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Dom Edmond Djitangar, Arcebispo de Ndjamena e Presidente da Conferência Episcopal do Chade Dom Edmond Djitangar, Arcebispo de Ndjamena e Presidente da Conferência Episcopal do Chade 

Dom Djitangar: “Também no Chade cresce impaciência com a presença militar”

Somos a Igreja mais jovem de África, tanto que em 2029 seremos a última Igreja africana a celebrar os cem anos desde a primeira evangelização”, disse em entrevista Dom Goetbe Edmond Djitangar, Arcebispo de N'Djamena e Presidente da Conferência Episcopal do Chade, visivelmente feliz com a “primazia de juventude” da sua Igreja.

Cidade do Vaticano

O Arcebispo Djitangar, que também é Presidente da Associação das Conferências Episcopais da África Central (ACEAC), contou à Agência Fides com franqueza e realismo as tensões e os problemas que os antigos e novos colonialismos continuam a suscitar na vida quotidiana dos povos da região.

A Igreja no Chade ainda precisa da contribuição de missionários estrangeiros?

A nossa Igreja é certamente uma Igreja profundamente marcada pelos missionários. Mas agora chegou o momento em que os missionários europeus cedem progressivamente as responsabilidades a missionários de outros Países africanos e ao clero local. O problema é que quando uma nova Igreja se dota de estruturas eclesiásticas, educativas e sanitárias, enfrenta a falta de meios. O clero local depende do seu povo; tal como as Igrejas africanas que nos enviam os seus missionários não dispõem de grandes meios de financiamento. Vamos a frente na evangelização com aquilo que somos e temos.

O Chade é o quinto País do mundo em termos de número de refugiados per capita relativamente à população. Como enfrentam esta situação?

Actualmente não existe guerra aberta no Chade, mas a nossa região é marcada por conflitos nos estados vizinhos. Temos, assim, acolhido refugiados centro-africanos, nigerianos que fogem do Boko Haram e, mais recentemente, sudaneses devido à guerra civil no seu País. É verdade que o Chade é o País do continente que acolheu mais refugiados em relação à sua população. Mas também é verdade que o Chade é um País “artificial”, cujas fronteiras (traçadas pelos colonizadores) são percebidas como não naturais pelos habitantes de ambos os lados da fronteira que pertencem ao mesmo povo.

E quando do outro lado da fronteira estas pessoas têm dificuldades, vêm para o Chade porque encontram o seu próprio povo, as mesmas famílias que as acolhem. Mas isto não significa que o Chade, por si só, tenha os meios para acolher todos estes refugiados. Por isso, se multiplicam os pedidos internacionais de ajuda em favor das organizações chadianas envolvidas na assistência a estas pessoas.

A nível estatal, estas organizações têm dificuldade em funcionar adequadamente devido à corrupção, no entanto, acredito que o governo está fazendo o melhor que pode para acolher os que procuram refúgio no Chade.

“País artificial” nascido com a reunião de áreas com populações muito diferentes. Mas será ainda válido o esquema “norte muçulmano – sul cristão”?

As coisas mudaram sobretudo depois da guerra civil que teve o seu auge entre 1979 e 1985 e se arrastou por muito tempo, visto que ainda sofremos as suas consequências. Além disso, os períodos de grave seca na década de 1980, juntamente com a guerra civil, provocaram fortes movimentos internos da população. Vários agricultores muçulmanos do norte transferiram-se para o sul em busca de pastagens, trazendo a sua própria organização social que não reconhece aquela local e às vezes nem mesmo a do Estado. E isso representa um problema. Além disso, com a guerra civil, muitos soldados, originários do norte, estabeleceram-se no sul. Tudo isto faz com que haja uma forte pressão sobre as populações do sul. Agora no sul há tantos muçulmanos quanto os cristãos, o norte está praticamente vazio, excepto os oásis. A população do norte transferiu-se em grande parte para o sul, onde a vida é mais fácil. Isto cria problemas com as populações nativas e se criam tensões religiosas.

O diálogo inter-religioso é, portanto, muito importante…

Existem diferentes níveis de diálogo. Temos o diálogo “natural” entre vizinhos, entre pessoas que moram nas mesmas áreas. Temos então o diálogo um pouco distorcido a nível nacional, em que o Estado recorre frequentemente às religiões como meio de se impor, dado que o Estado não tem grande autoridade sobre as populações enquanto os líderes religiosos têm uma forte influência sobre os seus fiéis. Assim, o Estado faz pressão sobre os líderes religiosos, muçulmanos e cristãos, para alcançar os seus objectivos. É por isso que tudo fizemos para que o diálogo inter-religioso aconteça fora do alcance do Estado, que procura influenciá-lo em seu benefício.

Que consequências, em sua opinião, poderão ter no Chade os golpes de estado que têm envolvido os Estados vizinhos?

O Chade faz parte do chamado G5 Sahel, formado por 5 Estados do Sahel (Chade, Mauritânia, Mali, Burkina Faso e Níger), para combater os grupos jihadistas. Ora, 3 destes 5 Estados abandonaram esta formação: Mali, Burkina Faso e Níger. Restam dois Países que agora pouco podem fazer sozinhos. A presença militar francesa no Sahel está agora concentrada no Chade, onde aqui também a população começa a agitar-se e a opor-se que se faça do País o último bastião de Paris na área. Pode ser que a França recupere o seu lugar no Sahel, mas deve superar a desconfiança das populações da região que a percebem como uma potência que procura impor-se pela força para explorar os recursos locais.

O Chade exporta petróleo, mas, na própria capital, N'Djamena, há bairros que só têm electricidade dois ou três dias por semana. A mesma coisa acontece no Níger, que exporta urânio para alimentar as centrais nucleares de outros Países, mas que está sem electricidade. Nos nossos Países, toda a riqueza nacional está nas mãos de um punhado de pessoas, enquanto o resto da população definha na pobreza. Se a França tiver inteligência para impor um desenvolvimento comunitário, efectivamente dirigido às populações locais, construindo estradas, escolas e hospitais, poderá recuperar a estima entre nós - com a Agência Fides.

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