que a Palavra se torne carne da nossa carne, para podermos dizer, como Paulo: “Cristo vive em mim”.

Entronização da Bíblia nas Paróquias e Comunidades

Então, prossegue a religiosa, em primeiro lugar, há esta consciencialização das Paróquias de prepararem o Domingo da Palavra de Deus, sobretudo a Missa, com a entronização da Palavra de Deus, uma Missa em que se prevê um ritual próprio, onde as pessoas são encorajadas a ler a Palavra de Deus. O Domingo da Palavra é, enfim, também uma maneira de suscitar Cursos bíblicos nas Comunidades cristãs, disse a terminar a Ir. Olga Massango, pois a partir da celebração, muitos se inscrevem em diversos Cursos bíblicos oferecidos pelas Comunidades e Paróquias.

Bíblia, companheira de viagem

“Gostaria de encorajar os Grupos bíblicos para que a Palavra de Deus seja, de facto, luz para o seu caminhar; façamos um compromisso de ler juntos, e em família, a Bíblia”, - dizia o Papa Francisco - de trazer sempre no telefone ou numa edição de bolso, a Bíblia usando os minutos de viagem no autocarro para ler, a fim de que Jesus possa ser Aquele Companheiro de viagem que nos sustenta no caminhar disse em conclusão a Ir. Olga J. Massango.

Oiça aqui a entrevista com Ir. Olga Massango, e partilhe

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25 janeiro 2026, 13:08