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Dom António Constantino, Bispo de Caia (Moçambique) Dom António Constantino, Bispo de Caia (Moçambique) 

Dom Constantino: ‘diplomacia das águas’ para o problema das cheias na África Austral

O Bispo da recém-criada Diocese de Caia (centro de Moçambique), D. António Constantino, falou da satisfação dos fiéis em terem o Pastor mais próximo de si, mas também dos desafios naquela parcela do povo de Deus em zona rural ainda sem infraestruturas. E no contexto das inundações que assolam o País e a África Austral, o prelado apelou à solidariedade nacional e internacional e a uma ‘diplomacia das águas’, convocando os Países da região a colaborarem na solução do problema das inundações.

P. Bernardo Suate – Cidade do Vaticano

Dom António Constantino é o novo Bispo da Diocese de Caia, Centro de Moçambique e, em recente entrevista aos media do Vaticano e, a propósito da nomeação, expressou gratidão pela confiança sem, contudo, ignorar os desafios que a missão de ser o primeiro Bispo da Diocese de Caia, bem no coração de Moçambique, comporta, uma Diocese, disse, que englobar 12 Distritos, todos eles no centro de Moçambique, e numa zona rural”.

Diocese de Caia, sonho dos primeiros missionários

Mas se olharmos para a história de Moçambique no Vale do Zambeze (porque a Diocese praticamente é todo o Vale do Zambeze), este é o sonho, feito realidade, dos primeiros missionários, os Jesuítas que, quando queriam uma Diocese para Moçambique, sonhavam este lugar, observou o jovem prelado. “Aqui o sonho se realiza agora, é o tempo de Deus, não é o nosso tempo humano, chegou o tempo de Deus, é o tempo desta nova Diocese”, enfatizou Dom Constantino.

O meu sentimento agora, enfatizou ainda Dom Constantino, é também de estar lá para o serviço da Igreja, porque afinal é uma Igreja que cresce, a Igreja moçambicana. Na verdade, observou o Bispo de Caia, Moçambique é um País grande e longo e, até agora, as Dioceses têm sempre ficado confinadas a Províncias, e com distâncias muito longas. E hoje, a restruturação da própria Igreja Moçambicana, será uma mais valia para a evangelização e para os Pastores estarem mais próximos do povo, que sempre precisa deles.

Entre desafios, mas importante é estar com o povo de Deus

Por isso, reiterou o prelado, esta viagem a Roma: primeiro, para recomendar a nova Igreja particular, a Diocese de Caia com todos os seus desafios, à proteção do Príncipe dos apóstolos; em seguida, para encontrar os Superiores, e ouvir deles como melhor acompanhar o povo de Deus nesta parcela do Povo de Deus, confidenciou o prelado. Mas também para tentar abrir portas, reiterou Dom António Constantino, pois a sua é uma diocese rural, sem infraestruturas, nem Paço episcopal ou Escritórios, e onde tudo será necessário construir. “Mas, o importante é o Povo de Deus que precisa de ver o Pastor próximo deles”, confia o prelado.

Por estes dias, Moçambique inteiro e toda a África Austral, está vivendo o drama das cheias e inundações, e Dom Constantino quis deixar o seu forte apelo à solidariedade para com o povo que está sofrendo, não apenas em Moçambique, mas em toda a região austral. “É preciso ver que não é só em Moçambique, porque é também a partir da África do Sul, pois as águas que vão para Moçambique saem da África do Sul”, reconhece o prelado. Para o Bispo de Caia, desta vez tocou ao sul de Moçambique nas Província do Maputo, Gaza e Inhambane, mas não só, também a África do Sul. Daí, o apelo à solidariedade, tanto interna como internacional, como os Bispos da Conferência Episcopal de Moçambique (CEM) se expressaram na sua última mensagem, “porque as mudanças climáticas nos afetam a todos em Moçambique, ciclones e inundações”, sublinhou Dom Constantino.

“Devemos começar a repensar juntos na nossa geografia e fazermos aquilo que nós chamamos a ‘diplomacia das águas’ para toda a África Austral”
“Devemos começar a repensar juntos na nossa geografia e fazermos aquilo que nós chamamos a ‘diplomacia das águas’ para toda a África Austral”

‘Diplomacia das águas’ para o problema das inundações cíclicas

E, neste sentido, todos devemos fazer algo, não podemos apontar dedos e dizer que é aquele/a que deve fazer alguma coisa para reverter a situação: “devemos ser todos nós a cuidar do meio ambiente, da nossa Casa comum, porque a mudança climática é uma realidade que afeta a todos nós”, reafirmou o Bispo de Caia.

Para Dom António Constantino, se torna urgente gerir juntos as barragens da região: “nós devemos saber gerir, sabermos comunicar e fazer uma relação diplomática também com os vizinhos, porque as águas saem descendo da Zâmbia, Malawi, África do Sul para Moçambique”, observa o prelado. “É necessário, portanto, começar na África Austral, a repensar (juntos) na nossa geografia e em como nos ajudarmos a gerir as águas, é preciso que façamos aquilo que nós chamamos a “diplomacia das águas” para toda a África Austral, e cuidar juntos da nossa Casa comum seriamente”, enfatizou Dom Constantino.

Mensagem de solidariedade e esperança

A terminar, um renovado apelo à solidariedade, mas também uma mensagem de esperança às vítimas afetadas pela situação dramática das cheias. Acabámos de viver o Jubileu da esperança que não engana, reafirmou o prelado moçambicano, exortando todos à esperança e confiança n’Aquele que nos criou, o Senhor, mesmo neste difícil momento de sofrimento: “Não percamos a esperança, mesmo neste momento de sofrimento temos que dar a mão uns aos outros, e que não haja oportunismo: aquilo que nós temos deve chegar àqueles que nada têm – haja sempre esperança”, concluiu o prelado.

Oiça aqui a entrevista com Dom A. Constantino, e partilhe

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26 janeiro 2026, 15:54