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Padre Benvindo Tápua, Coordenador da Comissão Arquidiocesana de Justiça e Paz em Nampula (Moçambique) Padre Benvindo Tápua, Coordenador da Comissão Arquidiocesana de Justiça e Paz em Nampula (Moçambique) 

Justiça e Paz pede verdade e justiça após mortes de garimpeiros em Nampula

A Comissão Arquidiocesana de Justiça e Paz de Nampula (norte de Moçambique), manifestou preocupação com relatos de mortes de garimpeiros nos distritos de Mogovolas e Moma, defendendo que a verdade seja apurada. A posição surge após versões contraditórias entre a Polícia da República de Moçambique e organizações da sociedade civil sobre o número e a identidade das vítimas.

Cremildo Alexandre - Nampula, Moçambique

A Igreja Católica em Moçambique voltou a levantar a sua voz contra a violência e a mentira, na sequência das mortes registadas em zonas de garimpo nos distritos de Mogovolas e Moma, na província de Nampula.

A Polícia da República de Moçambique afirma que os confrontos ocorridos no dia 28 resultaram na morte de seis civis e de um agente da corporação, envolvendo alegados membros dos Naparamas e do partido ANAMOLA. Já organizações da sociedade civil contestam esta versão e falam de um número muito mais elevado de vítimas, incluindo mulheres e crianças.

Perante versões contraditórias, o Padre Benvindo Tápua, coordenador da Comissão Arquidiocesana de Justiça e Paz em Nampula, defende que a verdade seja dita, como caminho essencial para a paz.

Segundo o coordenador da Justiça e Paz, a Igreja tem informações recolhidas no terreno por membros da pastoral, que indicam que o número de mortos ultrapassa largamente os dados oficiais.

A Igreja associa estes acontecimentos à disputa pelo controlo dos recursos naturais, denunciando que muitos jovens moçambicanos são impedidos de beneficiar das riquezas das suas próprias terras, enquanto interesses externos continuam protegidos.

“O povo sente-se excluído e revoltado. Quando a polícia protege interesses económicos e não a população, instala-se a indignação e a violência”, acrescentou o sacerdote, alertando também para práticas de corrupção que agravam o conflito.

A Conferência Episcopal de Moçambique tem insistido que a paz só será possível com verdade, justiça e respeito pela dignidade humana, apelando às autoridades para investigações sérias, independentes e transparentes.

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07 janeiro 2026, 11:35